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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Juan Rolon pagou show de Os Menudos em Cuiabá com uma montanha de cédulas de Cr$ 1,00 de pouco valor...


Promover de vez em quando um grande show com artistas de renome no cenário nacional e internacional – esta foi a brilhante ideia que o presidente do Palmeirinhas, do Porto, Juan Rolon, teve para bancar a folha de pagamento do clube no Campeonato Mato-grossense de 1984 e cuja figura de maior expressão do time era Mosca. E a mais cara também. Dizem – e o próprio jogador admite – que o salário de Mosca correspondia a mais da metade do que o alviverde gastava mensalmente com o restante do plantel.

De nacionalidade argentina, Juan Rolon chegou ao Brasil disposto a virar treinador de futebol. E sua primeira experiência na profissão, uma das mais bem remuneradas do futebol mundial, foi justamente no Palmeirinhas, de forma muito estranha, sacana mesmo! Muito amigo do eterno presidente do alviverde, Délio de Oliveira, Rolon passou muito tempo ligado ao tradicional clube do Porto, como dirigente e treinador. Aliás, os dois já subiram para o andar superior, Délio de Oliveira recentemente ...

Campeonato Estadual de 1971 do Mato Grosso ainda não dividido. O Palmeirinhas jogava com o Comercial, em Campo Grande. Jogo muito difícil para o alviverde, que ainda no primeiro tempo ficou com dez jogadores em campo, em virtude da expulsão de Totó. Intervalo da primeira para a segunda etapa: os times foram para os vestiários e o treinador alviverde, Aírton Vaca Braba, ficou no gramado dando entrevistas à imprensa.        

Quando Vaca Braba chegou ao vestiário encontrou a porta fechada. Ele forçou a porta, mas ela estava trancada por dentro. O treinador não entendeu patavina do que estava acontecendo, pois precisava passar orientações aos seus pupilos para o 2º tempo.  Vaca Braba só entendeu o que estava acontecendo, quando a porta se abriu e Délio de Oliveira, comunicou-lhe que ele estava demitido e que o time passaria a ser dirigido, a partir daquele instante, por Juan Rolon...

O primeiro show foi com o grupo de Porto Rico, Menudo, que fez grande sucesso no Brasil na década de 1980. Realizado no Dutrinha, o show levou ao estádio do centro da cidade milhares de adolescentes. Mas o sucesso de público não foi suficiente para apagar a má impressão que ficou entre Os Menudos de sua única passagem pela capital mato-grossense...

Acontece que na hora de pagar a rapaziada porto-riquenha, Juan Rolon, que era vendedor de figurinhas para álbuns, entregou ao conjunto muitos envelopes contendo milhares de cédulas de Cr$ 1,00 (cruzeiro) – a moeda da época e que vigorou de 1970 a 1986. Aquela montanha de cédulas de pouco valor exigiu do Menudo a perda de um tempão para contar a dinheirama e verificar se o monte de notas correspondia ao preço combinado pelo show...

Juan Rolon não se apertava na hora de mexer com dinheiro para defender o Palmeirinhas. Quando ele contratou Mosca em 1984, o clube não tinha dinheiro para pagar as luvas do jogador e Rolon deu-lhe um fuscão que estava em nome de Délio de Oliveira. O jogador pegou o carro, mas ficou apenas alguns minutos com o fuscão, que já estava penhorado pela Justiça para ser leiloado para pagar uma dívida do alviverde.

Mosca ficou apenas quatro meses no Palmeirinhas, por causa de uma contusão que o afastou dos campos por um longo tempo. Na hora de acertar a rescisão do contrato, como sempre, o clube não tinha dinheiro. Mas Rolon, que explorava um garimpo de ouro em Diamantino, entregou ao jogador, para quitar a dívida, alguns valiosos anéis. Naquele dia, Mosca chegou em sua casa falando grosso: “Não quero ouvir ninguém  falar em falta de anéis de ouro, por pelo menos uns quarenta anos, aqui em casa...”                 

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