Quando foi presidente do
Palmeirinhas, do Porto, em 1984, o argentino Juan Rolon, deixou a fiel torcida
alviverde ouriçada: divulgou na imprensa de Cuiabá com grande estardalhaço que
seu clube havia contratado quatro reforços de alto nível, junto ao Atlético,
para disputar o Campeonato Mato-grossense de Futebol daquele ano. Para aguçar
ainda mais a curiosidade dos torcedores e da crônica esportiva, Rolon não revelou
o nome completo do Atlético de onde vinham os novos jogadores: se do Atlético
Mineiro, do Atlético Paranaense ou do Atlético Goianense...
O primeiro jogador a se
apresentar ao novo clube foi Beirinha, que chegou ao Dutrinha, onde o
Palmeirinhas realizava um treino, carregando uma surrada mala daquelas antigas
de papelão, geralmente usada por mascates turcos para vender suas bugigangas
pelo interior do Brasil. “Ih!... Isso aí não deve jogar bola, porra
nenhuma!...” – comentaram entre si dois jovens jogadores palmeirenses que
estavam no Dutrinha morrendo de curiosidade para conhecer os novos companheiros.
Depois de Beirinha,
apresentaram-se ao novo clube Inhola, Boaventura e Elcides. Do quarteto
aguardado com grande expectativa pelos torcedores e a crônica esportiva, apenas
Boaventura mostrou que era mesmo bom de bola. Tanto é que depois de passar pelo
Palmeirinhas, ele fez sucesso entre outros clubes mato-grossenses. Quanto aos
outros três, não passavam de pernas de paus travestidos de jogadores de
futebol.
Com o passar dos dias e a
convivência com os novos companheiros, os jogadores do Palmeirinhas conseguiram
desvendar o mistério da origem dos quatro reforços: eles vieram mesmo do
Atlético... mas de Diamantino (208 km de Cuiabá, em linha reta, no Médio Norte)
um time amador sem qualquer expressão do futebol mato-grossense. No futebol
profissional, a cidade só teve uma equipe, o Esporte Clube Diamantino, que
chegou a disputar o Campeonato Mato-grossense de 1999, sob o comando técnico de
Mosca...
Desvendaram também os
palmeirenses como Rolon “descobriu” Beirinha, Boaventura, Inhola e Elcides para
o futebol: ele era garimpeiro de diamante em Diamantino e tentou transformar os
boleiros amadores em craques de futebol para “faturar” uma graninha por fora de
sua atividade no ramo da mineração. O Palmeirinhas, no entanto, desistiu de
burilar os “diamantes” que Rolon havia descoberto em Diamantino, porque seria
tempo perdido...
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