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| Mixto, grande paixão de dona Pepe. (Arquivo Mixto) |
Caminhando apressadamente,
na realidade, quase correndo... – foi assim que um pequeno grupo de torcedores
do Mixto Esporte Clube, conseguiu cobrir com rapidez a distância que separava o
Estádio Luthero Lopes da antiga Estação Rodoviária de Rondonópolis para fugir
da fúria da torcida do União que queria se vingar da derrota que o alvinegro
cuiabano havia infligido ao clube rondonopolitano em seus próprios domínios,
pelo Campeonato Mato-grossense de 1975.
-- Ainda bem que o estádio
ficava próximo da rodoviária, senão a gente estava lascado... – recorda Nelson
Tomás, naquela época um menino e que depois virou o Nelsinho’s, cabeleireiro
dos mixtenses e em atividade até hoje – ele teve que se submeter recentemente a
um rigoroso tratamento médico e só volta a trabalhar em fevereiro próximo.
Nem bem os mixtenses
chegaram a Estação Rodoviária, apareceram no local alguns policiais militares
para dar-lhes proteção na eventualidade da torcida do União descobrir que um
grupo de alvinegros já estava deixando a cidade. Os PMs só deixaram a
rodoviária depois que o ônibus que conduzia os torcedores cuiabanos partiu
rapidamente,com toda segurança.
-- Por sorte nossa, naquela
época, poucas pessoas possuíam carro e retornamos tranqüilos, sem riscos de
torcedores nos abordarem no meio do caminho. Mas que foi um sufoco, foi!... –
recorda outro fanático adepto mixtense que participou da aventura.
Embora a torcida mixtense
presente ao Luthero Lopes fosse relativamente numerosa, provavelmente o que
mais irritou a massa do União foi o barulho feito pelo pequeno grupo de
torcedores que se reunia quase que diariamente defronte a gráfica e dona Pepe,na
Rua 7 de Setembro, quase defronte a Igreja Senhor dos Passos, para buscar meios
de viajar quando o Mixto jogava fora de Cuiabá.
Entre o grupo de jovens,
figuravam Pelezinho -- que nada tem a ver com o lendário Pelezinho, do gol
olímpico em Mazaropi -- e filho adotivo de dona Pepe e Talharim. Como torcedora
fanática e fundadora do Mixto, ela até que gostaria que os dois virassem
jogadores do clube do seu coração, mas qual o quê!..
Nesse dia da grande confusão
em Rondonópolis, o grupinho, com dona Pepe à frente, chegou à cidade às 11
horas, com a turma varada de fome. Dona
Pepe não vacilou: pagou um lanche caprichado para a rapaziada numa lanchonete
da rodoviária para que os meninos tivessem ânimo e pulmão para gritar “Mixtão”,
“Mixtão”, “Mixtão”, durante todo o jogo...
A velha guarda do Mixto até
hoje não chega a um acordo sobre qual das duas torcedoras símbolos do
clube -- dona Pepe e Nhá Barbina -- era mais fanática pelo alvinegro. Havia, porém,
uma grande diferença entre as duas: dona Pepe era mais diplomática,e\comedida,
enquanto Nhá Barbina não se importava de armar um barraco em qualquer lugar,
quando se tratava de torcer ou defender o seu Mixto.
Como aconteceu no estádio de
São Januário no jogo de volta entre Vaso da Gama e Mixto pelo Campeonato Nacional
de 1976. Quando um grupo de torcedores cruzmaltinos tentou agredir uns poucos
mixtenses que tinham ido ao Rio de Janeiro assistir ao jogo, Nhá Barbina sacou o seu inseparável 38 cano curto e ameaçou: “Soco bala em quem
der o primeiro passo na nossa direção!....” Ninguém se atreveu....
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