Um detalhe que pouca gente
conhece sobre a passagem do cuiabano Almiro pelo Santos, no qual chegou em
1967: nas excursões que o então todo poderoso Santos FC realizava pelo mundo
afora – inclusive recebendo quotas mais altas do que a própria Seleção Brasileira
–, Pelé pagava para a grande revelação do Mixto EC mentir que Coutinho era ele
e, dessa forma, livrar-se do assédio dos fãs, principalmente em países como
Bélgica, Suécia e Suiça, onde jogadores da pele negra faziam grande sucesso,
notadamente entre as mulheres.
Para compensar suas
mentiras, Pelé dava um jeito de Almiro, seu eventual substituto, entrar
em campo, muitas vezes no seu próprio lugar, para garantir-lhe o pagamento o
“bicho” integral. E quando Pelé decidia que um jogador devia ser substituído –
às vezes, ele próprio – não existia treinador suficientemente peitudo ou burro
para contrariá-lo...
Poliglota, Almiro não tinha
qualquer problema para se comunicar com os torcedores para dizer que Coutinho
era Pelé. E muitos torcedores, inclusive de países africanos, acreditavam,
assediando Coutinho, enquanto Pelé saía de fininho das confusões em que o
centroavante santista, recentemente falecido, envolvia-se com a torcida. Um
verdadeiro intelectual, fato raro naqueles tempos no futebol, além do
português, Almiro falava inglês, francês, castelhano...
Apesar de ser o substituto de Pelé, Almiro
teve uma passagem rápida pelo Santos. Em 1969, o Santos veio a Cuiabá participar
de torneio alusivo aos 250 anos da capital mato-grossense, no Velho Dutrinha,
com a participação também do América-RJ, Dom Bosco e Mixto. Pelé e Almiro,
ambos contundidos, não vieram. Mas, apesar de sua ausência, a família de
Almiro, decidiu homenagear o Santos, oferecendo aos jogadores alvinegros uma
churrascada caseira.
Apenas alguns jogadores,
entre eles, Clodoaldo, Geraldino, Mané Maria, Negreiros e Lima, compareceram a
churrascada. Na animada conversa, regada a muita cerveja, Pelezinho, já
falecido também, irmão e Almiro, comentou que seu mano havia lhe dito, numa das
vindas a Cuiabá, no Santos só dava ele e Pelé... o resto era japonês, isto é, não manjava nada de bola! Tempos depois,
Almiro, hoje vivendo na Bahia e completamente cego, estava fora do Santos...
Comentou-se à época que a saída
de Almiro do Santos tinha tudo a ver com o comentário feito pelo seu irmãozinho
Pelezinho sobre o clube praiano. Mas não foi nada disso. Na realidade, foi o
próprio Pelé que aconselhou Almiro a sair do alvinegro para alçar voos mais
altos. Justificativa de Pelé, com a bola que ele jogava, como grande estrela
do Santos e do futebol mundial, Almiro não tinha a menor chance de se projetar
no futebol.
Seguindo o conselho do amigo,
Almiro transferiu-se para ao Vitória, da Bahia. Logo depois, o Vitória enfrentou
o Santos pelo Campeonato Brasileiro. O time baiano ganhou o jogo por 1x0, gol de
Almiro. Além de ter marcado o gol da vitória, Almiro deu um show de bola,
acabando com o alvinegro da Vila Belmiro. Terminado o jogo, Pelé foi reclamar
com Mug, apelido pelo qual passou a ser conhecido quando ganhou do cantor
Wilson Simonal um daqueles bonecos negros, que se tornaram muito populares
entre os brasileiros na década de 1960.
– Pô, Mug, no Santos você não
fazia isso!... – queixou-se Pelé, referindo-se à extraordinária exibição jogador
do Vitória e que depois foi para o futebol europeu, fazendo grande sucesso, principalmente
no Vitória de Guimarães, de Portugal.
– Fazer como, se você
não me deixava jogar!... – foi a resposta de Mug a Pelé.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Se você leu, comente o que achou