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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Orione obrigou juiz e bandeirinha a devolverem dinheiro de suborno do União

Cipó entre Valdir da Silva Almeida (a sua direita)
e Émerson Coelho
O União ia disputar um jogo importante contra o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol. A partida transcorreu normalmente e foi vencida pelo tricolor por 1x0. Um dos bandeirinhas foi José Roberto Feitosa Soares, o Cipó, que não notou nada de anormal durante o jogo.

Quando o trio de arbitragem entrou no vestiário no final da partida, o juiz -- cujo nome não vem ao caso, bem como o do outro bandeirinha -- ergueu sua bolsa que estava sobre um banco, e anunciou para os dois companheiros: “Deixaram aqui uns trocados pra gente tomar água mineral... eu fico com a metade e vocês dois dividem a outra parte!...” Os trocados somavam R$ 180,00, valor que o juiz já sabia, claro...

-- Eu não quero saber disso, gente. E tem mais: vou denunciar vocês dois à nossa Federação. Fui bem claro?...

Como nos velhos tempos – Cipó militou no Departamento de Árbitros da FMF de 1988 a 1999 – era muito comum juízes e bandeirinhas aceitarem suborno de clubes, a dupla que trabalhou com ele naquele jogo não levou a sério a sua ameaça.

Não deu outra: na segunda-feira seguinte ao jogo, a primeira coisa que Cipó fez foi procurar o presidente da FMF, Carlos Orione, e denunciar os dois corruptos. 

Imediatamente, Orione convocou uma reunião entre os três e como no “olho no olho” a dupla não teve como negar acusação de Cipó, o dirigente da entidade determinou que os dois devolvessem o dinheiro recebido do clube, o que foi feito e comprovado posteriormente, para escaparem de uma punição rigorosa...

Essa não foi a única vez que Cipó se viu envolvido em um caso de suborno. Há muitos anos, ele foi apitar no Estádio Geraldão um jogo entre o Cáceres Esporte Clube e o Vila Aurora, de Rondonópolis. Terminado o primeiro tempo, Cipó foi para o vestiário e, de repente, apareceu um dirigente do clube da casa e conhecido como Pacu, que se aproximou dele e enfiou a mão no seu bolso...

Surpreendido e julgando que o dirigente estava com más intenções com aquela atitude estranha e muito suspeita, Cipó prendeu com força no bolso de sua bermuda a mão do abusado diretor e gritou o nome do delegado da FMF naquele jogo e que tinha entrado também no vestiário, para testemunhar o que estava acontecendo para não ficarem dúvidas sobre aquela inusitada cena, que poderia ser vista por outras pessoas...

Meio desconcertado, o dirigente do Cáceres esclareceu a sua atitude: ele havia enfiado a mão na bermuda de Cipó não com a intenção que o juiz estava suspeitando, mas simplesmente para deixar um agradinho para ele. Em seguida, tirou a mão do bolso de Cipó e a abriu, mostrando um pacotinho de cédulas de dinheiro num total de R$ 500,00... 

O agradinho que o Cáceres quis dar ao juiz custou caro ao dirigente. Denunciado ao Tribunal de Justiça Desportiva da FMF, com base no relatório do árbitro Cipó, Pacu pegou uma suspensão de 180 dias... 

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