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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

São Cristovão e Vila Nova perderam a conta dos jogos entre si

Dito Coró
Ao longo de suas existências – o São Cristóvão Esporte Clube, do  bairro Araés, foi fundado em 1961, e o Vila Nova Futebol Clube, de Bom Sucesso, em 1951 – disputaram tantos amistosos que dirigentes e jogadores dos dois clubes não têm a menor ideia de quantos jogos foram. O São Cristóvão desapareceu na década de 70, enquanto o Vila Nova continua em atividade, firme como uma rocha.

— Mas não é nem sombra do Vila Nova dos velhos tempos...” – recorda com saudades Joaquim Leite da Rosa, o Vovô Painha, hoje com 86 anos e que foi de tudo no clube – de presidente por dois mandatos consecutivos, num total de cinco anos, a carregador de uniformes da equipe, nas longas caminhadas de Bom Sucesso até os locais onde o time ia jogar...

Era convencional naqueles tempos, o clube que se deslocava para jogar um amistoso receber um “sinal” -- um pequeno valor em dinheiro -- como garantia de que o adversário iria retribuir a visita numa ocasião oportuna. Mas o São Cristóvão nunca quis receber a visita do Vila Nova. Por um simples motivo: não tinha como retribuir a mordomia que o clube de Bom Sucesso proporcionava a seus jogadores.

No período de estiagem, o São Cristóvão saía de manhã bem cedinho no domingo para chegar com tempo de descansar para jogar à tarde. Na época das chuvas, porém, a viagem tinha que ser antecipada para sábado, porque as estradas que ligavam o Araés a Bom Sucesso viravam um lamaçal só. Por isso, muitas vezes os jogadores passavam mais tempo no chão empurrando o caminhão do que em cima da carroceria...

Lembra Benedito Ferreira dos Santos, o Dito Coró, que foi dirigente, treinador, jogador, roupeiro, sapateiro, profissão que exerce até hoje, apesar dos seus 80 anos  – que os diretores do Vila Nova, não faziam economia para a boleirada do São Cristóvão ficar inteiramente à vontade nas exibições em Bom Sucesso.

Para começar, na casa onde os jogadores iam almoçar, geralmente a do presidente (por 15 anos seguidos) do Vila Nova, Gijon da Silva, na entrada sobre uma mesa com copos um garrafão  com cachaça de alambique para o pessoal abrir o apetite. Claro, que depois da primeira rodada, a rapaziada fazia uma vaquinha para comprar outra e mais outras e ia bebendo até a hora do almoço.ser servido.

Com a fartura de peixes do Rio Cuiabá, na hora do rango era mojica de pintado/cachara, piraputanga assada, pacu frito, bagre ensopado. A boleirada se empanturrava de tanto comer. Depois do almoço, se tinha jogo de times suplentes, os chamados “cascudos”, os jogadores iam para o campo enquanto os titulares ficavam no rio “jiboiando” e curtindo as então belas praias de Bom Sucesso até a hora de entrar em campo.

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