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| Dito Coró |
Ao longo de suas existências
– o São Cristóvão Esporte Clube, do
bairro Araés, foi fundado em 1961, e o Vila Nova Futebol Clube, de Bom
Sucesso, em 1951 – disputaram tantos amistosos que dirigentes e jogadores dos
dois clubes não têm a menor ideia de quantos jogos foram. O São Cristóvão
desapareceu na década de 70, enquanto o Vila Nova continua em atividade, firme
como uma rocha.
— Mas não é nem sombra do
Vila Nova dos velhos tempos...” – recorda com saudades Joaquim Leite da Rosa, o
Vovô Painha, hoje com 86 anos e que foi de tudo no clube – de presidente por
dois mandatos consecutivos, num total de cinco anos, a carregador de uniformes da
equipe, nas longas caminhadas de Bom Sucesso até os locais onde o time ia jogar...
Era convencional naqueles
tempos, o clube que se deslocava para jogar um amistoso receber um “sinal” --
um pequeno valor em dinheiro -- como garantia de que o adversário iria
retribuir a visita numa ocasião oportuna. Mas o São Cristóvão nunca quis receber
a visita do Vila Nova. Por um simples motivo: não tinha como retribuir a
mordomia que o clube de Bom Sucesso proporcionava a seus jogadores.
No período de estiagem, o
São Cristóvão saía de manhã bem cedinho no domingo para chegar com tempo de
descansar para jogar à tarde. Na época das chuvas, porém, a viagem tinha que
ser antecipada para sábado, porque as estradas que ligavam o Araés a Bom
Sucesso viravam um lamaçal só. Por isso, muitas vezes os jogadores passavam
mais tempo no chão empurrando o caminhão do que em cima da carroceria...
Lembra Benedito Ferreira dos
Santos, o Dito Coró, que foi dirigente, treinador, jogador, roupeiro,
sapateiro, profissão que exerce até hoje, apesar dos seus 80 anos – que os diretores do Vila Nova, não faziam
economia para a boleirada do São Cristóvão ficar inteiramente à vontade nas exibições
em Bom Sucesso.
Para começar, na casa onde
os jogadores iam almoçar, geralmente a do presidente (por 15 anos seguidos) do
Vila Nova, Gijon da Silva, na entrada sobre uma mesa com copos um garrafão com cachaça de alambique para o pessoal abrir
o apetite. Claro, que depois da primeira rodada, a rapaziada fazia uma vaquinha
para comprar outra e mais outras e ia bebendo até a hora do almoço.ser servido.
Com a fartura de peixes do
Rio Cuiabá, na hora do rango era mojica de pintado/cachara, piraputanga assada,
pacu frito, bagre ensopado. A boleirada se empanturrava de tanto comer. Depois
do almoço, se tinha jogo de times suplentes, os chamados “cascudos”, os
jogadores iam para o campo enquanto os titulares ficavam no rio “jiboiando” e
curtindo as então belas praias de Bom Sucesso até a hora de entrar em campo.

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