O gordinho Bil, no entanto, não participou da reta final do certame, porque ele era chegadinho numas biritas e a diretoria do clube achou por bem dispensá-lo antes que o centroavante arrastasse companheiros dombosquinos para o vício...
Jogador cujo passe pertencia
ao Goiás, antes de vir para o Dom Bosco Bil jogou um bom tempo no América, do
México, e adorava esnobar sua posição financeira. De vez em quando, Bil ia
comprar um simples pé de alface e fazia questão de pagar com dólar só para ver a
cara de espanto do quitandeiro...
Extrovertido, Bil era do
tipo que se saía muito bem das situações mais difíceis. Dentro ou fora de
campo. Com ele não tinha moleza também: jogando ou treinando, o jogador era de
uma dedicação fora do comum.
Certa vez, Bil perdeu a hora
de levantar e para não chegar atrasado a um treino matinal do Dom Bosco no
Dutrinha teve que pegar um táxi. Quando chegou ao estádio, Bil viu no taxímetro
do carro que o valor da corrida era superior ao dinheiro que ele tinha no
bolso...
Sem rodeios, Bil disse ao
taxista com a maior cara de pau: “O senhor pode dar uma rezinha até a rua Major
Gama porque meu dinheiro dá para pagar a corrida só até lá!...”
Quando Bil estava no Goiás,
seu time foi jogar em Itumbiara. No alviverde goiano os destaques eram Bil e
Radar, ambos atacantes. Radar chegou a fazer grande sucesso jogando pelo
Flamengo, do Rio de Janeiro, além de ter atuado também no exterior.
Terminado o jogo em
Itumbiara, Bil e Radar pegaram seus respectivos carrões e voltaram para Goiânia.
Com um carro com motor mais potente, Radar tomou a dianteira de Bil e foi
embora.
A certa altura, Bil foi
parado pela Polícia Rodoviária Federal numa rodovia goiana. Bil já desceu do
carro impondo banca: “Eu sou o Bil, do Goiás...”
– Não interessa quem o
senhor é. O senhor estava correndo a 120 quilômetros por hora e está
multado... – reagiu o policial rodoviário, já preenchendo o formulário da
multa.
– E quem foi que me
entregou? – inquiriu Bil.
– Foi o radar, moço... –
disse o policial rodoviário, evidentemente se referindo àquele aparelhinho
utilizado nas rodovias para flagrar motoristas que gostam de afundar o pé no
acelerador sem saber que estão sendo vigiados à distância pela jeringoncinha.
– Filho da puta, fazer isso
comigo depois das duas bolas açucaradas que lhe passei pra ele marcar dois
gols... – foi a reação de Bil.
(Reproduzido do livro Casos
de todos os tempos Folclore do
futebol de Mato Grosso).
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Se você leu, comente o que achou