Neste 2019 faz 40 anos que Clube Esportivo Operário
Várzea-grandense e Mixto disputaram mais um “Clássico dos milhões” e que passou
para a história do futebol de Mato Grosso. Era um jogo normal do Campeonato
Estadual de 1979, mas que por causa da rivalidade que sempre existiu entre os
dois velhos adversários, foi transformado numa verdadeira guerra, como se fosse
uma decisão de título. Como sempre, com a participação de suas fanáticas
torcidas...
Para apitar o jogo, a FMF escalou o árbitro Armando
Camarinha, que depois de se revelar no futebol paraense veio para Mato Grosso
em 1977, trazido pelas mãos do juiz Orlando Antunes de Oliveira. Camarinha
atuou em Mato Grosso durante 15 anos e depois dessa longa experiência bateu
asas e foi mostrar sua categoria como árbitro de futebol em grandes centros do
país, apitando jogos de campeonatos estaduais e do Campeonato Brasileiro pelo País
afora.
Apesar da rivalidade, o “Clássico dos milhões” transcorria normalmente
com o Operário ganhando por 1x0, até que Ruiter, uma das estrelas do tricolor
várzea-grandense, resolveu tumultuar a partida. Mas se deu mal, porque Armando
Camarinha, que não tinha medo de cara feia e muito menos ligava para a fama de
quem entrava em campo para jogar futebol, não vacilou e mandou o ídolo
operariano para os chuveiros.
Era o que Ruiter queria para fazer o circo pegar fogo.
Conversa vai, conversa vem, muito bate boca, empurrões de parte a parte.
Percebendo que a situação poderia se complicar mais ainda, Upa Neguinho, de
forma muito educada, pegou Ruiter pelo braço e pediu para ele sair de campo.
Afinal, o Operário estava ganhando o jogo e poderia manter o resultado,
conquistando uma importante vitória.
Ruiter ouviu as ponderações de Upa Neguinho e ia saindo do campo,
como era tradição, com o Verdão lotado. Mas por causa de sua calvície precoce, Ruiter
não gostava de ser chamado de “velho”. O lateral direito do Mixto, Luiz Carlos
Beleza, sabia disso e não perdeu a oportunidade para provocar Ruiter, gritando
para todo mundo ouvir: “Sai logo, velho, deixa a gente jogar...!”
Pra que, xômano, o bicho pegou pra valer! Ruiter partiu
furiosamente para cima de Beleza. Bem perto de Ruiter e Beleza, Upa Neguinho
tentou acalmar os ânimos, ficando no meio dos dois. De costas para Beleza, o
ponteiro esquerdo operariano não viu quando o mixtense desferiu um violento
soco em Ruiter, que se abaixou, e Upa Neguinho recebeu em cheio o murro no olho
direito.
Upa Neguinho colocou uma das mãos sobre o olho direito e
quando a tirou, percebeu que não estava enxergando nada. Furioso, Upa Neguinho correu
atrás de Beleza e deu-lhe um potente soco no rosto. Com a pancada, o zagueiro
do Mixto desabou e ficou estendido no gramado, completamente inerte. Upa
Neguinho pensou que o tinha matado, mas Beleza estava apenas desmaiado...
Aí começou uma briga com a participação de quase todos os
jogadores, com o tumulto provocado inicialmente por Upa Neguinho, Beleza e
Ruiter virando caso de Polícia, e que para variar, deu em nada. Com o passar do
tempo, a briga envolvendo Upa Neguinho, Luiz Carlos Beleza e Ruiter foi
esquecida e ninguém teve qualquer problema com a Justiça. Resultado da
confusão daquele clássico: além de Ruiter, Upa Neguinho também foi expulso de campo e ainda
multado em 30% do seu salário...
Lembra Upa Neguinho, que passado quatro décadas, se fosse
feita uma reprise daquele jogo, ao invés da denominação antiga, a partida
poderia vir a ser o “Clássico dos finados”, com as mortes de Geraldo Malaquias,
Rômulo, Bife, Felizardo, Pelezinho e Justino. O juiz do clássico, Armando
Camarinha, também já subiu para o andar superior...
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