O Mixto ia estrear no Campeonato
Mato-grossense de Futebol de 2009 contra o Sinop no Estádio “Gigante de
Madeira”. Apesar de ostentar o título de campeão estadual do ano anterior,
quebrando um jejum de 12 anos, o alvinegro atravessava uma fase financeira
muito difícil...
Com a saída de Arildo Verdun da direção
técnica do clube, o presidente Júlio Pinheiro, já falecido, contratou o
ex-zagueiro que virou treinador Wilson Carrasco. E para auxiliá-lo, como
supervisor, manteve o ex-árbitro Orlando Antunes de Oliveira, hoje militando na
crônica esportiva de Cuiabá.
Apesar das dificuldades, o Mixto conseguiu
contratar dez jogadores, aproveitando o dinheiro da venda de Fernando, para o
Flamengo e de Igor, para o Paraná Clube.
A grana que entrou, porém, não foi suficiente para acertar com os
recém-contratados e muito menos pagar os salários dos outros jogadores. Já se
falava até em uma greve do plantel antes da viagem para Sinop no final de
semana...
Mas surgiu outro problema: o Mixto tinha que
pagar à Confederação Brasileira de Futebol R$ 6.000,00 correspondente à
transferência dos dez jogadores das federações de origens para a CBF, com a consequente
publicação de seus nomes no Boletim Informativo Diário (BID) da entidade. Sem a
publicação no BID, ninguém dos novatos podia jogar.
Era uma situação muito complicada. O
presidente Júlio Pinheiro arrumou o dinheiro e jogou a bomba nas mãos do seu
supervisor. Antunes queimou muitos neurônios na busca de uma solução para
delicada questão, que ia de uma eventual greve a um calote na CBF. Era problema
demais e dinheiro de menos...
Depois de muito matutar Antunes chegou a uma
conclusão: o Sinop tinha um time muito superior tecnicamente ao Mixto e, pela
lógica, ia vencer o alvinegro. E diante dessa realidade e das circunstâncias
adversas, não vacilou: pegou os R$ 6.000,00 e rateou entre todos os jogadores,
eliminando a ameaça de greve que rondava o alvinegro.
Lembra Antunes que a viagem para Sinop foi tranqüila,
com os jogadores animados com um dinheirinho no bolso. Em Sinop, boa comida e ótima
estada. Mas o melhor estava por vir ainda. O Mixto fez uma excelente exibição
e, contrariando todos os prognósticos, derrotou o forte Sinop pela contagem
mínima.
O Mixto ganhou, mas não levou, pois a
diretoria do clube sinopense descobriu que os novos jogadores mixtenses não
estavam registrados na CBF e reclamou os pontos que havia perdido no campo. E
não perdeu tempo: denunciou a irregularidade à entidade máter do futebol
brasileiro.
O caso foi parar inicialmente no Tribunal de
Justiça Desportiva da FMF, que confirmou a vitória do Mixto. No entanto, o
Sinop recorreu ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que lhe deu a
vitória no “tapetão”. Resultado: o Mixto foi rebaixado para a 2ª Divisão
naquele distante 2009...
Aliás, os torcedores do Mixto não guardam
boas lembranças das comemorações do último título, em 1996. A decisão do
campeonato foi no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, onde mais de 15 mil
torcedores do União haviam preparado uma grande festa para comemorar o título –
no 1º jogo, no Verdão, o colorado havia arrancado um heróico empate por 0x0.
Mas no início do 2º tempo, Evandro marcou o
único gol da partida e que acabou dando a vitória e o título ao Mixto. Fim de
jogo e a torcida mixtense invadiu o campo para festejar a vitória. A torcida do
União fez o mesmo, mas para bater nos mixtenses...
A Polícia Militar também entrou em cena,
disparando balas de borracha e borrifando “spray” de pimenta nos torcedores. Foi
um fuzuê daqueles. E só depois de muita correria, pancadaria e golpes de
cassetete a PM conseguiu dominar a situação.
Na presença de uns poucos torcedores
alvinegros no estádio, a FMF entregou a taça de campeão do Mixto ao presidente
Júlio Pinheiro e ao capitão Bogé. Fugindo rapidamente para o vestiário,
protegidos pela PM, os jogadores acharam melhor não comemorar a importante
conquista: o clima não estava mesmo para festa, muito pelo contrário...
Nova postagem....
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