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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Uma viagem tumultuada em ônibus de linha do Palmeirinhas para jogar em Barra do Garças


O Palmeiras ia jogar com o Barra do Garças Futebol Clube, no Estádio Zeca Costa, pelo Campeonato Mato-grossense de 1985 ou 1986, ninguém sabe com certeza. O que aparentemente seria um evento esportivo comum, tinha um significado especial: a data do jogo coincidia com a do aniversário de Barra do Garças – fundada no dia 13/6/1924 – e foi incluído nas festividades da cidade para fechar com chave de ouro a programação. De preferência com uma vitória, para completar a festa...

A saída da delegação do velho clube do Porto foi marcada para a antiga sede da extinta Prosol, no bairro Dom Aquino, um dia antes do jogo. A moçada palmeirense  estava animada, primeiro porque ia participar das festas do povo barragarcense e segundo pelo fato de que o técnico Admir Moreira poderia contar com seus principais jogadores, entre eles Gérson, Zequinha, Baiano, Éder Taques, Gaguinho, Carlinhos...

Carlinhos era o filho mais jovem do presidente palmeirense Délio de Oliveira e despontava como uma grande promessa do futebol mato-grossense. Mas, apesar do incentivo e do apoio do pai, Carlinhos não teve a mesma sorte do irmão William, que foi ainda garoto para o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, e fez muito sucesso no futebol carioca, jogando também pelo Flamengo.

Estava tudo pronto para a viagem de cerca de 500 quilômetros pela já asfaltada BR-070 entre Cuiabá e Barra do Garças, porém um imprevisto mudou o que estava planejado. Em cima da hora prevista para embarque da delegação alviverde, a empresa contratada para transportar a delegação informou a Délio de Oliveira que o ônibus disponibilizado para a viagem havia sofrido uma avaria mecânica e ela não poderia cumprir o compromisso...

O presidente palmeirense não perdeu tempo: correu para o Terminal Rodoviário de Cuiabá e comprou mais de 20 passagens para a delegação  pegar um ônibus que já estava saindo para Barra do Garças. Mas não dava tempo para o pessoal sair do Dom Aquino e chegar à rodoviária para embarcar...

A solução foi amontoar todos os membros da delegação com suas respectivas bagagens em uma caminhonete e tocar a toda velocidade para a Avenida Fernando Correia da Costa, onde em uma parada de coletivos nas imediações da Trêscinco, o ônibus de linha estacionou rapidamente para o embarque da delegação palmeirense.

E o que seria uma viagem tranquila em um veículo especial, com direito a travesseiros, água gelada e cafezinho, acabou sendo feita em um “pé duro”, como eram chamados os ônibus de linha que trafegavam pela BR-070, que liga Cuiabá a Barra do Garças, antes da rodovia ser asfaltada no governo de Júlio Campos, entre 1983/1986.

A desastrada viagem do Palmeirinhas para Barra do Garças teve um  ingrediente a mais: quando a delegação alviverde passou pela reserva indígena Sangradouro, em Primavera do Leste (230 quilômetros de Cuiabá), um numeroso grupo de índios xavantes invadiu o ônibus, assustando os passageiros e sem querer saber se havia ou não bancos disponíveis para se sentarem. E não havia...

Da cansativa e desconfortável viagem dos palmeirenses, restou um consolo: apesar de todas as dificuldades que a delegação enfrentou para chegar a Barra do Garças, o alviverde fez uma boa exibição no Zeca Costa e venceu o jogo pela contagem mínima, estragando a festa dos barragarcenses. O gol foi marcado no primeiro tempo por Baiano – recorda o hoje técnico de futebol Éder Taques, um dos participantes da aventura palmeirense, como jogador...     

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