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domingo, 2 de dezembro de 2018

Auxiliar sentiu dores nas pernas, ergueu a bandeirinha e provocou grande confusão em Barra do Garças...

Barra do Garças e União, de Rondonópolis, disputavam na década de 1980, mais um jogo do Campeonato Mato-grossense de Futebol da 1ª Divisão, no Estádio Zeca Costa. Como sempre acontece quando os dois tradicionais rivais do interior se defrontam o jogo era muito disputado.

No apito, Ismar Gomes conduzia a partida com tranqüilidade. Um dos bandeirinhas era Wilson Eraldo da Silva; o outro, Antonio Ângelo, que já desencarnou faz muito tempo. Ismar Gomes e Wilson Eraldo continuam em atividades até hoje, o primeiro como funcionário da FMF e outro ligado a Sedel e trabalhando numa empresa da sua família.

O jogo já caminhava para a final e o placar continuava “ocho”, como dizem muitos cronistas esportivos quando o resultado do jogo está em 0x0. Mas aí aconteceu um fato inusitado que viria provocar uma completa metamorfose na partida.

Em um ataque do União, o auxiliar Antonio Ângelo ergueu a bandeirinha para chamar a atenção do juiz Ismar Gomes para um grave problema que o afligia: estava sentindo fortes nas duas pernas e talvez até que tivesse de ser substituído pelo árbitro reserva...

O ataque do União resultou em gol e os jogadores do Barra do Garças partiram para cima de Ismar Gomes, exigindo que ele anulasse o tento, marcando o impedimento que Antonio Ângelo havia apontado, erguendo a bandeirinha. Mas o juiz não havia notado nada de anormal no lance do União e confirmou o gol...

Confusão da pesada dentro do campo, com ameaças de agressões, explicações, pedidos de desculpas etc. Depois de muito vai-não-vai, a partida foi reiniciada e terminou com a vitória do time de Rondonópolis, com o gol ilegal.

Encerrado o jogo, o pessoal da Federação Mato-grossense de Futebol tratou de sair correndo do Zeca Costa para a Estação Rodoviária, que ficava perto do hotel onde a turma tinha ficado hospedada, para retornar à Cuiabá.

Quando Wilson Eraldo se aproximava do hotel viu gente saindo detrás de postes de energia elétrica, detrás de carros e até descendo de árvores, pendurada em galhos, e perguntando se era ele que havia apitado o jogo...

– Não fui eu. Quem apitou o jogo está vindo aí atrás – afirmava Eraldo Wilson, tentando tirar o seu da reta...

Quem vinha atrás dele, apressado para chegar à Rodoviária, era mesmo Ismar Gomes, que apanhou pra valer – como ele próprio admite – da enfurecida torcida barragarcense.

Alertada sobre os riscos que o pessoal da FMF estava correndo, a Polícia Militar chegou rapidinho a Rodoviária e impediu um massacre geral contra o grupo federacionista que tinha trabalhado no jogo no Zeca Costa.

A raiva da torcida barragarcense era tanta por causa da falha de Antonio Ãngelo que a Polícia Militar decidiu escoltar o ônibus que conduzia a turma da FMF de volta para Cuiabá até General Carneiro, que fica a 67 quilômetros de Barra do Garças...    
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