Em 1969, Santos e América, do Rio de Janeiro,
campeão carioca, vieram a Cuiabá disputar, ainda no Dutrinha, um quadrangular com
o Mixto e o Dom Bosco para comemorar os 250 anos da capital mato-grossense. A
família do cuiabano Almiro, que estava jogando no Santos, decidiu prestar uma
homenagem aos santistas, oferecendo-lhes um churrasco bem cuiabano, regado a
cerveja, evidentemente.
Alguns jogadores do
Santos – Lima, Clodoaldo, Negreiros, Abel, Mané Maria e Geraldino –
compareceram à casa da família de Almiro, na Rua Joaquim Murtinho, para jantar
com outros convidados. Pelé e Almiro não foram: os dois estavam contundidos e
nem tinham vindo a Cuiabá.
Depois do jantar,
papo rolando animado, Pelezinho, irmão de Almiro e uma das “feras” do Mixto,
comentou numa roda de boleiros que o seu mano famoso havia lhe dito que no
Santos só havia o “rei“... os outros eram tudo japonês. Quer dizer, com aqueles
olhos pequeninos dos orientais, eram ruins de bola!...
Na rodada de abertura
do torneio, dia 6 de abril, o Santos deu de 4x1no Dom Bosco e o Mixto derrotou
o América pela contagem mínima. Na estreia do Santos, o endiabrado ponteiro
direito Mané Maria, em grande forma, fez gato e sapato do lateral esquerdo
Elói, que saiu de campo com a língua quase arrastando no chão de tanto correr
atrás do atacante.
Veio a rodada final,
dia 8, com o Dom Bosco pegando o América e o MIxto enfrentando o Santos. No dia
do jogo com o Santos, o lateral esquerdo Darci Avelino, que tinha presenciado o
show de bola que Mané Maria tinha dado em Elói, amanheceu adoentado...
Pelezinho, o
substituto de Darci Avelino, sacou o lance: seu companheiro não estava doente
porra nenhuma. Simplesmente ele não queria enfrentar Mané Maria. Pelezinho
bateu o pé: não jogaria também e fim de papo.
Pior para Severino,
que foi escalado para jogar na lateral esquerda. Ele fez uma marcação tão dura
no ponteiro direito santista para não repetir o vexame de Elói, que quando
retornou a Santos, o ponteiro direito comentou com Almiro: “Nunca mais vou
jogar em sua terra, porque lá tem um jogador que corre atrás da gente até no
mato...” – referindo-se a Severino, que não descolava de Mané Maria nem quando
ele saía de campo para pegar a bola para cobrar um lateral ou escanteio. O Dom
Bosco perdeu de 3x1 para o América e o Mixto levou de 5x1 do Santos.
Pouco tempo depois do
Santos ter participado do quadrangular em Cuiabá, Almiro estava no Paulista, de
Jundiaí. Especula-se até hoje que sua saída
do alvinegro teve tudo a ver com o comentário feito em Cuiabá por Pelezinho
sobre a japonesada do Santos...
Velho amigo de
Almiro, Lito garante que não foi nada disso. O que aconteceu foi que Almiro
entendeu que enquanto Pelé estivesse no Santos, ele não teria nenhuma chance de
se firmar como titular do alvinegro. Só por isso – e estava carregado de razão
– Almiro pegou o boné e caiu fora do Santos.
Embora tenha ficado
um bom tempo no Santos, exceto em casos de contusões de Pelé, Almiro só entrava
no time no decorrer de jogos quando o “rei” impunha sua escalação. E como
impunha!
Nas excursões do
Santos pelo exterior, Almiro sempre era incorporado à delegação por
interferência de Pelé. Acontece que Almiro fala inglês, francês, espanhol, além
do português, claro, e muitas vezes livrou o “rei” do assédio de fãs nas ruas
por onde o alvinegro passava pelo mundo afora, fazendo seus admiradores
acreditarem que Pelé era outros jogadores negros do Santos, principalmente
Coutinho e Dorval...
(Reproduzido do livro Casos de todos os tempos Folclore do futebol de Mato Grosso).
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