Indicado por “olheiros” do clube e que o viam brilhar defendendo o
Flamenguinho, de Guarulhos-SP, o zagueiro Bogé, que fez sucesso no futebol de
Mato Grosso, jogando nos dois Operários de Várzea Grande, Mixto, Luverdense e
Cuiabá, foi parar no Corinthians Paulista em 2001. Estava indo muito bem. Mas
aí um empresário carioca de nome Moreno, de “olho gordo” no futuro do jogador,
convenceu Bogé ou Natanael Pedro
Arcanjo, hoje com 36 anos, a falsificar sua certidão de nascimento, diminuindo
sua idade em dois anos, para passar pelas divisões de base do alvinegro, como é
praxe nos clubes grandes.
Foi a grande besteira que cometeu na vida. Já bem conhecido
no Parque São Jorge, Bogé caiu em desgraça perante a alvinegra. Enquanto o
Corinthians providenciava seu desligamento, o motivo que levou o clube a dispensá-lo
espalhou-se rapidamente entre a torcida. E por onde Bogé passava, tinha que
ouvir a voz característica do gato “miau”, “miau”, “miau”... uma alusão dos torcedores ao
animal que é considerado um grande ladrão, principalmente de alimentos...
Na carreira de jogador profissional, Bogé viveu dias difíceis
quando foi defender o Colorado Atlético Clube, da cidade do mesmo nome, no
norte do Paraná. Fundado em 1998, o CAC, cujo primeiro nome foi Associação
Atlética Cintos Mima disputou a 3ª Divisão do Campeonato Paranaense e subiu
para a 2ª Divisão em 2000, mas não passou daí.
Recorda Bogé que foram duros seis meses de alimentação da
mais baixa qualidade no alojamento onde moravam os jogadores solteiros. O
cardápio não mudava nunca: era arroz com salsicha ou ovo frito, também chamado
de “zoião”. Bogé se lembra que certo dia, os jogadores viram que o sitiante que
abastecia a cozinha do clube estava chegando no seu velho tratorzinho. Correram ao seu encontro para lhe dizer que
devia fazer a entrega mais adiante e não ali, mas ele não quis conversa com a
rapaziada e foi descarregando tudo, principalmente salsicha e ovo...
Certa feita o CAC foi jogar um amistoso contra o Grêmio
Esportivo Maringá, em Maringá. Por questão de economia, os jogadores não jantaram em Maringá
e retornaram a Colorado, com o estômago da boleirada roncando de fome. Quando
chegaram a “república”, foram diretos para cozinha e encontraram uma panelada de
salsicha. Mas com um probleminha: quem preparou “salsichada” foi embora, sem
tampar a panela...
Era evidente que moscas, inclusive varejeiras, tinham
assentado sobre as salsichas. Mas com a fome que estava Bogé tirou a parte
atacada pelos insetos e mandou ver. Outros jogadores foram se aproximando da
panela e sem outra opção para matar a fome, atacaram firme a “salsichada”. Em
questão de minutos, devoraram tudo, não sobrando nem um pedacinho de salsicha
para contar a história das outras...
Além dos clubes de Mato Grosso e do Colorado – não
confundir com o Colorado, de Curitiba – Bogé jogou também no Operário, de Campo
Grande-MS e no Clube de Regatas Brasil (CRB) de Maceió. Em um domingo de 2014,
o CRB ia jogar pelo Campeonato Alagoano. Como não estavam concentrados, Bogé
decidiu aproveitar a folga da manhã para dar uma voltinha numa das praias de
Maceió, com um amigo. Conversa vai, conversa vem, e o tempo passando...
Quando Bogé se deu conta, já estava quase na hora do jogo
começar. Ele comprou um par de óculos de lentes claras e se mandou para o estádio. Quando
entrou no vestiário, bem mamado, foi a maior zoeira dos jogadores e até alguns diretores pra cima dele. No início da
semana, o diretor do CRB Marcos Barbosa comprou um par de óculos escuros e deu
de presente a Bogé para pelo menos ele disfarçar quando chegasse ao vestiário de
farol baixo para jogar...
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