Uma pesquisa memorial que vem sendo realizada pelo médico veterinário Manoel de Aquino Filho, o Lito, que durante mais de uma década brilhou intensamente como atacante do Mixto Esporte Clube, está constatando que muitos jogadores e outros personagens que ajudaram a construir a história de futebol e do seu rico folclore em Mato Grosso morreram nas últimas pouco mais de três décadas, deixando a memória desse esporte no Estado mais pobre.
Alguns morreram de forma trágica: Pelezinho e Tuta foram vítimas de acidentes de carros; Justino, faleceu em conseqüência da queda de uma bicicleta na Avenida 31 de Março; Severino Bispo, o sargento da PM Severino, foi assassinado a tiros ao tentar apartar uma briga comum em um bar no bairro Dom Aquino em Cuiabá...
Só da família Gonçalves, cujos irmãos Leônidas, Ariel, Pelé, Acácio e Marcelo, que jogando juntos em um mesmo time ou em equipes diferentes, encantaram multidões nos estádios do Liceu Cuiabano,e Dutrinha ou em simples campos de peladas espalhados pela Grande Cuiabá, perdeu três craques. O primeiro a morrer foi Leônidas, no distante 1989, depois Ariel e o último Pelé. Do quinteto dos irmãos Gonçalves, cuja estrela de maior brilho foi Leônidas, que além do futebol era craque também no vôlei e no basquete, restaram Acácio e Marcelo.
O levantamento de Lito revelou que o clube que perdeu o maior número de jogadores para a morte nos últimos anos foi o Mixto Esporte Clube. Só goleiros foram quatro: Dito Gasolina, Júlio César, Tira e Zeno. Outros goleiros já falecidos, são: Clóvis (Dom Bosco) e Mauro e Saldanha (Operário Várzea-grandense).
Faleceram também do Mixto, além dos zagueiros Severino Bispo e Armindo (Pelé) Gonçalves; os meio campistas Aírton Moreira, o Aírton Vaca Brava, Edy, Rômulo e Romeu Roberto; e os atacantes Catarino, Sargento (Caruncho) Magalhães, Jaburu, Bianchi, Albino Paraguaio e Adavilson (Pelezinho) Cruz.
A morte de Pelezinho ocorreu em 1981, quando ele bateu seu carro, um Passat 0 km, em um poste da Avenida Fernando Correa da Costa após sair da Lanchonete Chuá em direção a Boate Sayonara para uma noitada de carnaval. Com ele, morreram três amigos, ficando gravemente ferido o jovem craque Remo, irmão do recentemente falecido Rômulo, e que como o mano brilhou no Mixto.
Do velho Clube Atlético Mato-grossense, dos irmãos Matozo, morreram Sarobá, Batista Jaudy, Platibanda, Emílio e Ariel; do Dom Bosco, Ronaldo, Tom, Xaxá, Carmindo, os irmãos Traçaia (José e Totó Traçaia); do Palmeiras, Leovaldo, Nide, Lício Malheiro; Tenente Bosco, Paulinho Pascoal e Gete; do Postal Esporte Clube, Quincas e Alinor; do Operário Várzea-grandense, Alair, Martinho, Bife, Ide, JK, Piquete, Gebara e Justino; e os irmãos Uir e Uírton e Dunga, que jogaram em vários times da Baixada Cuiabana.
Outros importantes personagens que ajudaram a escrever a história do futebol mato-grossense e o seu riquíssimo folclore e que já partiram para outra: Ranulfo Paes de Barros, Wilson Diniz, Dr: Zelito Monteiro, Benedito Ribeiro (Lilito) Costa, Lino Miranda e Benedito Lisboa do Nascimento (Mixto), Rubens dos Santos (Operário); Acyr (Piquira) Matozo e José Oliveira (Atlético Mato-grossense) e Joaquim de Assis (Dom Bosco).
Da crônica esportiva morreram Ivo de Almeida, Eduardo Saraiva, Márcio de Arruda e Edipson Morbeck e Romeu Roberto, que depois de deixar de jogar bola militou no rádio esportivo como Memeu Roberto. Outros personagens que passaram a fazer parte da história do futebol mato-grossense: os torcedores Nhá Barbina (mixtense) e Armindo Pipoqueiro (dombosquino)...
Lito está muito preocupado com a falta de um registro obituário, que devia se feito pelas autoridades ligadas aos esportes, “para preservar a memória daqueles que não fazem mais parte do nosso convívio”. Para Lito, as pessoas citadas no levantamento que ele vem realizando e neste trabalho “deixaram significativa.parcela de contribuição para continuidade da história do futebol mato-grossense e que jamais poderá morrer...”

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