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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Mão-de-Onça torrou muito dinheiro de prêmio por título em forno de fogão...

Mão-de-Onça torrou mesmo o dinheiro do prêmio (Foto Arquivo Google)
Com apoio da Confederação Brasileira de Futebol, que inclusive pagou os troféus da competição, um grupo de empresários endinheirados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná decidiu promover um torneio de futebol em 1984, com a participação de seleções sub 20 dos três estados e mais as do México, Paraguai e Equador.

O objetivo do grupo com a promoção era mostrar para a torcida e a crônica esportiva dos grandes centros, jovens talentos que estavam despontando para o futebol e poderiam formar uma pré-seleção da categoria.  Alguns daqueles ricaços já tinha se tornado empresários de grandes promessas do futebol dos três estados, investindo pesado no lucrativo mercado da bola...

Além do apoio da CBF, o grupo de empresários conseguiu também uma autorização da entidade para inscrever entre os jogadores de Mato Grosso o veterano Mão-de-Onça, que estava encerrando a carreira. O lendário goleiro revelou-se no futebol sul-mato-grossense e depois fez sucesso no Dom Bosco e no Operário Várzea-grandense, merecendo, como ninguém, a homenagem.

A seleção de Mato Grosso foi a campeã do torneio, derrotando o Paraguai, em Assunção pela contagem mínima – no primeiro jogo decisivo, em Campo Grande, vitória mato-grossense por 3x1. O gol que decidiu o título foi assinalado por Cocada, irmão do atacante Muller, que jogou no São Paulo FC, e depois virou pastor evangélico.

Empolgados com a conquista do título e com o sucesso da competição, os organizadores pagaram um prêmio generoso aos jogadores Cr$ 14 milhões de cruzeiros (a moeda da época) para cada um. “Era muito dinheiro, uma fortuna...” – lembra Luizinho, que estava jogando fora de Mato Grosso, mas em 86 e 87 defendeu o Operário Várzea-grandense e jogou ainda no Uirapuru.

Um prêmio daqueles merecia uma comemoração especial e foi o que aconteceu. Como a delegação campeã só chegaria a Cuiabá no domingo à noite, em um voo comercial, depois de uma escala em Campo Grande para desembarque dos sul-mato-grossenses e de onde alguns boleiros rumaram para os estados em que atuavam (Cocada, Lima, Nestor e Pedrinho) ficou combinado que os jogadores iam jantar pacu assado na casa de Mão-de-Onça, no bairro Dom Aquino, e só retornar às suas origens na segunda-feira.

Outra combinação acertada pelo grupo (Guará, J. Alves, Xandi, Djalma, Luizinho, Gérson Lopes e Egnaldo): depois do jantar, os jogadores, com Mão-de-Onça como cicerone,.iam conhecer ou rever alguns pontos turísticos da cidade. Mesmo altas horas da noite, com a demora do caprichado jantar feito pela esposa de Mão-de-Onça ser servido...

Na realidade, não iam conhecer pontos turísticos coisa nenhuma: a turma estava louca para sair depois do rega bofe para torrar o gordo prêmio na boate 9 de Julho e na famosa ZBM do Ribeirão da Ponte. Na presença da mulher de Mão-de-Onça ninguém falou sobre o valor da gratificação para não complicar a vida do animado anfitrião...

É que Mão-de-Onça, muito espertamente, deu Cr$ 7 milhões para sua esposa, dizendo que aquele era o valor da premiação de cada jogador e escondeu Cr$ 7 milhões para ir farrear com os amigos Afinal, ele também era filho de Deus e tinha o direito de comemorar a conquista de um título importante, como também a homenagem que lhe prestaram, com aval da já então já CBF.

Conversa vai, conversa vem naquela animação, diante da perspectiva de uma noitada promissora pela frente, a certa altura Mão-de-Onça quis saber da esposa sobre o peixe e foi informado que estava demorando a sair, porque ela tinha decidido usar o fogão velho, já abandonado na lavanderia da casa, para não estragar o novo e moderno fogão comprado recentemente...

Mão-de-Onça levou um choque ao lembrar-se que havia escondido os Cr$ 7 milhões reservados para a farra em um cantinho do forno do fogão velho e correu para pegar o dinheiro, que já estava até esfarelando-se de tão torrado...

Sobrou para todo mundo, pois com Mão-de-Onça sem os seus Cr$ 7 milhões escondidos para a farra, seus convidados para o jantar  decidiram bancar as despesas do companheiro na noitada. E que noitada, com tanto dinheiro para gastar! Claro que Mão-de-Onça gastou sem parcimônia!. Afinal, o dinheiro não era dele...   

Ao que se sabe, a esposa de Mão-de-Onça nunca ficou sabendo da história da dinheirama torrada no velho fogão da família...  

         

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