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| Édson Miranda (em primeiro plano na foto) |
“Tenho certeza absoluta que eu
vou passar para a história do futebol de Mato Grosso como o cara que
inflacionou o futebol profissional no Estado...” – previu o presidente do São
Cristóvão Esporte Clube, Édson de Souza Miranda, em 1966, no dia que a
agremiação do bairro Araés fechou negócio com o Palmeiras, do Porto, pagando
Cr$ 200 mil pelo passe do goleiro Parada Pedro.
Édson Miranda acertou em
cheio, com a inflação do futebol de Mato Grosso começando ali. Só que não foi
pelo fato do seu clube ter desembolsado o dinheiro para pagar o Palmeiras, mas
por outro motivo inesperado e que surpreendeu todo mundo.
-- Eu só assino contrato se
o São Cristóvão me pagar 15% do valor do meu passe – bateu o pé o goleirão do Palmeiras, Parada Pedro, que sabia que nos grandes centros esportivos
do país como São Paulo e Rio Janeiro, a exigência de luvas tinha virado moda,
com o percentual máximo chegando a 30%, dependendo da fama do jogador e
geralmente pago pelo clube que comprava o boleiro.
O presidente do São
Cristóvão esperneou, mas Parada Pedro não abriu mão do seu direito. Com muito
custo, o goleiro baixou o percentual exigido para 10%. Mas aí, o olho da boleirada
do São Cristóvão cresceu e alguns jogadores que acompanharam a transação, entre
eles Zé Rondonópolis, Hélio Pinto, Dunga, cujo passe tinha sido comprado do
Sport Clube Recife e Edinho, passaram a exigir dinheiro para defender o clube
do Araés.
A decisão do São Cristóvão
de passar a pagar seus jogadores, chegou rapidinho aos ouvidos dos boleiros de
outros clubes. E a inflação do futebol de Mato Grosso, como havia previsto
Édson Miranda, estava implantada nesse esporte no estado, na transição do futebol
amador para o profissionalismo.
Lembra o tenente R/1Gumercindo
Alves Correa Filho, que durante muitos anos foi diretor do São Cristóvão EC,
que Édson Miranda, além de ter inflacionado o futebol de Mato Grosso, foi
também o principal responsável pela implantação do profissionalismo no Estado.
De fato, foi ele que como
gestor de Orçamento do Estado conseguiu, em 1966, que o então governador do
Mato Grosso indiviso, Pedro Pedrossian, liberasse uma dinheirão para os clubes
da 1ª Divisão da época – São Cristóvão, Mixto, Dom Bosco, Americano,
Paulistano, Palmeiras e Clube Esportivo Operário Várzea-grandense – investirem
em seus patrimônios físicos e em reforços para dar nova dimensão ao futebol,
com a transição do amadorismo para o profissionalismo já no ano seguinte.
Além de diretor, sempre que
sobrava uma brechinha, Correa jogava bola também. E inclusive tem algumas
histórias divertidas para contar. Uma delas
aconteceu em 1962 ou 63 em um amistoso do seu clube contra a seleção de Alto
Paraguai.
A certa altura do jogo, o
juiz marcou um escanteio a favor do São Cristóvão, mas a torcida agarrou Correa
e não o deixava executar a cobrança. Com muito custo e a intervenção do juiz, o
escanteio foi cobrado. O São Cristóvão ganhou o jogo de 3x1..
Tempos depois, o São Cristóvão
voltou ao Médio Norte para jogar com uma seleção de Arenápolis, que fica
praticamente na divisa com a cidade de Alto Paraguai. Atuando na ponta esquerda e
marcado por um zagueirão parrudo chamado Pelé, Correa não ganhava uma jogada,
principalmente pelo alto. Nas bolas altas, Pelé arcava o pesado corpo em cima
de Correa e cabeceava todas elas sem nenhuma dificuldade.
Até que finalmente o atacante do São Cristóvão
dominou uma bola rasteira e passou-a entre as pernas de Pelé, pegando-a do outro lado nas costas do
zagueiro. Enfurecido, Pelé girou o corpo e voltou com tudo para quebrar o
atacante. Mas levou azar: Correa puxou a bola e o zagueiro, desequilibrado,
torceu um dos tornozelos. E Correa foi o primeiro a socorrer o jogador adversário
contundido. Vitória do São Cristóvão por 3x2.

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