Toda vez que ia disputar um
amistoso contra times de Cuiabá, Várzea Grande, Nossa Senhora do Livramento e
outras cidades da região, geralmente aos domingos ou em datas festivas de
Poconé, o Santa Cruz Futebol Clube realizava uma reunião com seus jogadores e
colaboradores para tratar de detalhes da programação do jogo e que chamavam de
pré-preleção, pois era tradição nos velhos tempos do futebol amador poconeano o
time anfitrião receber os visitantes com muita cordialidade.
Na realidade, a pré-preleção
do Santa Cruz nada mais era do que uma forma de arrecadar dinheiro entre seus
jogadores e admiradores a fim de pagar o caminhão para buscar e levar de volta
depois o adversário, além de bancar o almoço da rapaziada visitante. É que com
a precariedade das estradas de Mato Grosso lá pelas décadas de 1970/1980, o
time que ia jogar fora tinha que sair cedo para não correr o risco,
principalmente no período chuvoso, do caminhão ficar atolado nos barreiros...
Uma pessoa que se destacava
nesse trabalho extra-campo do Santa Cruz era seu Chiquinho Queiroz, uma espécie
de cozinheiro oficial do clube e em cuja casa funcionava também a sede da
agremiação, que era também o encarregado de arrecadar dinheiro e os alimentos
para ser preparado o almoço do time de fora. Seu Queiroz não brincava em
serviço na hora de pegar a bufunfa do pessoal. Esse negócio do sujeito dizer
que ia entrar com o berro da “vaquinha” com ele não funcionava não!...
Um dos colaboradores de
primeira hora do Santa Cruz, sempre foi o lateral esquerdo Camilo, que mesmo
não sendo titular do time, não poupava na hora de enfiar a mão no bolso para
fazer a “vaquinha”. Um dia, porém, em um desses amistosos, Camilo chegou para o
jogo, trocando as pernas, completamente “mamado”. Por uma questão de prudência,
alguns defensores do Santa Cruz, foram
pedir para a comissão técnica, integrada também por alguns jogadores mais
experienbtes, não escalar Camilo e nem deixá-lo na reserva naquele dia...
Rapidinho, Camilo ficou
sabendo que nem na reserva ia ficar. E não gostou nada do que estava ouvindo. E
não ficou mesmo. A certa altura do jogo, porém, Camilo, inconformado com a discriminação,
pegou um facão e começou a correr por todo o campo do Santa Cruz, que não tinha
alambrado, com a intenção de furar a bola. Mas com a colaboração dos
torcedores, que não deixavam Camilo consumar sua vingança, o jogo chegou ao fim
com a bola cheia e a torcida dando gostosas gargalhadas com as suas trapalhadas...
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