Barra do Garças e União, de
Rondonópolis, disputavam na década de 1980, mais um jogo do Campeonato
Mato-grossense de Futebol da 1ª Divisão, no Estádio Zeca Costa. Como sempre
acontece quando os dois tradicionais rivais do interior se defrontam o jogo era
muito disputado.
No apito, Ismar Gomes
conduzia a partida com tranqüilidade. Um dos bandeirinhas era Wilson Eraldo da
Silva; o outro, Antonio Ângelo, que já desencarnou faz muito tempo. Ismar Gomes
e Wilson Eraldo continuam em atividades até hoje, o primeiro como funcionário
da FMF e outro ligado a Sedel e trabalhando numa empresa da sua família.
O jogo já caminhava para a
final e o placar continuava “ocho”, como dizem muitos cronistas esportivos
quando o resultado do jogo está em 0x0. Mas aí aconteceu um fato inusitado que
viria provocar uma completa metamorfose na partida.
Em um ataque do União, o
auxiliar Antonio Ângelo ergueu a bandeirinha para chamar a atenção do juiz
Ismar Gomes para um grave problema que o afligia: estava sentindo fortes nas
duas pernas e talvez até que tivesse de ser substituído pelo árbitro reserva...
O ataque do União resultou
em gol e os jogadores do Barra do Garças partiram para cima de Ismar Gomes,
exigindo que ele anulasse o tento, marcando o impedimento que Antonio Ângelo
havia apontado, erguendo a bandeirinha. Mas o juiz não havia notado nada de
anormal no lance do União e confirmou o gol...
Confusão da pesada dentro do
campo, com ameaças de agressões, explicações, pedidos de desculpas etc. Depois
de muito vai-não-vai, a partida foi reiniciada e terminou com a vitória do time
de Rondonópolis, com o gol ilegal.
Encerrado o jogo, o pessoal
da Federação Mato-grossense de Futebol tratou de sair correndo do Zeca Costa
para a Estação Rodoviária, que ficava perto do hotel onde a turma tinha ficado
hospedada, para retornar à Cuiabá.
Quando Wilson Eraldo se
aproximava do hotel viu gente saindo detrás de postes de energia elétrica,
detrás de carros e até descendo de árvores, pendurada em galhos, e perguntando
se era ele que havia apitado o jogo...
– Não fui eu. Quem apitou o
jogo está vindo aí atrás – afirmava Eraldo Wilson, tentando tirar o seu da
reta...
Quem vinha atrás dele,
apressado para chegar à Rodoviária, era mesmo Ismar Gomes, que apanhou pra
valer – como ele próprio admite – da enfurecida torcida barragarcense.
Alertada sobre os riscos que
o pessoal da FMF estava correndo, a Polícia Militar chegou rapidinho a Rodoviária
e impediu um massacre geral contra o grupo federacionista que tinha trabalhado
no jogo no Zeca Costa.
A raiva da torcida
barragarcense era tanta por causa da falha de Antonio Ãngelo que a Polícia
Militar decidiu escoltar o ônibus que conduzia a turma da FMF de volta para
Cuiabá até General Carneiro, que fica a 67 quilômetros de Barra do
Garças...
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