Promover de vez em quando um grande show com artistas de renome no
cenário nacional e internacional – esta foi a brilhante ideia que o presidente
do Palmeirinhas, do Porto, Juan Rolon, teve para bancar a folha de pagamento do
clube no Campeonato Mato-grossense de 1984 e cuja figura de maior expressão do
time era Mosca. E a mais cara também. Dizem – e o próprio jogador admite – que o
salário de Mosca correspondia a mais da metade do que o alviverde gastava mensalmente
com o restante do plantel.
De nacionalidade argentina, Juan Rolon chegou ao Brasil
disposto a virar treinador de futebol. E sua primeira experiência na profissão,
uma das mais bem remuneradas do futebol mundial, foi justamente no
Palmeirinhas, de forma muito estranha, sacana mesmo! Muito amigo do eterno
presidente do alviverde, Délio de Oliveira, Rolon passou muito tempo ligado ao
tradicional clube do Porto, como dirigente e treinador. Aliás, os dois já subiram
para o andar superior, Délio de Oliveira recentemente ...
Campeonato Estadual de 1971 do Mato Grosso ainda não
dividido. O Palmeirinhas jogava com o Comercial, em Campo Grande. Jogo muito
difícil para o alviverde, que ainda no primeiro tempo ficou com dez jogadores
em campo, em virtude da expulsão de Totó. Intervalo da primeira para a segunda
etapa: os times foram para os vestiários e o treinador alviverde, Aírton Vaca
Braba, ficou no gramado dando entrevistas à imprensa.
Quando Vaca Braba chegou ao vestiário encontrou a porta
fechada. Ele forçou a porta, mas ela estava trancada por dentro. O treinador não
entendeu patavina do que estava acontecendo, pois precisava passar orientações
aos seus pupilos para o 2º tempo. Vaca
Braba só entendeu o que estava acontecendo, quando a porta se abriu e Délio de
Oliveira, comunicou-lhe que ele estava demitido e que o time passaria a ser
dirigido, a partir daquele instante, por Juan Rolon...
O primeiro show foi com o grupo de Porto Rico, Menudo, que
fez grande sucesso no Brasil na década de 1980. Realizado no Dutrinha, o show
levou ao estádio do centro da cidade milhares de adolescentes. Mas o sucesso de
público não foi suficiente para apagar a má impressão que ficou entre Os
Menudos de sua única passagem pela capital mato-grossense...
Acontece que na hora de pagar a rapaziada porto-riquenha,
Juan Rolon, que era vendedor de figurinhas para álbuns, entregou ao conjunto
muitos envelopes contendo milhares de cédulas de Cr$ 1,00 (cruzeiro) – a moeda
da época e que vigorou de 1970 a 1986. Aquela montanha de cédulas de pouco valor
exigiu do Menudo a perda de um tempão para contar a dinheirama e verificar se o
monte de notas correspondia ao preço combinado pelo show...
Juan Rolon não se apertava na hora de mexer com dinheiro para
defender o Palmeirinhas. Quando ele contratou Mosca em 1984, o clube não tinha
dinheiro para pagar as luvas do jogador e Rolon deu-lhe um fuscão que estava em
nome de Délio de Oliveira. O jogador pegou o carro, mas ficou apenas alguns
minutos com o fuscão, que já estava penhorado pela Justiça para ser leiloado
para pagar uma dívida do alviverde.
Mosca ficou apenas quatro meses no Palmeirinhas, por causa de
uma contusão que o afastou dos campos por um longo tempo. Na hora de acertar a
rescisão do contrato, como sempre, o clube não tinha dinheiro. Mas Rolon, que
explorava um garimpo de ouro em Diamantino, entregou ao jogador, para quitar a
dívida, alguns valiosos anéis. Naquele dia, Mosca chegou em sua casa falando
grosso: “Não quero ouvir ninguém falar em
falta de anéis de ouro, por pelo menos uns quarenta anos, aqui em casa...”
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