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| A sunga que virou "priquiteira" em Cuiabá |
Fim de tarde de um dia
qualquer de 1959, quase 60 anos atrás: um grupo de jovens jogadores de futebol
espera defronte a papelaria e livraria de dona Pepe Hugueney de Siqueira, na
Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico de Cuiabá, a hora de iniciar a caminhada
para o campo do antigo Colégio Estadual de Mato Grosso, que virou depois Liceu
Cuiabano “Maria de Arruda Müller”, para mais um treino coletivo do Mixto
Esporte Clube.
Pouco antes da saída da
rapaziada, surgiu um probleminha: o jogador Aírton Moreira, mais conhecido como
Vaca Brava, pela maneira destemida como se comportava em campo, procurou a
dedicada dirigente do alvinegro para dizer que precisava de uma “priquiteira”
para treinar...
Dona Pepe não entendeu nada.
E nem ia entender mesmo! No linguajar dos jogadores, “periquiteira”, que Vaca
Brava mudou para “priquiteira”, era a sunga, de lançamento recente no mercado,
para proteger as partes íntimas dos atletas, especialmente dos jogadores de
futebol, e que pela própria natureza desse esporte, ficam mais expostas a
boladas...
Vaca Brava fazia
desesperados gestos com as mãos para tentar explicar a dona Pepe o que ele
estava dizendo, mas não tinha jeito não – recorda o lendário Ruiter, testemunha
desse episódio que enriquece o folclore do futebol mato-grossense. Ruíter não
se lembra de outros jogadores que testemunharam o fato, mas recorda que o Mixto
da época era integrado por verdadeiros “astros” da bola, entre eles Bianchi,
Acácio, Irair, Choné, Humberto, Armindo, Nazário, Proença...
Percebendo que Vaca Brava e
dona Pepe não iam se entender, alguns jogadores entraram na conversa e
esclareceram que “periquiteira”, também chamada de saqueira, era simplesmente a
sunga, algumas das quais vinham com uma proteção especial para o “periquito” e
as duas “bolinhas”, também chamadas de “periquitinhas” situadas na região
pubiana. É óbvio que não entraram nesses detalhes nas explicações a respeitada
dona Pepe..
Claro que o diálogo entre os
dois mixtenses espalhou-se no meio da boleirada e até hoje é lembrado entre a
velha guarda do futebol mato-grossense. Muito tempo depois, Aírton Vaca Brava,
que não tinha muita intimidade com as letras, explicou que não falou em sunga
com dona Pepe, porque pensava que esse nome era um palavrão...

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