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| O lendário Carrapato (foto: arquivo Diário de Corumbá) |
Depois de um jejum de dez
anos sem conquistar um título importante, torcedores do Clube Esportivo
Operário Várzea-grandense já começam a admitir que é de um “protetor” com poder
no mundo espiritual, como o do falecido pai de santo Edu Diniz, o lendário
Carrapato, que o clube está necessitando para acabar com a velha urucubaca. Para a torcida não é de bons jogadores, nem de técnicos consagrados que o “Chicote
da Fronteira” anda precisando para dar a volta por cima e recuperar o seu
prestígio no futebol mato-grossense.
A torcida da velha guarda e
que testemunhou tantas conquistas brilhantes do tricolor é a que mais sofre com
a má fase que parece não ter mais fim do quase septuagenário CEOV, fundado no
dia 1 de maio de 1949, por Rubens dos Santos, sob inspiração do bispo Campelo
de Aragão, que foi mandado de Goiânia-GO para criar Círculos Operários em Mato
Grosso – uma versão urbana das Ligas Camponesas do temido comunista Francisco Julião.
Caminhando já para meio
século de vínculo com o “Chicote da Fronteira”, o atacante Zé Pulula, afilhado
de casamento de Rubens dos Santos, conheceu bem Carrapato. Mas apesar da fé de
seu padrinho nas mandingas do pai de santo que Rubens dos Santos mandava vir de
Corumbá-MS para os jogos mais importantes do seu clube, Zé Pulula não
acreditava muito nas bruxarias de Carrapato. Ele admite, porém, que “trabalhos”
extra-campo podem ter grande influência psicológica no futebol...
Outro operariano da velha
guarda e que prefere não se identificar, não tem dúvida que Carrapato influenciava mesmo na vida do Operário e nas suas
grandes conquistas no futebol. “Só de saber que o Carrapato estava na cidade ou
nas arquibancadas do estádio os nossos adversários tremiam de medo. Não era
medo de perder o jogo, mas dos espíritos das trevas do Carrapato quebrar a
perna de alguém, provocar uma doença durante o jogo...” – afirma.
Entre os operarianos, inclusive da nova geração, já vai se consolidando a crença de que o “Chicote da Fronteira” está “amarrado” por alguma praga como a que uma lavadeira rogou contra o União, de Rondonópolis, que passou anos e anos sem conquistar um Campeonato Mato-grossense da 1ª Divisão, apesar de ter disputado oito finais do certame da FMF. Finalmente, o União ganhou o título estadual em 2010, depois que o cacique político rondonopolitano Afro Stefanini foi sepultado com os bolsos da calça cheios de dinheiro, colocado pela sua filha Amélia, para pagar a lavadeira no além...
A crença dos operarianos na
existência de uma maldição contra o clube é fundamentada numa suspeita: faz
muitos anos, o CEOV encomendou um “trabalho” do pesado e caríssimo ao pai de
santo Alírio Ferreira, que transferiu seu Centro Espírita São Sebastião, da
comunidade de Capela do Piçarrão para o distrito de Souza Lima, e nunca pagou o
valor combinado. Por isso, muitos torcedores têm certeza que o pai de santo
rogou uma praga da “braba” contra o clube por conta do calote. Mas Alírio nega
de pés juntos...
Carrapato era conhecidíssimo
nos meios esportivos de Corumbá, onde na década de 60 fundou e dirigiu por
muitos anos o Cruzeiro Esporte Clube e muito respeitado e admirado na cidade
pantaneira como pai de santo. Ele faleceu em 1986. Às vésperas do seu falecimento,
Amin Amiden, diretor financeiro do hospital onde ele estava internado, flagrou um grupo de
seguidores de Carrapato fazendo um ”despacho” em seu apartamento, como se
estivessem dando adeus ao mestre...
1979, véspera da decisão da
Copa Cuiabá, entre Operário e Mixto: Nelsinho, o cabeleireiro dos mixtenses,
estava no Baretta atendendo seus clientes, quando Rubens dos Santos adentrou o
salão, seguido de um velho de cabeça branca, com aparência meio sinistra, e foi logo lhe dizendo que a pessoa
que o acompanhava queria conhecê-lo.
Quando Nelsinho estendeu-lhe a mão, o amigo de Rubens dos Santos foi logo dizendo: “Ah! Então você é o famoso mixtense... “ e apertou-lhe a mão com muita força.
-- Eu sou o Carrapato e vim
de Corumbá só para derrotar o Mixto. O seu nome também está na minha lista...
Gargalhadas ecoaram pelo
salão. Nelsinho lembrou a Carrapato que
o Mixto tinha Bife, que estava no auge de sua forma e marcando gols adoidado,
com Carrapato retrucando que o atacante mixtense estava mais que amarrado pelas
suas mandingas...
Moral da história: o Mixto
foi derrotado e Bife perdeu até pênalti.
-- O trabalho do Carrapato
deve ter sido mesmo dos brabos. Vôte!... – esconjura Nelsinho. .

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