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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Faz 40 anos que um tumultuado “Clássico dos milhões” acabou na Polícia...


Neste 2019 faz 40 anos que Clube Esportivo Operário Várzea-grandense e Mixto disputaram mais um “Clássico dos milhões” e que passou para a história do futebol de Mato Grosso. Era um jogo normal do Campeonato Estadual de 1979, mas que por causa da rivalidade que sempre existiu entre os dois velhos adversários, foi transformado numa verdadeira guerra, como se fosse uma decisão de título. Como sempre, com a participação de suas fanáticas torcidas...

Para apitar o jogo, a FMF escalou o árbitro Armando Camarinha, que depois de se revelar no futebol paraense veio para Mato Grosso em 1977, trazido pelas mãos do juiz Orlando Antunes de Oliveira. Camarinha atuou em Mato Grosso durante 15 anos e depois dessa longa experiência bateu asas e foi mostrar sua categoria como árbitro de futebol em grandes centros do país, apitando jogos de campeonatos estaduais e do Campeonato Brasileiro pelo País afora.

Apesar da rivalidade, o “Clássico dos milhões” transcorria normalmente com o Operário ganhando por 1x0, até que Ruiter, uma das estrelas do tricolor várzea-grandense, resolveu tumultuar a partida. Mas se deu mal, porque Armando Camarinha, que não tinha medo de cara feia e muito menos ligava para a fama de quem entrava em campo para jogar futebol, não vacilou e mandou o ídolo operariano para os chuveiros.

Era o que Ruiter queria para fazer o circo pegar fogo. Conversa vai, conversa vem, muito bate boca, empurrões de parte a parte. Percebendo que a situação poderia se complicar mais ainda, Upa Neguinho, de forma muito educada, pegou Ruiter pelo braço e pediu para ele sair de campo. Afinal, o Operário estava ganhando o jogo e poderia manter o resultado, conquistando uma importante vitória.

Ruiter ouviu as ponderações de Upa Neguinho e ia saindo do campo, como era tradição, com o Verdão lotado. Mas por causa de sua calvície precoce, Ruiter não gostava de ser chamado de “velho”. O lateral direito do Mixto, Luiz Carlos Beleza, sabia disso e não perdeu a oportunidade para provocar Ruiter, gritando para todo mundo ouvir: “Sai logo, velho, deixa a gente jogar...!”

Pra que, xômano, o bicho pegou pra valer! Ruiter partiu furiosamente para cima de Beleza. Bem perto de Ruiter e Beleza, Upa Neguinho tentou acalmar os ânimos, ficando no meio dos dois. De costas para Beleza, o ponteiro esquerdo operariano não viu quando o mixtense desferiu um violento soco em Ruiter, que se abaixou, e Upa Neguinho recebeu em cheio o murro no olho direito.

Upa Neguinho colocou uma das mãos sobre o olho direito e quando a tirou, percebeu que não estava enxergando nada. Furioso, Upa Neguinho correu atrás de Beleza e deu-lhe um potente soco no rosto. Com a pancada, o zagueiro do Mixto desabou e ficou estendido no gramado, completamente inerte. Upa Neguinho pensou que o tinha matado, mas Beleza estava apenas desmaiado...

Aí começou uma briga com a participação de quase todos os jogadores, com o tumulto provocado inicialmente por Upa Neguinho, Beleza e Ruiter virando caso de Polícia, e que para variar, deu em nada. Com o passar do tempo, a briga envolvendo Upa Neguinho, Luiz Carlos Beleza e Ruiter foi esquecida e ninguém teve qualquer problema com a Justiça. Resultado da confusão daquele  clássico: além de Ruiter, Upa Neguinho também foi expulso de campo e ainda multado em 30% do seu salário...

Lembra Upa Neguinho, que passado quatro décadas, se fosse feita uma reprise daquele jogo, ao invés da denominação antiga, a partida poderia vir a ser o “Clássico dos finados”, com as mortes de Geraldo Malaquias, Rômulo, Bife, Felizardo, Pelezinho e Justino. O juiz do clássico, Armando Camarinha, também já subiu para o andar superior...
        



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