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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Torcida começa a crer que urucubaca do CEOV só terá fim com um novo macumbeiro


O lendário Carrapato
 (foto: arquivo  Diário
 de Corumbá) 
Depois de um jejum de dez anos sem conquistar um título importante, torcedores do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense já começam a admitir que é de um “protetor” com poder no mundo espiritual, como o do falecido pai de santo Edu Diniz, o lendário Carrapato, que o clube está necessitando para acabar com a velha urucubaca. Para a torcida não é de bons jogadores, nem de técnicos consagrados que o “Chicote da Fronteira” anda precisando para dar a volta por cima e recuperar o seu prestígio no futebol mato-grossense.

A torcida da velha guarda e que testemunhou tantas conquistas brilhantes do tricolor é a que mais sofre com a má fase que parece não ter mais fim do quase septuagenário CEOV, fundado no dia 1 de maio de 1949, por Rubens dos Santos, sob inspiração do bispo Campelo de Aragão, que foi mandado de Goiânia-GO para criar Círculos Operários em Mato Grosso – uma versão urbana das Ligas Camponesas do temido comunista Francisco Julião.

Caminhando já para meio século de vínculo com o “Chicote da Fronteira”, o atacante Zé Pulula, afilhado de casamento de Rubens dos Santos, conheceu bem Carrapato. Mas apesar da fé de seu padrinho nas mandingas do pai de santo que Rubens dos Santos mandava vir de Corumbá-MS para os jogos mais importantes do seu clube, Zé Pulula não acreditava muito nas bruxarias de Carrapato. Ele admite, porém, que “trabalhos” extra-campo podem ter grande influência psicológica no futebol...

Outro operariano da velha guarda e que prefere não se identificar, não tem dúvida que Carrapato influenciava mesmo na vida do Operário e  nas suas grandes conquistas no futebol. “Só de saber que o Carrapato estava na cidade ou nas arquibancadas do estádio os nossos adversários tremiam de medo. Não era medo de perder o jogo, mas dos espíritos das trevas do Carrapato quebrar a perna de alguém, provocar uma doença durante o jogo...” – afirma.     

Entre os operarianos, inclusive da nova geração, já vai se consolidando a crença de que o “Chicote da Fronteira” está “amarrado” por alguma praga como a que uma lavadeira rogou contra o União, de Rondonópolis, que passou anos e anos sem conquistar um Campeonato Mato-grossense da 1ª Divisão, apesar de ter disputado oito finais do certame da FMF. Finalmente, o União ganhou o título estadual em 2010, depois que o cacique político rondonopolitano Afro Stefanini foi sepultado com os bolsos da calça cheios de dinheiro, colocado pela sua filha Amélia, para pagar a lavadeira no além...

A crença dos operarianos na existência de uma maldição contra o clube é fundamentada numa suspeita: faz muitos anos, o CEOV encomendou um “trabalho” do pesado e caríssimo ao pai de santo Alírio Ferreira, que transferiu seu Centro Espírita São Sebastião, da comunidade de Capela do Piçarrão para o distrito de Souza Lima, e nunca pagou o valor combinado. Por isso, muitos torcedores têm certeza que o pai de santo rogou uma praga da “braba” contra o clube por conta do calote. Mas Alírio nega de pés juntos...

Carrapato era conhecidíssimo nos meios esportivos de Corumbá, onde na década de 60 fundou e dirigiu por muitos anos o Cruzeiro Esporte Clube e muito respeitado e admirado na cidade pantaneira como pai de santo. Ele faleceu em 1986. Às vésperas do seu falecimento, Amin Amiden, diretor financeiro do hospital onde ele   estava internado, flagrou um grupo de seguidores de Carrapato fazendo um ”despacho” em seu apartamento, como se estivessem dando adeus ao mestre...

1979, véspera da decisão da Copa Cuiabá, entre Operário e Mixto: Nelsinho, o cabeleireiro dos mixtenses, estava no Baretta atendendo seus clientes, quando Rubens dos Santos adentrou o salão, seguido de um velho de cabeça branca, com aparência meio  sinistra, e foi logo lhe dizendo que a pessoa que o acompanhava queria conhecê-lo.

Quando Nelsinho estendeu-lhe a mão, o amigo de Rubens dos Santos foi logo dizendo: “Ah! Então você é o famoso mixtense... “ e apertou-lhe a mão com muita força.

-- Eu sou o Carrapato e vim de Corumbá só para derrotar o Mixto. O seu nome também está na minha lista...    

Gargalhadas ecoaram pelo salão. Nelsinho lembrou a Carrapato  que o Mixto tinha Bife, que estava no auge de sua forma e marcando gols adoidado, com Carrapato retrucando que o atacante mixtense estava mais que amarrado pelas suas mandingas...

Moral da história: o Mixto foi derrotado e Bife perdeu até pênalti.


-- O trabalho do Carrapato deve ter sido mesmo dos brabos. Vôte!... – esconjura Nelsinho.              . 

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