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segunda-feira, 4 de março de 2019

Jogadores do Comercial arrancavam guanxuma, picão, carrapicho, pé-de-galinha para receberem dinheiro da prefeitura...


Nazinho, o primeiro agachado da esquerda para
 a direita. O Comercial de 1978
Fundado em 3/5/1967, na primeira administração do empresário Manoel Gomes de Arruda, o Neco Falcão (1967-1970) – que voltou a ser prefeito de Poconé entre 1973 e 1977 – e que virou nome do estádio da cidade, o Comercial Esporte Clube teve algum destaque no futebol profissional de Mato Grosso durante um curto período de três ou quatro anos, entre 1972 e 1975.

Um dos poucos remanescentes do extinto Comercial e ainda em atividade, o veterano Nazinho lembra que foi na administração do prefeito Arlindo de Morais que o futebol profissional de Poconé conseguiu se destacar no cenário estadual, com a participação do clube nos campeonatos oficiais da FMF no limiar da década de 1970. E onde entra a política na vida do velho Comercial?

Foi uma manobra política: sem poder investir recursos do município no futebol, o prefeito Morais contratava jogadores profissionais e os colocava para trabalhar nos campos de futebol da cidade, em atividades como arrancar guanxuma, carrapicho, picão, pé-de-galinha, caruru e outras pragas daninhas. A justificativa para pagamento dos profissionais da bola pela prestação de serviços que qualquer pessoa poderia executar é que o futebol amador da cidade era muito forte e precisava de bons campos...

Hoje com 66 anos de idade, Nazinho sempre esteve ligado ao futebol da cidade. Há muitos anos, seu pai, J. Costa comprou um terreno em uma área verde da cidade e que virou um campo de futebol, onde ao longo dos anos muitos craques consagrados como Bife, Fidélis, Ruiter, Nelson Vasques, César Tucano, Bicaral, Veludo, Saldanha e tantos outros exibiram sua arte, participando de monumentais “peladas” nos finais de semana.


É nesse campo, que Nazinho e sua mulher, Morena, mantém faz muito tempo uma escolinha de futebol que funcionando em dois períodos, as terças-feiras, e quintas e sábados, chega a receber nesses dias da semana até 100 meninos, dos quatro aos 18 anos de idade. Embora pessoas simples, o casal Nazinho-Morena trabalha muito o lado psicológico das crianças e jovens da escolinha e se orgulham que vários meninos que passaram pelas suas mãos viraram médicos, advogados, dentistas e outros profissionais liberais. A escolinha faz parte do programa municipal “Bom de bola, melhor na escola”, criado no início da década de 1970.

O pai de Nazinho, J. Costa, foi, há muitos anos, jogador do Valoroso FC, um dos pioneiros do futebol de Poconé, junto com o Destemido. Faz muito tempo, o Valoroso foi jogar com o Cacerense em Cáceres e sofreu uma goleada de perder o rumo. Aproveitando a viagem, o time passou por Cuiabá para jogar com o Mixto. Do jeito que saíram de campo em Cáceres, os jogadores seguiram para Cuiabá para não correrem o risco de tirar as camisas e perderem a posição no time. Naqueles velhos tempos, os times eram de 11 camisas mesmo!...

Recorda Nazinho que antes de enfrentar o Mixto, os jogadores do Valoroso tiveram um dia de folga. E foram passear pelo centro de Cuiabá. Muitos jogadores não conheciam manequins e alguns deles foram flagrados estendendo as mãos para cumprimentá-los e até tentando puxar conversa com as estátuas, inclusive perguntando sobre preços das mercadorias expostas nas vitrines.

Quanto ao jogo com o Mixto, o Valoroso levou outra tunda daquelas e só não perdeu o caminho de volta porque o motorista do velho caminhão GMC, contratado para conduzir a delegação na rápida excursão, conhecia muito bem a estrada entre Cuiabá e Poconé...            


     

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