Martins Rodrigues não se
recorda do ano da histórica briga, mas crê, com base na idade de sua primeira
filha, que foi em entre 1995 e 1998, três anos depois da fundação do SEC, que,
aliás, não naquela época não teve uma vida muita longa no futebol profissional
de Mato Grosso, apesar de ter sido campeão estadual em 1992 e 1993. Decorridas mais
de três décadas, até hoje a pancadaria entre os dois é lembrada pelos
torcedores da velha guarda.
No dia histórico, o Sorriso
recebeu no Estádio Egídio José Preima, o União, de Rondonópolis, pelo
Campeonato Estadual da Federação Mato-grossense de Futebol. O jogo terminou
empatado pela contagem mínima, sem nenhum problema para o árbitro Mário Martins
Rodrigues e seus dois auxiliares, Luís Ribeiro e Elói Natalino.
Mas quando o pessoal da FMF
estava se reunindo do lado de fora do estádio – os dois bandeirinhas, o
financeiro José de Almeida, o delegado (representante da entidade) Armindo
Curimbatá, além de Xuxa, claro – apareceu em um carrão da Chevrolet o torcedor
que, sem nenhum motivo, começou a xingar e
a esculhambar o árbitro.
Surpreendido, Mário Martins
revidou as ofensas. Sem papas na língua, Martins Rodrigues, que naquele tempo
não era ainda evangélico, ofendeu inclusive a moral e a honra do grandalhão
torcedor que estava à sua frente. Até porque Xuxa não era de levar desaforo para casa,
mesmo em circunstâncias adversas, como naquela ocasião. Com ele, não tinha
aquela história de que “em terra alheia, touro berra como vaca...”
A troca de ofensas entre os
dois não teve maiores consequências e o grupo da FMF foi para a estação
rodoviária para pegar o ônibus a fim de retornar a Cuiabá. Para comprar a
passagem, o viajante tinha que passar por um pequeno e estreito corredor para
chegar aos guichês. Quando o juiz chegou ao final do corredor, quem estava à
frente de Xuxa? Simplesmente, o grandalhão torcedor sorrisense.
Com um enorme facão numa das
mãos, o torcedor gritou: “Agora, Xuxa, você vai repetir tudo o que me disse lá
na porta do estádio!...”
Sem alternativa para se
defender naquela difícil situação, Xuxa partiu para o ataque, tentando tomar o
facão do torcedor do Sorriso. Trocando socos e pontapés, saíram daquela área e
rolaram pelo chão da rodoviária.
Mesmo tendo levado nas
costas dois golpes com a lâmina do facão e cujas marcas são visíveis até hoje,
Xuxa pegou um mocho e desferiu algumas pancadas na cabeça do adversário e a
muito custo conseguiu subjugá-lo. Durante a longa e violenta briga entre os
dois, seus companheiros de FMF deram no pé rapidinho, deixando Xuxa sozinho...
A velha estação rodoviária
da cidade – a atual foi inaugurada em 1997– não tinha meio termo: ou era um
lamaçal no tempo das chuvas, ou uma poeirenta área, por onde os ônibus que
saíam e chegavam ao local, circulavam. Apenas uma pequena área dos guichês das
empresas era cimentada. Como os dois passaram um tempão rolando sobre o
cascalho cheio de poeira, quando a briga terminou, Xuxa e o torcedor pareciam
mais dois mendigos...
Completamente dominado no
chão e sem a mínima chance de reverter a posição, o sorrisense desistiu de
continuar brigando. Levantou-se, sacudiu a poeira e foi embora, deixando para
trás as chaves do seu carrão, a carteira com documentos, um boné e o facão, que
Xuxa colocou tudo na sua mochila e entregou na segunda-feira na FMF.
Dias depois, um dirigente do
Sorriso esteve na entidade para pegar os objetos e devolver ao torcedor do seu
clube. E pegou tudo, menos o facão, que Xuxa, que chegou a ser cotado para se
tornar árbitro da Federação Internacional de Futebol Associado – Fifa em Mato
Grosso, guardou como recordação do seus 17 anos como juiz de futebol – de 1988
a 2005 – e da maior briga de sua vida...
Depois que abandonou o apito,
Xuxa tornou-se evangélico e tem tentado entrar em contato com o torcedor de
Sorriso para pedir-lhe desculpas e até mesmo perdão pela histórica briga. Mas
nem com a intervenção de um jornalista de Cuiabá e de um radialista de Sorriso,
Xuxa conseguiu falar por telefone com o desafeto. Mas vai continuar tentando,
pois como diz a sabedoria popular “água mole em pedra dura, tanto bate até que
fura...”
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