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| Euclides não tinha medo de cara feia (Arq. pessoal) |
Mas, apesar de seu físico de
jogador de sinuca, Euclides nunca se intimidou diante dos grandalhões desses
dois esportes nos estádios e nas quadras. E quem ousou desafiar sua autoridade,
pensando que ia encontrar moleza, acabou ajustando contas com os Tribunais de
Justiça Desportiva das federações de futebol e de futebol de salão, além de
passar pela vergonha da expulsão...
– Antigamente, com a
rivalidade que existia entre os clubes e o fanatismo dos torcedores era muito
difícil apitar futebol profissional em Mato Grosso. Principalmente nos estádios
Zeca Costa, em Barra do Garças e Luthero Lopes, em Rondonópolis, onde dirigentes
e torcedores do Barra do Garças e do União faziam o diabo para seus times
ganharem seus jogos – afirma Ari Euclides.
Sem contar que nos bons
tempos do futebol de Mato Grosso, cujo declínio começou no final da década de
1980, existiam muitos jogadores malandros e catimbeiros, que não vacilavam em
criar situações difíceis para juízes e bandeirinhas para tirar algum tipo de
vantagem para seus clubes. Particularmente se estivessem perdendo. E por causa
da pressão também da torcida, juízes e bandeirinhas acabavam pagando o pato. E
como pagavam!...
Lembra Ari Euclides que há
muitos anos passou pelo União, de Rondonópolis, um zagueiro de nome Amarildo, que se
aproveitando do seu físico avantajado, batia sem dó, nem piedade nos atacantes adversários
e era também mestre em pressionar juízes e bandeirinhas.
Certa vez, Ari Euclides apitava
um jogo entre o União e o Barra do Garças no Luthero Lopes. E logo aos três
minutos deu um cartão amarelo para Amarildo. O jogador reclamou, mas sem apelar
contra o juiz, como era seu costume. Veio o segundo tempo e antes dos 30
minutos, o jogador do colorado cometeu outra falta violenta e foi expulso de
campo.
Foi uma expulsão estratégica
– admite Ari Euclides – pois ele estava próximo de um grupo de policiais militares
e não corria qualquer risco. E à medida que Amarildo caminhava em sua direção, ele
ia se afastando de costas até ficar pertinho
dos policiais.
– O senhor foi muito
corajoso em me expulsar de campo – disse Amarildo a Ari Euclides. E foi embora
para o vestiário...
Encerrado o jogo, de repente
Ari Euclides, ainda no campo, viu o grandalhão Amarildo caminhando em sua direção. Ele pensou no
pior, mas ficou firme, conversando com seus companheiros de arbitragem. Amarildo
se aproximou, estendeu-lhe a mão e disse ao juiz: “Eu vim somente
cumprimentá-lo pela sua coragem de me expulsar de campo. Uma coragem que esses
cagões da Federação não tiveram até hoje...”

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