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| Cipó: 20 anos trabalhando com meninos e adolescentes |
Também dessa época, José
Roberto Feitosa Soares, o Cipó, afirma que seus companheiros de viagem ficavam putos
da vida com Medeiros, mas não com raiva dele por causa da mania dos tiros e dos
sustos. “Naquele tempo tudo era farra, diversão e brincadeira. Para complicar a
vida dos companheiros, nas viagens o pessoal da FMF chegava a passar, às
escondidas, batom nas cuecas dos casados para vê-los metidos em encrencas da
grossa em casa. Era só para sacanear mesmo!...” – afirma Cipó.
Outra brincadeira comum
naqueles bons tempos do futebol romântico entre o pessoal da FMF – juízes,
bandeirinhas, delegados da entidade, tesoureiros – era colocar gatos das
cidades onde trabalhavam dentro das bolsas dos companheiros. Quando as viagens
eram feitas em ônibus de linha, de vez em quando um gato escapava das bolsas e
provocava tumultos entre os passageiros...
Na sua militância no
Departamento de Árbitros – entre 1988/1999 – Cipó passou por muitas situações engraçadas.
Uma delas: em 1998 ele atuava como bandeirinha de Gílson Rodrigues no jogo entre
Barra do Garças e Operário Várzea-grandense no Estádio Zeca Costa. A certa
altura do jogo, Rodrigues expulsou de campo Jackson, do clube barragarcense.
Mas antes de sair de campo, Jackson se aproximou do juiz e rasgou sua camisa.
Já sentado na arquibancada,
Jackson decidiu se vingar de Cipó que nada teve a ver com a sua expulsão. Ele
saltou o alambrado, aproximou-se sorrateiramente de Cipó e de repente pulou com
os dois pés nas costas do bandeirinha. Mesmo surpreendido, Cipó reagiu e deu
uma certeira bordoada nas costas do seu agressor com a sua bandeirinha.
Claro que Jackson sentiu a
pancada. E como sentiu! Até porque o objeto em que a sua bandeirinha especial
estava pregada, não era de madeira ou plástico, mas de ferro puro. Sim, de
ferro puro e que Cipó sempre preparou em sua casa para impor respeito à
boleirada, quando estava bandeirando. E como impunha!...
Por causa dos dois episódios
em um só jogo – a expulsão e a agressão a Cipó e que lhe custou uma dolorida pancada
no lombo – Jackson foi punido com uma suspensão de 120 dias. Mas nunca mais
quis saber de conversa com Cipó, quando ele estava com um apito na boca ou uma
bandeirinha nas mãos...
Desde 2005, o orientador
social Cipó vem executando, através de sua escolinha de futebol Associação
Cristo Rei, criada há mais de duas décadas, um programa de cunho social, trabalhando com
70 meninos e adolescentes, na Cohab
Jaime Campos, em Várzea Grande. O trabalho de Cipó é desenvolvido no principal campo de futebol do
bairro, o “Sílvio Manoel Gomes”, de onde ladrões já levaram tudo dos
vestiários, até as mangueiras que eram utilizadas para molhar a grama.
As atividades no período
matinal, com a participação de cerca de 35 garotos (dos seis aos 13 anos),
começam às 7h30 e se estendem até as 11h30, com um rápido intervalo para um
lanche. No período da tarde, o trabalho, com igual número de participantes (dos
seis aos 16 anos), vai das 13h30 até as 17h30, também com direito a um lanche. Para
ajudar no lanche da garotada, Cipó recebe mensalmente da prefeitura de VG R$ 1.000,00.
O objetivo de Cipó não é
revelar jogadores, mas, sim, ocupar o tempo dos garotos com atividades sadias e
atraentes, como práticas esportivas, como o futebol. Além da preparação física,
recreação, “rachas”, a garotada recebe instruções sobre regras de futebol e de
comportamento dentro e fora de campo. “A nossa preocupação é formar pessoas íntegras
para que sejam bem-sucedidos na vida” – afirma Cipó.
Mas se alguém se destacar na
escolinha, Cipó pode indicar e até levar as revelações para o Paraná Clube, de
Curitiba, de quem é uma espécie de “olheiro” em Mato Grosso. Ou para a empresa
Futtalents (Futebol e Talento) também de Curitiba. A Futtalents acaba de nomear
Cipó seu representante para Mato Grosso e a região.
– Mas mandar “aranhas” (jogadores pernas de
pau) para eles é tempo perdido – diz Cipó, que além de trabalhar com a
garotada de sua escolinha, tem uma academia desportiva de futebol na Cohab
Cristo Rei, criada desde que ele se afastou de sua empresa de construção civil
por causa de sua idade. Cipó está com 64 anos e nem pensa em parar de mexer com
o futebol de sua escolinha. "Essa escolinha é a minha vida..." – garante Cipó.

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