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terça-feira, 14 de maio de 2019

Olho gordo de empresário acabou com a carreira de Bogé no Corinthians Paulista



Indicado por “olheiros” do clube e que o viam brilhar defendendo o Flamenguinho, de Guarulhos-SP, o zagueiro Bogé, que fez sucesso no futebol de Mato Grosso, jogando nos dois Operários de Várzea Grande, Mixto, Luverdense e Cuiabá, foi parar no Corinthians Paulista em 2001. Estava indo muito bem. Mas aí um empresário carioca de nome Moreno, de “olho gordo” no futuro do jogador, convenceu Bogé ou Natanael  Pedro Arcanjo, hoje com 36 anos, a falsificar sua certidão de nascimento, diminuindo sua idade em dois anos, para passar pelas divisões de base do alvinegro, como é praxe nos clubes grandes.

Foi a grande besteira que cometeu na vida. Já bem conhecido no Parque São Jorge, Bogé caiu em desgraça perante a alvinegra. Enquanto o Corinthians providenciava seu desligamento, o motivo que levou o clube a dispensá-lo espalhou-se rapidamente entre a torcida. E por onde Bogé passava, tinha que ouvir a voz característica do gato “miau”, “miau”, “miau”... uma alusão dos torcedores ao animal que é considerado um grande ladrão, principalmente de alimentos...

Na carreira de jogador profissional, Bogé viveu dias difíceis quando foi defender o Colorado Atlético Clube, da cidade do mesmo nome, no norte do Paraná. Fundado em 1998, o CAC, cujo primeiro nome foi Associação Atlética Cintos Mima disputou a 3ª Divisão do Campeonato Paranaense e subiu para a 2ª Divisão em 2000, mas não passou daí.

Recorda Bogé que foram duros seis meses de alimentação da mais baixa qualidade no alojamento onde moravam os jogadores solteiros. O cardápio não mudava nunca: era arroz com salsicha ou ovo frito, também chamado de “zoião”. Bogé se lembra que certo dia, os jogadores viram que o sitiante que abastecia a cozinha do clube estava chegando no seu velho tratorzinho. Correram ao seu encontro para lhe dizer que devia fazer a entrega mais adiante e não ali, mas ele não quis conversa com a rapaziada e foi descarregando tudo, principalmente salsicha e ovo...

Certa feita o CAC foi jogar um amistoso contra o Grêmio Esportivo Maringá, em Maringá. Por questão de economia, os jogadores não jantaram em Maringá e retornaram a Colorado, com o estômago da boleirada roncando de fome. Quando chegaram a “república”, foram diretos para cozinha e encontraram uma panelada de salsicha. Mas com um probleminha: quem preparou “salsichada” foi embora, sem tampar a panela...

Era evidente que moscas, inclusive varejeiras, tinham assentado sobre as salsichas. Mas com a fome que estava Bogé tirou a parte atacada pelos insetos e mandou ver. Outros jogadores foram se aproximando da panela e sem outra opção para matar a fome, atacaram firme a “salsichada”. Em questão de minutos, devoraram tudo, não sobrando nem um pedacinho de salsicha para contar a história das outras...

Além dos clubes de Mato Grosso e do Colorado – não confundir com o Colorado, de Curitiba – Bogé jogou também no Operário, de Campo Grande-MS e no Clube de Regatas Brasil (CRB) de Maceió. Em um domingo de 2014, o CRB ia jogar pelo Campeonato Alagoano. Como não estavam concentrados, Bogé decidiu aproveitar a folga da manhã para dar uma voltinha numa das praias de Maceió, com um amigo. Conversa vai, conversa vem, e o tempo passando...

Quando Bogé se deu conta, já estava quase na hora do jogo começar. Ele comprou um par de óculos de lentes claras e se mandou para o estádio. Quando entrou no vestiário, bem mamado, foi a maior zoeira dos jogadores e até alguns diretores  pra cima dele. No início da semana, o diretor do CRB Marcos Barbosa comprou um par de óculos escuros e deu de presente a Bogé para pelo menos ele disfarçar quando chegasse ao vestiário de farol baixo para jogar...      

   



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