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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Mixtenses foram para a rodoviária a pé para não apanhar da torcida do União

Mixto, grande paixão de dona Pepe. (Arquivo Mixto)
Caminhando apressadamente, na realidade, quase correndo... – foi assim que um pequeno grupo de torcedores do Mixto Esporte Clube, conseguiu cobrir com rapidez a distância que separava o Estádio Luthero Lopes da antiga Estação Rodoviária de Rondonópolis para fugir da fúria da torcida do União que queria se vingar da derrota que o alvinegro cuiabano havia infligido ao clube rondonopolitano em seus próprios domínios, pelo Campeonato Mato-grossense de 1975.

-- Ainda bem que o estádio ficava próximo da rodoviária, senão a gente estava lascado... – recorda Nelson Tomás, naquela época um menino e que depois virou o Nelsinho’s, cabeleireiro dos mixtenses e em atividade até hoje – ele teve que se submeter recentemente a um rigoroso tratamento médico e só volta a trabalhar em fevereiro próximo.

Nem bem os mixtenses chegaram a Estação Rodoviária, apareceram no local alguns policiais militares para dar-lhes proteção na eventualidade da torcida do União descobrir que um grupo de alvinegros já estava deixando a cidade. Os PMs só deixaram a rodoviária depois que o ônibus que conduzia os torcedores cuiabanos partiu rapidamente,com toda segurança.

-- Por sorte nossa, naquela época, poucas pessoas possuíam carro e retornamos tranqüilos, sem riscos de torcedores nos abordarem no meio do caminho. Mas que foi um sufoco, foi!... – recorda outro fanático adepto mixtense que participou da aventura.

Embora a torcida mixtense presente ao Luthero Lopes fosse relativamente numerosa, provavelmente o que mais irritou a massa do União foi o barulho feito pelo pequeno grupo de torcedores que se reunia quase que diariamente defronte a gráfica e dona Pepe,na Rua 7 de Setembro, quase defronte a Igreja Senhor dos Passos, para buscar meios de viajar quando o Mixto jogava fora de Cuiabá.

Entre o grupo de jovens, figuravam Pelezinho -- que nada tem a ver com o lendário Pelezinho, do gol olímpico em Mazaropi -- e filho adotivo de dona Pepe e Talharim. Como torcedora fanática e fundadora do Mixto, ela até que gostaria que os dois virassem jogadores do clube do seu coração, mas qual o quê!..

Nesse dia da grande confusão em Rondonópolis, o grupinho, com dona Pepe à frente, chegou à cidade às 11 horas, com a turma varada de fome.  Dona Pepe não vacilou: pagou um lanche caprichado para a rapaziada numa lanchonete da rodoviária para que os meninos tivessem ânimo e pulmão para gritar “Mixtão”, “Mixtão”, “Mixtão”, durante todo o jogo...

A velha guarda do Mixto até hoje não chega a um acordo sobre qual das duas torcedoras símbolos do clube  -- dona Pepe e Nhá Barbina --  era mais fanática pelo alvinegro. Havia, porém, uma grande diferença entre as duas: dona Pepe era mais diplomática,e\comedida, enquanto Nhá Barbina não se importava de armar um barraco em qualquer lugar, quando se tratava de torcer ou defender o seu Mixto.

Como aconteceu no estádio de São Januário no jogo de volta entre Vaso da Gama e Mixto pelo Campeonato Nacional de 1976. Quando um grupo de torcedores cruzmaltinos tentou agredir uns poucos mixtenses que tinham ido ao Rio de Janeiro assistir ao jogo, Nhá  Barbina sacou o seu inseparável 38 cano curto e ameaçou: “Soco bala em quem der o primeiro passo na nossa direção!....” Ninguém se atreveu....      
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