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sábado, 18 de março de 2017

Aírton Vaca Brava precisava de “priquiteira” até para treinar...

A sunga que virou  "priquiteira" em Cuiabá
Fim de tarde de um dia qualquer de 1959, quase 60 anos atrás: um grupo de jovens jogadores de futebol espera defronte a papelaria e livraria de dona Pepe Hugueney de Siqueira, na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico de Cuiabá, a hora de iniciar a caminhada para o campo do antigo Colégio Estadual de Mato Grosso, que virou depois Liceu Cuiabano “Maria de Arruda Müller”, para mais um treino coletivo do Mixto Esporte Clube.

Pouco antes da saída da rapaziada, surgiu um probleminha: o jogador Aírton Moreira, mais conhecido como Vaca Brava, pela maneira destemida como se comportava em campo, procurou a dedicada dirigente do alvinegro para dizer que precisava de uma “priquiteira” para treinar...

Dona Pepe não entendeu nada. E nem ia entender mesmo! No linguajar dos jogadores, “periquiteira”, que Vaca Brava mudou para “priquiteira”, era a sunga, de lançamento recente no mercado, para proteger as partes íntimas dos atletas, especialmente dos jogadores de futebol, e que pela própria natureza desse esporte, ficam mais expostas a boladas...

Vaca Brava fazia desesperados gestos com as mãos para tentar explicar a dona Pepe o que ele estava dizendo, mas não tinha jeito não – recorda o lendário Ruiter, testemunha desse episódio que enriquece o folclore do futebol mato-grossense. Ruíter não se lembra de outros jogadores que testemunharam o fato, mas recorda que o Mixto da época era integrado por verdadeiros “astros” da bola, entre eles Bianchi, Acácio, Irair, Choné, Humberto, Armindo, Nazário, Proença...

Percebendo que Vaca Brava e dona Pepe não iam se entender, alguns jogadores entraram na conversa e esclareceram que “periquiteira”, também chamada de saqueira, era simplesmente a sunga, algumas das quais vinham com uma proteção especial para o “periquito” e as duas “bolinhas”, também chamadas de “periquitinhas” situadas na região pubiana. É óbvio que não entraram nesses detalhes nas explicações a respeitada dona Pepe..

Claro que o diálogo entre os dois mixtenses espalhou-se no meio da boleirada e até hoje é lembrado entre a velha guarda do futebol mato-grossense. Muito tempo depois, Aírton Vaca Brava, que não tinha muita intimidade com as letras, explicou que não falou em sunga com dona Pepe, porque pensava que esse nome era um palavrão...     

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