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domingo, 18 de agosto de 2019

Briga fora de campo entre árbitro e torcedor do Sorriso passou para a história do futebol de MT

Passou para o folclore do futebol de Mato Grosso e da sua própria história, uma violenta briga na antiga estação rodoviária de Sorriso entre o árbitro Mário Martins Rodrigues, que era mais conhecido como Xuxa, e um torcedor do Sorriso Esporte Clube, um poderoso empresário do município e cujo nome não vem ao caso.

Martins Rodrigues não se recorda do ano da histórica briga, mas crê, com base na idade de sua primeira filha, que foi em entre 1995 e 1998, três anos depois da fundação do SEC, que, aliás, não naquela época não teve uma vida muita longa no futebol profissional de Mato Grosso, apesar de ter sido campeão estadual em 1992 e 1993. Decorridas mais de três décadas, até hoje a pancadaria entre os dois é lembrada pelos torcedores da velha guarda.

No dia histórico, o Sorriso recebeu no Estádio Egídio José Preima, o União, de Rondonópolis, pelo Campeonato Estadual da Federação Mato-grossense de Futebol. O jogo terminou empatado pela contagem mínima, sem nenhum problema para o árbitro Mário Martins Rodrigues e seus dois auxiliares, Luís Ribeiro e Elói Natalino.

Mas quando o pessoal da FMF estava se reunindo do lado de fora do estádio – os dois bandeirinhas, o financeiro José de Almeida, o delegado (representante da entidade) Armindo Curimbatá, além de Xuxa, claro – apareceu em um carrão da Chevrolet o torcedor que, sem nenhum motivo, começou a xingar e  a esculhambar o árbitro.

Surpreendido, Mário Martins revidou as ofensas. Sem papas na língua, Martins Rodrigues, que naquele tempo não era ainda evangélico, ofendeu inclusive a moral e a honra do grandalhão torcedor que estava à sua frente. Até porque  Xuxa não era de levar desaforo para casa, mesmo em circunstâncias adversas, como naquela ocasião. Com ele, não tinha aquela história de que “em terra alheia, touro berra como vaca...”

A troca de ofensas entre os dois não teve maiores consequências e o grupo da FMF foi para a estação rodoviária para pegar o ônibus a fim de retornar a Cuiabá. Para comprar a passagem, o viajante tinha que passar por um pequeno e estreito corredor para chegar aos guichês. Quando o juiz chegou ao final do corredor, quem estava à frente de Xuxa? Simplesmente, o grandalhão torcedor sorrisense.

Com um enorme facão numa das mãos, o torcedor gritou: “Agora, Xuxa, você vai repetir tudo o que me disse lá na porta do estádio!...”
Sem alternativa para se defender naquela difícil situação, Xuxa partiu para o ataque, tentando tomar o facão do torcedor do Sorriso. Trocando socos e pontapés, saíram daquela área e rolaram pelo chão da rodoviária.

Mesmo tendo levado nas costas dois golpes com a lâmina do facão e cujas marcas são visíveis até hoje, Xuxa pegou um mocho e desferiu algumas pancadas na cabeça do adversário e a muito custo conseguiu subjugá-lo. Durante a longa e violenta briga entre os dois, seus companheiros de FMF deram no pé rapidinho, deixando Xuxa sozinho...

A velha estação rodoviária da cidade – a atual foi inaugurada em 1997– não tinha meio termo: ou era um lamaçal no tempo das chuvas, ou uma poeirenta área, por onde os ônibus que saíam e chegavam ao local, circulavam. Apenas uma pequena área dos guichês das empresas era cimentada. Como os dois passaram um tempão rolando sobre o cascalho cheio de poeira, quando a briga terminou, Xuxa e o torcedor pareciam mais dois mendigos...       
Completamente dominado no chão e sem a mínima chance de reverter a posição, o sorrisense desistiu de continuar brigando. Levantou-se, sacudiu a poeira e foi embora, deixando para trás as chaves do seu carrão, a carteira com documentos, um boné e o facão, que Xuxa colocou tudo na sua mochila e entregou na segunda-feira na FMF.

Dias depois, um dirigente do Sorriso esteve na entidade para pegar os objetos e devolver ao torcedor do seu clube. E pegou tudo, menos o facão, que Xuxa, que chegou a ser cotado para se tornar árbitro da Federação Internacional de Futebol Associado – Fifa em Mato Grosso, guardou como recordação do seus 17 anos como juiz de futebol – de 1988 a 2005 – e da maior briga de sua vida...      

Depois que abandonou o apito, Xuxa tornou-se evangélico e tem tentado entrar em contato com o torcedor de Sorriso para pedir-lhe desculpas e até mesmo perdão pela histórica briga. Mas nem com a intervenção de um jornalista de Cuiabá e de um radialista de Sorriso, Xuxa  conseguiu falar por telefone com o desafeto. Mas vai continuar tentando, pois como diz a sabedoria popular “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...”                                  
   


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