A torcida de Mato Grosso ficou intrigada, com uma notícia
que passou a circular na imprensa, com destaque no noticiário esportivo, em
2000: o Berga seria a grande surpresa do Campeonato Mato-grossense de Futebol
da 1ª Divisão daquele ano. Afinal quem era esse Berga, um nome esquisito para
um time de futebol, que chegava com uma novidade: era o primeiro clube-empresa
do futebol de Mato Grosso.
Berga é uma redução do nome de Bergamaschi, cujo pré-nome
era Ettore (já falecido), um ricaço italiano que investia pesado no mercado de
Mato Grosso, especialmente no ramo imobiliário. Fanático por futebol, Ettore
alimentava um sonho na vida: ver seus dois filhos – Simon e David – que defendiam
o Uirapuru, a famosa “escolinha” da Universidade Federal de Mato Grosso, jogando
no futebol italiano.
Para levar seu projeto adiante, Ettore formou uma
sociedade com o técnico Éder Taques, que montaria um time com jovens e que
ficaria treinando durante um ano ou até que estivesse em condições de realizar
uma temporada por gramados italianos para mostrar os jogadores do Berga,
principalmente Simon e David. Tudo por conta do seu endinheirado patrocinador.
Formada a Comissão Técnica, encabeçada pelo técnico Éder
Taques, integrada também pelo professor Expedito Sabino, a garotada, com muitos
jogadores do Uirapuru, começou a treinar. A CT tinha médico, massagista, fisioterapeuta,
professores de Educação Física, treinadores de goleiros, assessor de imprensa,
nutricionista etc. O pessoal que ficava na chique “república” do clube tinha
quatro refeições por dia – café da manhã, almoço, jantar e lanche
da noite.
A programação de treinamento era seguida rigorosamente. Mas com folga de todo mundo, a partir de
sábado depois do almoço, quando era feito o pagamento da semana a todo plantel,
até domingo à noite, quando os jogadores se apresentavam para reinício das
atividades na segunda-feira. Mas aí a CT descobriu que a rotina de treinamentos,
sem jogos, estava deixando os jogadores com tédio...
Bergamaschi e Éder Taques foram conversar com o
presidente da FMF, Carlos Orione, para saber como o Berga conseguiria disputar
o Campeonato da 2ª Divisão daquele ano e cujas suas grandes atrações eram os
profissionais já consagrados Dito Siqueira e Éverton Perereca. Quando Orione tomou
conhecimento do projeto da dupla teve uma reação surpreendente: “Que Segunda
Divisão coisa nenhuma! O Berga vai disputar é a Primeira Divisão...”
E disputou mesmo, com grande sucesso. E só não foi
campeão por razões que não vem ao caso. Mas além ter aplicado goleadas
históricas em alguns adversários (9x1 no
Jaciara, 4x1 no Juventude, 4x0 no Sinop, 7x1 no Operário Várzea-grandense e 9x1
no Cacerense), o Berga teve dois
artilheiros no certame: Moreira (23 gols) e Jair (19 gols) – o outro goleador
foi Índio, do União, com 22 gols.
Da mesma forma fulminante como apareceu no cenário
esportivo mato-grossense, com a pretensão de revolucionar o futebol estadual,
como modelo de clube-empresa, o Berga também desapareceu, deixando muita
saudade entre os torcedores. Quanto ao projeto da excursão por gramados da
Itália, não passou de um sonho que durou apenas um ano e foi sepultado com a
morte de Ettore Bergamaschi...
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