Durante os quase seis anos que Agripino
Bonilha Filho presidiu a Federação Mato-grossense de Desportos, entre 1969/75, os
esportes amadoristas mato-grossenses subordinados a entidade – basquete, voleibol,
futebol de salão, natação, atletismo, judô, etc. – viveram uma fase de grande
prosperidade e projeção, inclusive participando de todas as competições de
âmbito nacional. Se eventualmente faltava dinheiro para uma modalidade participar
de algum certame no Brasil, era só Bonilha ligar para o presidente da Confederação
Brasileira de Desportos, João Havelange, que o dinheiro caía rapidinho na
conta...
Material
esportivo, então, para todas as modalidades esportivas, até sobrava. Uma vez,
de uma só pancada, a CBD mandou para a FMD três carretas carregadas de material
esportivo para todas as modalidades. Difícil foi achar lugar para acomodar
tantos agasalhos, camisas, calções, meias, caneleiras, chuteiras, tênis,
bolas...
Mas
mesmo com todos os esportes de Mato Grosso em grande evidência, em 1973 a Rádio Difusora Bom
Jesus de Cuiabá, que tinha um programa de esportes de grande audiência, começou
a desancar o pau na FMD. O motivo só Bonilha sabia: a dupla que apresentava o
programa – Roberto França e Eduardo Saraiva – queria porque queria que a FMD
comprasse umas quotas de publicidade do programa e a resposta do presidente da
entidade era sempre um solene não.
Afinal,
Bonilha não precisava de promoção pessoal e os esportes já ocupavam grandes
espaços no noticiário das emissoras de rádio e nos jornais. Além disso, não seria ético nem justo a FMD
pagar uma emissora de rádio para veicular suas notícias e não patrocinar as
outras que a divulgavam da mesma forma, principalmente o futebol.
No
início, a pauleira de França e Saraiva era dirigida somente a FMD e aos outros
esportes dos então departamentos que eram subordinados a entidade mater. Com o
correr do tempo, as críticas da dupla de radialistas mudaram o foco e passaram
a ser concentradas em
Bonilha. Pior : saíram do campo esportivo e partiram para o
ataque pessoal para provocar mesmo Bonilha...
Uma
manhã, Bonilha meteu um revólver 38 cano longo na cintura e foi falar com o
dono da emissora, o arcebispo dom Orlando Chaves. Bonilha reclamou da forma
como estava sendo tratado na programação esportiva da rádio, fazendo ver a dom
Orlando Chaves que não ficava bem para uma rádio católica, como é o caso da
Difusora Bom Jesus de Cuiabá, cuja função é pregar a paz, ficar semeando
discórdia.
Diante
da indiferença de dom Orlando Chaves às suas queixas, Bonilha tirou o tresoitão
da cintura, pôs em cima da mesa e disparou: “Se os dois não pararem de me
ofender, vou fazer um regaço aqui, dom Orlando...”
Nisso,
dona Aurora Chaves, diretora da rádio, e irmã de dom Orlando Chaves, entrou na
conversa para dizer que não poderia fazer nada para resolver o problema. E nem
poderia mesmo: França e Saraiva haviam comprado o horário do programa esportivo
matinal e tinham autonomia para fazer o que bem entendessem.
–
Dona Aurora, já que a senhora não pode fazer nada, não se meta nesse rolo, se
não vai sobrar para a senhora também... – disse Bonilha, enquanto ajeitava a
arma sob a camisa.
Antes de sair da sala de dom Orlando Chaves,
Bonilha fez outra advertência: “Eu vou esperar lá embaixo o programa... se
falarem mal de mim, subo aqui de novo e meto bala em tudo...”
A
Rádio Difusora Bom Jesus de Cuiabá funcionava, como ainda hoje, na Igreja do
Seminário. Bonilha desceu a escada, entrou no carro, ligou o rádio e ficou
esperando o programa esportivo começar.
Mas naquele dia, o programa não foi ao ar. Nem nos 29 dias
seguintes...

Dr Nelson é uma enciclopédia ambulante. É um prazer fazer do círculo de amigos desta grande celebridade da imprensa esportiva brasileira.
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