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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Bandeirinhas do clássico dos milhões boicotaram a FMF e Boschilla, mas o árbitro deu a volta por cima...


Dia 9 de maio de 1986: Mixto e Operário Várzea-grandense iam disputar no Verdão um jogo importante pelo 1º turno do quadrangular decisivo do Campeonato Estadual da 1ª Divisão. Sob o pretexto de atrair público para o grande clássico, a Federação Mato-grossense de Futebol, pressionada pelos dois clubes, decidiu trazer um árbitro de fora, de renome no cenário nacional, para apitar o jogo. O escolhido para a difícil missão foi Dulcídio Vanderlei Boschilla, já falecido.

A contratação de um juiz consagrado no futebol brasileiro, como suposta atração de público – descobriu-se mais tarde – na realidade encobria a desconfiança de Operário e Mixto que não queriam que um jogo de tamanha importância fosse apitado por um árbitro de Mato Grosso. Que, aliás, os dois clubes conheciam muito bem. Daí...

Os dois bandeirinhas escalados pela FMF para trabalharem como auxiliares de Vanderlei Boschilla foi José Mauri Woicechiwisky e Ari Euclides Pereira. Os dois ficaram empolgados com a escolha: além da oportunidade de atuar em um grande clássico, ainda iam entrar numa boa grana, pois cada um receberia a metade da bolada que o juiz, contratado a peso de ouro, ia ganhar para apitar o jogo...

A crônica esportiva de Cuiabá já havia divulgado inclusive o valor da taxa de Boschilla. Mas aí José Mauri e Ari Euclides descobriram uma grande sacanagem da FMF: a entidade elevou às alturas a diária de Boschilla e reduziu o valor da sua taxa de arbitragem para pagar menos aos dois bandeirinhas. Os dois reagiram contra a patifaria da entidade, mas não teve jeito: teriam que se conformar com uma taxa de arbitragem bem mixuruca, quase simbólica.

José Mauri e Ari Euclides decidiram então boicotar a FMF: não iam trabalhar no clássico. Na noite do jogo, Ari Euclides foi para a casa de José Mauri, no Coophamil, onde ficaram curtindo uma piscina e aguardando o que ia acontecer. Quando seus celulares tocavam, conferiam: se era de gente da FMF, não atendiam.

Lá pelas tantas, as rádios que cobriam o clássico começaram a noticiar que o juiz Boschilla já tinha chegado ao Verdão e nada dos bandeirinhas aparecerem. Os dirigentes da FMF estavam desesperados e Boschilla nem aí. Ciente do problema, quando Operário e Mixto entraram em campo, o juiz procurou um dirigente da FMF e fez um pedido: “Chame dois funcionários de confiança da federação para meus auxiliares, vou apitar sem bandeirinhas...”

Apresentado aos dois improvisados auxiliares, Pedro Santana e Luís Fernando Kolmat, Boschilla foi curto e grosso: “Vocês só marcam saída de bola nas laterais; impedimentos e saídas de bola pela linha de fundo eu marco...”

Até que as emissoras de rádios esclareceram o que as duas pessoas estavam fazendo com aquelas bandeirinhas nas mãos, vestidos como cidadãos comuns, a torcida não entendia nada do que estava acontecendo naquela noite no Verdão.     

Apesar da improvisação dos dois assistentes, e da importância e da rivalidade do chamado “clássico dos milhões”, Boschilla teve uma atuação impecável, apesar da acusação de operarianos de que ele teria deixado de assinalar um pênalti a favor do tricolor. O Mixto ganhou o jogo por 1x0, gol marcado de cabeça por Amparo, no primeiro tempo, na cobrança de uma falta por Pastoril.

Quanto a Ari Euclides e José Mauri, foram punidos com um “gancho” de 30 dias cada um, pelo boicote à FMF e a Boschilla. Antes e depois do jogo, o presidente João Torres afirmou que ia denunciá-los à Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, mas ficou mesmo só na ameaça...                     

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