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sexta-feira, 10 de março de 2017

Tresoitão fez poderosa emissora de Cuiabá tirar programa esportivo do ar...


Durante os quase seis anos que Agripino Bonilha Filho presidiu a Federação Mato-grossense de Desportos, entre 1969/75, os esportes amadoristas mato-grossenses subordinados a entidade – basquete, voleibol, futebol de salão, natação, atletismo, judô, etc. – viveram uma fase de grande prosperidade e projeção, inclusive participando de todas as competições de âmbito nacional. Se eventualmente faltava dinheiro para uma modalidade participar de algum certame no Brasil, era só Bonilha ligar para o presidente da Confederação Brasileira de Desportos, João Havelange, que o dinheiro caía rapidinho na conta...
          
Material esportivo, então, para todas as modalidades esportivas, até sobrava. Uma vez, de uma só pancada, a CBD mandou para a FMD três carretas carregadas de material esportivo para todas as modalidades. Difícil foi achar lugar para acomodar tantos agasalhos, camisas, calções, meias, caneleiras, chuteiras, tênis, bolas...
         
Mas mesmo com todos os esportes de Mato Grosso em grande evidência, em 1973 a Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá, que tinha um programa de esportes de grande audiência, começou a desancar o pau na FMD. O motivo só Bonilha sabia: a dupla que apresentava o programa – Roberto França e Eduardo Saraiva – queria porque queria que a FMD comprasse umas quotas de publicidade do programa e a resposta do presidente da entidade era sempre um solene não.

Afinal, Bonilha não precisava de promoção pessoal e os esportes já ocupavam grandes espaços no noticiário das emissoras de rádio e nos jornais.  Além disso, não seria ético nem justo a FMD pagar uma emissora de rádio para veicular suas notícias e não patrocinar as outras que a divulgavam da mesma forma, principalmente o futebol.

No início, a pauleira de França e Saraiva era dirigida somente a FMD e aos outros esportes dos então departamentos que eram subordinados a entidade mater. Com o correr do tempo, as críticas da dupla de radialistas mudaram o foco e passaram a ser concentradas em Bonilha. Pior: saíram do campo esportivo e partiram para o ataque pessoal para provocar mesmo Bonilha...

Uma manhã, Bonilha meteu um revólver 38 cano longo na cintura e foi falar com o dono da emissora, o arcebispo dom Orlando Chaves. Bonilha reclamou da forma como estava sendo tratado na programação esportiva da rádio, fazendo ver a dom Orlando Chaves que não ficava bem para uma rádio católica, como é o caso da Difusora Bom Jesus de Cuiabá, cuja função é pregar a paz, ficar semeando discórdia.
     
Diante da indiferença de dom Orlando Chaves às suas queixas, Bonilha tirou o tresoitão da cintura, pôs em cima da mesa e disparou: “Se os dois não pararem de me ofender, vou fazer um regaço aqui, dom Orlando...”
     
Nisso, dona Aurora Chaves, diretora da rádio, e irmã de dom Orlando Chaves, entrou na conversa para dizer que não poderia fazer nada para resolver o problema. E nem poderia mesmo: França e Saraiva haviam comprado o horário do programa esportivo matinal e tinham autonomia para fazer o que bem entendessem.
        
  – Dona Aurora, já que a senhora não pode fazer nada, não se meta nesse rolo, se não vai sobrar para a senhora também... – disse Bonilha, enquanto ajeitava a arma sob a camisa.
   
 Antes de sair da sala de dom Orlando Chaves, Bonilha fez outra advertência: “Eu vou esperar lá embaixo o programa... se falarem mal de mim, subo aqui de novo e meto bala em tudo...”
        
A Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá funcionava, como ainda hoje, na Igreja do Seminário. Bonilha desceu a escada, entrou no carro, ligou o rádio e ficou esperando o programa esportivo começar.  Mas naquele dia, o programa não foi ao ar. Nem nos 29 dias seguintes... 
         


Um comentário:

  1. Dr Nelson é uma enciclopédia ambulante. É um prazer fazer do círculo de amigos desta grande celebridade da imprensa esportiva brasileira.

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