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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Rubens dos Santos exigiu que Upa Neguinho escrevesse uma longa frase 100 vezes para aprender a cruzar bolas para a área...


Velocista por natureza – quando serviu o Exército em Cuiabá, participou de muitas competições oficiais, correndo os 100 metros rasos, 200 metros e revezamento 4x100 – o ponteiro esquerdo Odenir, que depois virou o Upa Neguinho, chegou ao Clube Esportivo Operário Várzea-grandense com um grave defeito que incomodava o eterno e lendário dirigente tricolor Rubens dos Santos: ele não sabia cruzar a bola para a área.

Uma tarde, ao final de um coletivo no campo do bairro Ipase, onde fica hoje o estádio de beisebol da Associação Cultural Nipo-Brasileira de Cuiabá e Várzea Grande, Rubens dos Santos chamou Upa Neguinho para uma conversa em particular.  Upa Neguinho pensou que era mais uma multa que o clube ia lhe aplicar, porque com Rubens dos Santos não tinha arrego: por qualquer coisinha os jogadores eram multados para reduzir a folha de pagamentos...

Sem delongas, Rubens dos Santos ditou uma frase que Upa Neguinho teria que escrever 100 vezes em um caderno para ser apresentado depois ao presidente tricolor, que na realidade era quem dava a palavra final sobre a escalação do time: “Devo ir à linha de fundo, levantar a cabeça e cruzar a bola para trás...” A ordem não especificava se o cruzamento da bola seria rasteiro ou na base do “chuveirinho”...

Antes do coletivo começar, Upa Neguinho pediu para o meia armador Joel Diamantino “caprichar” nos lançamentos de bola para a ponta esquerda do time titular para ele fazer os cruzamentos para trás, como Rubens dos Santos queria. Joel Diamantino cumpriu a sua palavra e lançou muitas bolas para Upa Neguinho durante todo o coletivo, comandado por Batista Jaudy...

Encerrado o treino, Rubens dos Santos foi conversar com Upa Neguinho. “Você já terminou de escrever cem vezes a frase como eu lhe mandei?” – perguntou o presidente operariano.

– Na verdade, seu Rubens, ao invés de escrever a frase no caderno, eu estou cumprindo sua ordem na prática. Hoje mesmo, antes de o treino começar eu fiz no mínimo uns trinta lançamentos para a área, correndo até a linha de fundo e cruzando a bola para trás. Se o senhor duvida da minha palavra, pode perguntar para o Joel Diamantino...  justificou o jogador.    

Pura cascata. Na verdade, além dos cruzamentos que executou durante o coletivo, Upa Neguinho só fez uns quatro ou cinco lançamentos para a área, como Rubens dos Santos exigia. E como o presidente do CEOV nunca mais tocou no assunto, Upa Neguinho jamais escreveu uma palavra da frase ditada pelo dirigente operariano... 
    
                

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