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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Por não ter ficado nem na reserva, jogador do Santa Cruz tentou rasgar a bola do jogo com um facão


Toda vez que ia disputar um amistoso contra times de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento e outras cidades da região, geralmente aos domingos ou em datas festivas de Poconé, o Santa Cruz Futebol Clube realizava uma reunião com seus jogadores e colaboradores para tratar de detalhes da programação do jogo e que chamavam de pré-preleção, pois era tradição nos velhos tempos do futebol amador poconeano o time anfitrião receber os visitantes com muita cordialidade.

Na realidade, a pré-preleção do Santa Cruz nada mais era do que uma forma de arrecadar dinheiro entre seus jogadores e admiradores a fim de pagar o caminhão para buscar e levar de volta depois o adversário, além de bancar o almoço da rapaziada visitante. É que com a precariedade das estradas de Mato Grosso lá pelas décadas de 1970/1980, o time que ia jogar fora tinha que sair cedo para não correr o risco, principalmente no período chuvoso, do caminhão ficar atolado nos barreiros...

Uma pessoa que se destacava nesse trabalho extra-campo do Santa Cruz era seu Chiquinho Queiroz, uma espécie de cozinheiro oficial do clube e em cuja casa funcionava também a sede da agremiação, que era também o encarregado de arrecadar dinheiro e os alimentos para ser preparado o almoço do time de fora. Seu Queiroz não brincava em serviço na hora de pegar a bufunfa do pessoal. Esse negócio do sujeito dizer que ia entrar com o berro da “vaquinha” com ele não funcionava não!...

Um dos colaboradores de primeira hora do Santa Cruz, sempre foi o lateral esquerdo Camilo, que mesmo não sendo titular do time, não poupava na hora de enfiar a mão no bolso para fazer a “vaquinha”. Um dia, porém, em um desses amistosos, Camilo chegou para o jogo, trocando as pernas, completamente “mamado”. Por uma questão de prudência, alguns defensores do Santa Cruz,  foram pedir para a comissão técnica, integrada também por alguns jogadores mais experienbtes, não escalar Camilo e nem deixá-lo na reserva naquele dia...

Rapidinho, Camilo ficou sabendo que nem na reserva ia ficar. E não gostou nada do que estava ouvindo. E não ficou mesmo. A certa altura do jogo, porém,  Camilo, inconformado com a discriminação, pegou um facão e começou a correr por todo o campo do Santa Cruz, que não tinha alambrado, com a intenção de furar a bola. Mas com a colaboração dos torcedores, que não deixavam Camilo consumar sua vingança, o jogo chegou ao fim com a bola cheia e a torcida dando gostosas gargalhadas com as suas trapalhadas...  
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