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sábado, 17 de novembro de 2018

Berga, um sonho arrojado do futebol de Mato Grosso que durou pouco tempo...


A torcida de Mato Grosso ficou intrigada, com uma notícia que passou a circular na imprensa, com destaque no noticiário esportivo, em 2000: o Berga seria a grande surpresa do Campeonato Mato-grossense de Futebol da 1ª Divisão daquele ano. Afinal quem era esse Berga, um nome esquisito para um time de futebol, que chegava com uma novidade: era o primeiro clube-empresa do futebol de Mato Grosso.

Berga é uma redução do nome de Bergamaschi, cujo pré-nome era Ettore (já falecido), um ricaço italiano que investia pesado no mercado de Mato Grosso, especialmente no ramo imobiliário. Fanático por futebol, Ettore alimentava um sonho na vida: ver seus dois filhos – Simon e David – que defendiam o Uirapuru, a famosa “escolinha” da Universidade Federal de Mato Grosso, jogando no futebol italiano.

Para levar seu projeto adiante, Ettore formou uma sociedade com o técnico Éder Taques, que montaria um time com jovens e que ficaria treinando durante um ano ou até que estivesse em condições de realizar uma temporada por gramados italianos para mostrar os jogadores do Berga, principalmente Simon e David. Tudo por conta do seu endinheirado patrocinador.

Formada a Comissão Técnica, encabeçada pelo técnico Éder Taques, integrada também pelo professor Expedito Sabino, a garotada, com muitos jogadores do Uirapuru, começou a treinar. A CT tinha médico, massagista, fisioterapeuta, professores de Educação Física, treinadores de goleiros, assessor de imprensa, nutricionista etc. O pessoal que ficava na chique “república” do clube tinha quatro refeições por dia – café da manhã, almoço, jantar e lanche da noite.

A programação de treinamento era seguida rigorosamente.  Mas com folga de todo mundo, a partir de sábado depois do almoço, quando era feito o pagamento da semana a todo plantel, até domingo à noite, quando os jogadores se apresentavam para reinício das atividades na segunda-feira. Mas aí a CT descobriu que a rotina de treinamentos, sem jogos, estava deixando os jogadores com tédio...

Bergamaschi e Éder Taques foram conversar com o presidente da FMF, Carlos Orione, para saber como o Berga conseguiria disputar o Campeonato da 2ª Divisão daquele ano e cujas suas grandes atrações eram os profissionais já consagrados Dito Siqueira e Éverton Perereca. Quando Orione tomou conhecimento do projeto da dupla teve uma reação surpreendente: “Que Segunda Divisão coisa nenhuma! O Berga vai disputar é a Primeira Divisão...”

E disputou mesmo, com grande sucesso. E só não foi campeão por razões que não vem ao caso. Mas além ter aplicado goleadas históricas em alguns adversários  (9x1 no Jaciara, 4x1 no Juventude, 4x0 no Sinop, 7x1 no Operário Várzea-grandense e 9x1 no Cacerense),  o Berga teve dois artilheiros no certame: Moreira (23 gols) e Jair (19 gols) – o outro goleador foi Índio, do União, com 22 gols.

Da mesma forma fulminante como apareceu no cenário esportivo mato-grossense, com a pretensão de revolucionar o futebol estadual, como modelo de clube-empresa, o Berga também desapareceu, deixando muita saudade entre os torcedores. Quanto ao projeto da excursão por gramados da Itália, não passou de um sonho que durou apenas um ano e foi sepultado com a morte de Ettore Bergamaschi...
     
  

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