Pesquisar este blog

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A folclórica e gloriosa passagem do lendário Mão-de-Onça pelo Dom Bosco...

Mão-de-Onça, uma lenda do futebol de MT

Numa certa manhã de 1976, o diretor Álvaro Scolfaro chegou à sede do Dom Bosco, no Morro da Colina Iluminada, e viu o gerente de Futebol, Carlos Gaúcho, dando coices até na própria sombra de tanta raiva. E ele tinha suas razões para estar tão furioso: considerado um sujeito muito astucioso, Carlos Gaúcho não se conformava pelo fato de ter sido vítima de sua própria suposta esperteza.

É que dias antes, Carlos Gaúcho chegou ao clube e encontrou na escadaria que dava acesso às suas dependências um mendigo que se dizia jogador de futebol e que havia chegado do sul do Mato Grosso indiviso – o estado foi fracionado em 1977, pelo presidente Ernesto Geisel, sem sequer comunicar ao então governador Garcia Neto – para defender o gol do Dom Bosco. O jogador que Gaúcho tratou como um mendigo e o expulsou do clube era simplesmente  Mão-de-Onça, que acabou se tornando uma lenda do futebol mato-grossense ...

Foi um bafafá daqueles no Dom Bosco quando os dirigentes ficaram sabendo da mancada – para não dizer outra coisa... – de Carlos Gaúcho, pois fazia mais de duas semanas que o clube esperava Mão-de-Onça chegar de Dourados onde defendia o Ubiratan, para assinar contato com o azulão. Depois de uma verdadeira caçada pelas ruas de Cuiabá, o goleiro foi encontrado e levado para a “república” do clube.

Mão-de-Onça, que teve também brilhantes passagens pelo Mixto e o Operário Várzea-grandense, jogou no Dom Bosco durante muitos anos. E ao longo de sua militância nos três clubes, nas décadas de 70 e 80 sempre foi considerado o melhor goleiro do futebol mato-grossense. Mão-de-Onça, cujo nome de batismo era João Ferreira Ramos, morreu o ano passado em Cuiabá, aos 69 anos, vítima de infarto fulminante, provocado pelo alcoolismo.

Uma das muitas renovações de contrato de Mão-de-Onça com o Dom Bosco  passou para a história do clube. Ele tinha um Passat bem usado e para continuar no clube, exigiu, como parte de luvas, um carro do mesmo modelo, mas mais novo. O diretor que negociava com Mão-de-Onça não pechinchou: – “A gente dá o seu como entrada na concessionária e pega um mais novo...”

– O senhor não entendeu. Eu vou ficar com os dois... – foi a resposta de Mão-de-Onça. E ficou mesmo com os dois carros na garagem...

O goleiro era louco por som em carros. Tanto é que os seus dois Passat eram equipados com som da maior potência e qualidade, que inclusive ocupavam todo o espaço dos bancos de passageiros.

Apesar dos dois carros na garagem, Mão-de-Onça, só podia utilizar um deles. Motivo: o Dom Bosco tomou do seu goleiro as chaves de um dos carros quando descobriu que Mão-de-Onça não via a hora dos treinos acabarem, de manhã ou à tarde, para pegar a BR-070 e ir para Barra do Garças passar umas horas com uma professora que havia conhecido durante um evento educacional em Cuiabá.

O Dom Bosco não se preocupava se Mão-de-Onça estava acabando com seu carro na esburacada e poeirenta ou lamacenta rodovia que liga as duas cidades, mas com a possibilidade do seu goleiro sofrer um acidente fatal na sua desvairada aventura para curtir o novo amor...  (Republicado por falha no sistema de acesso).    

Um comentário:

Se você leu, comente o que achou