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| Mão-de-Onça, uma lenda do futebol de MT |
Numa certa manhã de 1976, o
diretor Álvaro Scolfaro chegou à sede do Dom Bosco, no Morro da Colina
Iluminada, e viu o gerente de Futebol, Carlos Gaúcho, dando coices até na
própria sombra de tanta raiva. E ele tinha suas razões para estar tão furioso:
considerado um sujeito muito astucioso, Carlos Gaúcho não se conformava pelo
fato de ter sido vítima de sua própria suposta esperteza.
É que dias antes, Carlos
Gaúcho chegou ao clube e encontrou na escadaria que dava acesso às suas
dependências um mendigo que se dizia jogador de futebol e que havia chegado do
sul do Mato Grosso indiviso – o estado foi fracionado em 1977, pelo presidente
Ernesto Geisel, sem sequer comunicar ao então governador Garcia Neto – para
defender o gol do Dom Bosco. O jogador que Gaúcho tratou como um mendigo e o
expulsou do clube era simplesmente Mão-de-Onça,
que acabou se tornando uma lenda do futebol mato-grossense ...
Foi um bafafá daqueles no
Dom Bosco quando os dirigentes ficaram sabendo da mancada – para não dizer
outra coisa... – de Carlos Gaúcho, pois fazia mais de duas semanas que o clube
esperava Mão-de-Onça chegar de Dourados onde defendia o Ubiratan, para assinar
contato com o azulão. Depois de uma verdadeira caçada pelas ruas de Cuiabá, o
goleiro foi encontrado e levado para a “república” do clube.
Mão-de-Onça, que teve também
brilhantes passagens pelo Mixto e o Operário Várzea-grandense, jogou no Dom
Bosco durante muitos anos. E ao longo de sua militância nos três clubes, nas
décadas de 70 e 80 sempre foi considerado o melhor goleiro do futebol
mato-grossense. Mão-de-Onça, cujo nome de batismo era João Ferreira Ramos,
morreu o ano passado em Cuiabá, aos 69 anos, vítima de infarto fulminante,
provocado pelo alcoolismo.
Uma das muitas renovações de
contrato de Mão-de-Onça com o Dom Bosco
passou para a história do clube. Ele tinha um Passat bem usado e para
continuar no clube, exigiu, como parte de luvas, um carro do mesmo modelo, mas
mais novo. O diretor que negociava com Mão-de-Onça não pechinchou: – “A gente
dá o seu como entrada na concessionária e pega um mais novo...”
– O senhor não entendeu. Eu
vou ficar com os dois... – foi a resposta de Mão-de-Onça. E ficou mesmo com os
dois carros na garagem...
O goleiro era louco por som
em carros. Tanto é que os seus dois Passat eram equipados com som da maior
potência e qualidade, que inclusive ocupavam todo o espaço dos bancos de
passageiros.
Apesar dos dois carros na
garagem, Mão-de-Onça, só podia utilizar um deles. Motivo: o Dom Bosco tomou do
seu goleiro as chaves de um dos carros quando descobriu que Mão-de-Onça não via
a hora dos treinos acabarem, de manhã ou à tarde, para pegar a BR-070 e ir para
Barra do Garças passar umas horas com uma professora que havia conhecido
durante um evento educacional em Cuiabá.
O Dom Bosco não se preocupava
se Mão-de-Onça estava acabando com seu carro na esburacada e poeirenta ou
lamacenta rodovia que liga as duas cidades, mas com a possibilidade do seu
goleiro sofrer um acidente fatal na sua desvairada aventura para curtir o novo
amor... (Republicado por falha no sistema de acesso).

Esse Mão-de-Onça era fogo mesmo!
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