O Palmeiras ia jogar com o
Barra do Garças Futebol Clube, no Estádio Zeca Costa, pelo Campeonato
Mato-grossense de 1985 ou 1986, ninguém sabe com certeza. O que aparentemente
seria um evento esportivo comum, tinha um significado especial: a data do jogo
coincidia com a do aniversário de Barra do Garças – fundada no dia 13/6/1924 –
e foi incluído nas festividades da cidade para fechar com chave de ouro a programação.
De preferência com uma vitória, para completar a festa...
A saída da delegação do
velho clube do Porto foi marcada para a antiga sede da extinta Prosol, no bairro Dom
Aquino, um dia antes do jogo. A moçada palmeirense estava animada, primeiro porque ia participar
das festas do povo barragarcense e segundo pelo fato de que o técnico Admir
Moreira poderia contar com seus principais jogadores, entre eles Gérson,
Zequinha, Baiano, Éder Taques, Gaguinho, Carlinhos...
Carlinhos era o filho mais
jovem do presidente palmeirense Délio de Oliveira e despontava como uma grande
promessa do futebol mato-grossense. Mas, apesar do incentivo e do apoio do pai,
Carlinhos não teve a mesma sorte do irmão William, que foi ainda garoto para o
Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, e fez muito sucesso no futebol carioca,
jogando também pelo Flamengo.
Estava tudo pronto para a
viagem de cerca de 500 quilômetros pela já asfaltada BR-070 entre Cuiabá e
Barra do Garças, porém um imprevisto mudou o que estava planejado. Em cima da
hora prevista para embarque da delegação alviverde, a empresa contratada para
transportar a delegação informou a Délio de Oliveira que o ônibus disponibilizado
para a viagem havia sofrido uma avaria mecânica e ela não poderia cumprir o
compromisso...
O presidente palmeirense não
perdeu tempo: correu para o Terminal Rodoviário de Cuiabá e comprou mais de 20
passagens para a delegação pegar um
ônibus que já estava saindo para Barra do Garças. Mas não dava tempo para o
pessoal sair do Dom Aquino e chegar à rodoviária para embarcar...
A solução foi amontoar todos
os membros da delegação com suas respectivas bagagens em uma caminhonete e
tocar a toda velocidade para a Avenida Fernando Correia da Costa, onde em uma
parada de coletivos nas imediações da Trêscinco, o ônibus de linha estacionou
rapidamente para o embarque da delegação palmeirense.
E o que seria uma viagem
tranquila em um veículo especial, com direito a travesseiros, água gelada e
cafezinho, acabou sendo feita em um “pé duro”, como eram chamados os ônibus de
linha que trafegavam pela BR-070, que liga Cuiabá a Barra do Garças, antes da
rodovia ser asfaltada no governo de Júlio Campos, entre 1983/1986.
A desastrada viagem do
Palmeirinhas para Barra do Garças teve um
ingrediente a mais: quando a delegação alviverde passou pela reserva
indígena Sangradouro, em Primavera do Leste (230 quilômetros de Cuiabá), um
numeroso grupo de índios xavantes invadiu o ônibus, assustando os passageiros e
sem querer saber se havia ou não bancos disponíveis para se sentarem. E não
havia...
Da cansativa e desconfortável
viagem dos palmeirenses, restou um consolo: apesar de todas as dificuldades que a delegação enfrentou para chegar a Barra do Garças, o alviverde fez uma boa exibição no
Zeca Costa e venceu o jogo pela contagem mínima, estragando a festa dos barragarcenses. O gol foi marcado no primeiro
tempo por Baiano – recorda o hoje técnico de futebol Éder Taques, um dos
participantes da aventura palmeirense, como jogador...
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