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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Campinho do Cai-Cai revelou talentos da bola e pernas de pau medrosos...


Pindu (foto cedida pela A Tribuna)
Quem diria que uma pequena área que englobava trechos das avenidas Dom Bosco, Ipiranga e São Sebastião no bairro Goiabeiras e que se tornou muito conhecida por ter abrigado durante muitos anos o cemitério do Cai-Cai onde foram enterradas no século passado cerca de três mil pessoas vítimas da varíola, a popular e temida bexiguinha, acabasse revelando jogadores que marcaram época no futebol cuiabano.

Mas foi isso que aconteceu mesmo. Dentre tantos craques que deram seus primeiros passos no campinho do Cai-Cai ainda hoje são lembrados Pedro Parada, que jogou no Palmeiras e no São Cristóvão; Aírton, também do São Cristóvão; Danilo, que andou pelo Mixto e o Anápolis; Carmindo, do Dom Bosco; Duduca, do Operário Várzea-grandense e Catraca, que atuou também em vários times.

Depois daquela “safra” de jogadores talentosos, a garotada do Cai-Cai até que tentou recuperar a fama daquela região no futebol. Todas as tardes, a meninada se reunia no campinho e partia para  os tradicionais “rachas”, que, no caso deles, ao contrário do que acontecia com os boleiros da velha guarda que lhes servia de exemplos – não em tudo, claro! -- podiam terminar bem cedo...

Acontece que o campinho ficava em frente a Igreja Nossa Senhora do Carmo, ocupando meia rua do lado do cemitério do Cai-Cai . Como dentro do cemitério existiam alguns pés de mangas de grandes copadas, tornando área a bem escura, quando a bola caía lá, principalmente no fim da tarde, ficava no local até o dia seguinte, porque o medo que a meninada tinha do cemitério, não deixava ninguém  entrar no “campo santo”  para pegá-la...

Entre a turma da nova geração do Cai-Cai, só um jogador se destacou no profissionalismo: Pindu, que teve brilhante passagem pelo União, de Rondonópolis. Depois de encerrar a bem sucedida a carreira de jogador, Pindu virou preparador físico do clube rondonopolitano.
   
Criado pelo presidente da Província de Mato Grosso, José Vieira Couto de Magalhães, exclusivamente para sepultar ou simplesmente queimar  as vítimas da bexiguinha,  o cemitério do Cai-Cai foi desativado há muitos anos, com a sua área sendo revitalizada e transformada na atual Praça Manoel Murtinho. A última catacumba de grande porte do cemitério foi demolida pelo Exército, com a presença de muitos oficiais graduados, recorda dona Cristina Nascimento Silva, que mora defronte ao antigo “campo santo” há mais de meio século.     


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