“Não me interessa de onde
você veio e em que clubes jogou. O que me interessa é que aqui você vai ter que
jogar muita bola...” – foi dessa forma, pouco amistosa, que o treinador Carlos
Henrique Pedroso, o Mosca, que fez sucesso no futebol mato-grossense defendendo
o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, deu as boas-vindas ao zagueiro
Bogé, revelado pelo Corinthians Paulista,
quando o jogador se apresentou, em março de 2006, ao seu novo clube em Mato
Grosso, o Mixto.
Bogé, que já havia jogado
pelo Colorado-PR; o Operário, de Campo Grande-MS; o CEOV e o Operário Futebol
Clube, ambos de Várzea Grande; e o Luverdense, teve uma passagem brilhante pelo
Mixto. Tanto é que foi parar no Cuiabá, que defendeu durante seis anos e no
qual encerrou sua carreira de muitas conquistas. Depois que deixou o Cuiabá,
Bogé recebeu convites para continuar jogando profissionalmente, mas não aceitou.
Com o nascimento de sua filha, ele preferiu um emprego público garantido do que
o incerto futebol...
A sua permanência no
Luverdense, fez Bogé recordar dos tempos difíceis que ele defendeu o
inexpressivo clube do interior paranaense. Foram quatro meses em que os
boleiros que moravam na “república” só comiam arroz com ovos fritos ou salsicha.
Ah, tinha também língua... não o apreciado prato bovino, mas as dos próprios
jogadores, para misturar a comida durante a mastigação para poderem engolir...
O problema no Luverdense
eram as pitzas. Toda vez que o clube joga no “Passo das Emas”, seja à
tarde ou à noite, os jogadores se fartam de comer o apreciado prato da
culinária italiana. Mesmo quem não gosta de pitzas, tem que comer, pois é a
oportunidade que os jogadores têm para conversar com o eterno presidente do Luverdense, Helmute Lawisch, sobre vitórias, empates ou derrotas. As pitzas, dos mais
variados sabores, são servidas no vestiário mesmo, em pedaços, sem qualquer
cerimônia...
Essa tradição é mantida até
hoje. “Quem não gostar de pitzas é melhor nem jogar no Luverdense...” – destaca
um antigo colaborador do clube de Lucas do Rio Verde. “A pitza é para os
jogadores recuperarem as energias...” – afirma o técnico Júnior Rocha...
Às vésperas de um jogo do
Luverdense para o qual Bogé e Rossini, revelação do Santos FC, não haviam sido
recrutados pelo técnico Lisca nem para ficarem no banco de reservas, os dois
decidiram fazer uma visitas “as primas” num lupanar da cidade. Altas horas da
noite, quando iam saindo para ir embora, deram de cara com toda a comissão
técnica do Luverdense.
Esperaram pelo pior, na semana seguinte, pelo flagrante na ZBM. Mas no primeiro treino do
Luverdense após o jogo, o técnico Lisca mandou Bogé e Rossini ficarem de
“bobinhos” no recreativo que antecedeu o exercício, o que significava que não
seriam punidos. E nem poderiam mesmo, com o trunfo que os dois tinham nas mãos...
Durante os seis anos que
ficou no Cuiabá, Bogé considera a ascensão do time da Série D para a C, em
2011, como uma das suas mais importantes conquistas no futebol. A decisão da
vaga foi em Tucuruí, contra o Independente, que perdeu de 3x0 em Cuiabá e 2x1
no Pará.
Terminado o jogo, a
diretoria do clube anunciou que por falta de voo para Belém, no dia seguinte,
os jogadores estavam dispensados até terça-feira. E pagou para cada jogador R$
10 mil, como prêmio pela ascensão a Série C. Foi uma noite de muita festa naquele domingo em Tucuruí...
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Se você leu, comente o que achou