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sábado, 3 de novembro de 2018

Presidente queria que jogadores do Palmeirinhas vendessem figurinhas de álbuns para pagar os próprios salários...

Éder Taques estava nas divisões de base do Dom Bosco em 1984 (a sub-19) quando recebeu um recado do Palmeirinhas, do Porto, para comparecer a Federação Mato-grossense de Futebol – o clube não tinha sede própria, nem alugada... e durante muitos anos utilizou as dependências da entidade – para assinar um contrato com o alviverde. Ele foi correndo, claro, pois no Dom Bosco só de vez em quando recebia uns trocados.

Com o afastamento de Délio de Oliveira, respondia pela presidência do clube o argentino Juan Rolon, que havia chegado ao alviverde como treinador de futebol. O contato entre Juan Rolon e Éder foi rápido. Na ocasião, o presidente do Palmeiras entregou a Éder um envelope com uma bolada de dinheiro, como parte das luvas, mas nem chegaram a discutir as bases do contrato...

Empolgado com tanto dinheiro, Éder saiu apressado da FMF, que funcionava na Rua 24 de Outubro, para dizer aos companheiros do azulão: “Agora é só Palmeiras, Dom Bosco nunca mais...”

Chegou o dia de Éder assinar o contrato com o Palmeiras. Na sede da FMF, claro. Mas antes da assinatura do contrato, Rolon fez uma proposta ao jogador: queria que ele o ajudasse a vender figurinhas de álbuns de uma empresa que representava em Mato Grosso. E justificou que os jogadores ajudando-o a vender as figurinhas, facilitaria ao clube pagar seus salários no final do mês...

– Presidente, eu vim para o Palmeiras para jogar futebol, não para vender figurinhas... – respondeu Éder com firmeza, descartando qualquer possibilidade de aceitar a proposta. Mas acabaram se entendendo e o contrato foi assinado.

Vencido o primeiro mês, Juan Rolon marcou o dia para pagamento da rapaziada. O primeiro a sair da sala onde o presidente do alviverde estava foi Canivete, que também havia deixado Dom Bosco para defender o Palmeiras. Canivete saiu da sala com dois envelopes enormes, cheios de dinheiro...

Depois de Canivete, foi à vez de Mosca. Por ser o jogador mais caro do Palmeiras, Mosca, que ficou pouco tempo no alviverde, por causa de uma grave contusão em um dos joelhos, saiu da sala de Rolon carregando três envelopes de dinheiro, deixando muito animado Éder, o próximo da lista a entrar na bufunfa.

Éder pegou seu envelope e se dirigiu a um tradicional supermercado de Cuiabá que funcionava na Rua 13 de Junho em um prédio defronte ao Departamento Nacional de Estrada de Rodagem (DNER) para trocar a dinheirama. E ficou decepcionado com o que recebeu pela troca, pois Juan Rolon estava pagando os jogadores com notas da venda das figurinhas de álbuns e cujo valor unitário era de Cr$ 1,00 (a moeda da época), e que por causa da inflação, valia uma mixaria...    

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