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| Pindu (foto cedida pela A Tribuna) |
Quem diria que uma pequena
área que englobava trechos das avenidas Dom Bosco, Ipiranga e São Sebastião no
bairro Goiabeiras e que se tornou muito conhecida por ter abrigado durante
muitos anos o cemitério do Cai-Cai onde foram enterradas no século passado
cerca de três mil pessoas vítimas da varíola, a popular e temida bexiguinha, acabasse
revelando jogadores que marcaram época no futebol cuiabano.
Mas foi isso que aconteceu
mesmo. Dentre tantos craques que deram seus primeiros passos no campinho do
Cai-Cai ainda hoje são lembrados Pedro Parada, que jogou no Palmeiras e no São
Cristóvão; Aírton, também do São Cristóvão; Danilo, que andou pelo Mixto e o
Anápolis; Carmindo, do Dom Bosco; Duduca, do Operário Várzea-grandense e
Catraca, que atuou também em vários times.
Depois daquela “safra” de
jogadores talentosos, a garotada do Cai-Cai até que tentou recuperar a fama
daquela região no futebol. Todas as tardes, a meninada se reunia no campinho e
partia para os tradicionais “rachas”,
que, no caso deles, ao contrário do que acontecia com os boleiros da velha
guarda que lhes servia de exemplos – não em tudo, claro! -- podiam terminar bem
cedo...
Acontece que o campinho
ficava em frente a Igreja Nossa Senhora do Carmo, ocupando meia rua do lado do
cemitério do Cai-Cai . Como dentro do cemitério existiam alguns pés de mangas
de grandes copadas, tornando área a bem escura, quando a bola caía lá, principalmente
no fim da tarde, ficava no local até o dia seguinte, porque o medo que a
meninada tinha do cemitério, não deixava ninguém entrar no “campo santo” para pegá-la...
Entre a turma da nova
geração do Cai-Cai, só um jogador se destacou no profissionalismo: Pindu, que
teve brilhante passagem pelo União, de Rondonópolis. Depois de encerrar a bem
sucedida a carreira de jogador, Pindu virou preparador físico do clube
rondonopolitano.
Criado pelo presidente da
Província de Mato Grosso, José Vieira Couto de Magalhães, exclusivamente para
sepultar ou simplesmente queimar as
vítimas da bexiguinha, o cemitério do Cai-Cai
foi desativado há muitos anos, com a sua área sendo revitalizada e transformada
na atual Praça Manoel Murtinho. A última catacumba de grande porte do cemitério
foi demolida pelo Exército, com a presença de muitos oficiais graduados,
recorda dona Cristina Nascimento Silva, que mora defronte ao antigo “campo
santo” há mais de meio século.

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