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terça-feira, 10 de abril de 2018

Maquiavelismo na semifinal ajudou o CEOV a ser campeão estadual em 2006


Depois de “rodar” em grande estilo por diversos clubes brasileiros e fazer sucesso também na Turquia e na China, países onde ganhou muito dinheiro, veio parar no futebol mato-grossense em 2006, mais precisamente no União, de Rondonópolis, um talentoso meia armador carioca, cujo nome não vem ao caso para não comprometer alguns personagens dessa história, muitos dos quais ainda estão vivinhos da silva...

O jogador chegou a Rondonópolis com o prestígio em alta, inclusive dirigindo um reluzente Classe A, lançamento da Mercedes Benz do Brasil. Com um carrão daqueles, venerado pela torcida, que via nele o grande artífice das vitórias do clube, com seus lançamentos precisos para os atacantes balançarem as redes dos adversários e longe da família, que ficara em Campos-RJ, o boleiro não demorou para engatar um romance com uma rondonopolitana...

Mas por ironia do destino e também pela convivência que o futebol proporciona, a amada do meia armador acabou conhecendo um alto dirigente do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense e, meio vida torta como era ela, a mulher decidiu mudar de parceiro na aventura amorosa, trocando um pelo outro. O virtuoso jogador de bola ainda tentou reverter a situação, mas acabou perdendo mesmo a parada para o dirigente operariano...

Sob a orientação do armador carioca dentro do campo, o União estava botando pra quebrar no Campeonato Mato-grossense de Futebol daquele ano. Para orgulho da torcida colorada, o União já era apontado como um dos favoritos para conquistar o título da temporada, pois vinha realizando uma campanha das mais brilhantes, fruto, naturalmente, da atuação de seu genial jogador.

A semifinal do certame foi disputada justamente entre União e CEOV, no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, em um único jogo. A grande preocupação do tricolor várzea-grandense era o meia armador colorado, que fazia mesmo a diferença dentro de campo...

Mas aí uma mente maquiavélica operariana descobriu uma fórmula para impedir que o astro do União complicasse a vida do tricolor, com seus precisos passes para os atacantes. A fórmula operariana: desestabilizar emocionalmente o jogador do poderoso time adversário...

Antes de o Operário entrar em campo, chamaram o zagueiro Rafael e lhe deram uma missão especial: sem se preocupar em jogar futebol, ele devia passar o tempo todo provocando o armador do União, lembrando que sua amada – o boleiro não tinha desistido de reconquistá-la – tinha virado amante de um diretor operariano, inclusive entrando em detalhes sobre intimidades do casal na hora do vamos ver...

O maquiavelismo deu certo, para desespero dos rondonopolitanos: o armador do União parecia mais uma figura decorativa dentro do campo, completamente desnorteado. E à medida que ele ia se irritando com ofensas, gozações e ironias de Rafael, mais o jogador colorado errava os passes, comprometendo a atuação de todo o time. O desempenho do armador foi tão pífio, em função do seu desequilíbrio emocional, que ele pediu ao seu treinador para não voltar para o 2º tempo do jogo...

Com o gênio do União aniquilado no 1º tempo e fora de combate na etapa complementar, o CEOV conseguiu sair do Estádio Luthero Lopes com um suado empate pela contagem de 2x2. O placar garantiu ao tricolor várzea-grandense a decisão do título de 2006 contra o Barra do Garças FC, conquistado com duas vitórias: por 2x1 lá no Zeca Costa e por 2x0 no Verdão...  

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