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segunda-feira, 30 de abril de 2018

Jogador uruguaio amaldiçoou diretores de clubes por causa de calote do Operário Ltda.


Rebaixado para a 2ª Divisão em 2011, ao perder para o Sorriso, que, aliás, teve curta passagem pelo futebol profissional de Mato Grosso, apesar do município que representava ser uma potência econômica, como o maior produtor de soja do Brasil – posição que ostenta até hoje – o Operário Futebol Clube Ltda., decidiu que voltaria para a 1ª Divisão no ano seguinte para recuperar seu prestígio perante sua pequena e então desmotivada torcida.

A decisão estava tomada e era definitiva. Mas na hora do vamos, de por em prática o projeto do tricolor voltar ao no topo do futebol mato-grossense, ninguém da sua diminuta diretoria queria pegar o boi pelos chifres. Principalmente porque a situação financeira do OFC Ltda. não era lá muito animadora.

Decidiu-se então que o clube buscaria a solução fora de Várzea Grande, cuja população nunca viu com bons olhos a dissidência que resultou no surgimento do novo clube da cidade para salvar o velho CEOV. Ou até mesmo fora de Mato Grosso, pois a ascensão do tricolor à principal divisão do futebol do Estado era uma questão de honra...

A escolha do “salvador” do OFC Ltda. recaiu sobre uma pessoa completamente desconhecida dos várzea-grandenses: César Augusto Scheidtes Farias, que logo se tornou conhecido pelo apelido que trouxe de suas paragens do interior paulista – César Gaúcho. Eleito presidente em um pleito repleto de suspeições, Cesar Gaúcho começou a trabalhar para fazer o Operário FC Ltda. campeão.

O dinheiro para as contratações, inclusive as mais caras, como foram os casos de Narciso, do Santos FC, e do uruguaio Acosta, goleador implacável, jorrava fácil. Soube-se mais tarde que César Gaúcho tinha assumido o clube várzea-grandense com um único objetivo: lavar dinheiro suspeito de um amigo do interior paulista. Daí a dinheirama...

Entre uma atrapalhada e outra, César Gaúcho deu o cano em muita gente em Várzea Grande. Como aconteceu com o uruguaio Acosta. Na assinatura de um contrato de três meses, o jogador exigiu e recebeu R$ 40 mil de luvas, ficando combinado que no final do certame o clube lhe pagaria mais R$ 30 mil.

No acerto de contas no fim do campeonato, com o OFC Ltda. de volta à 1ª Divisão, César Gaúcho deu a Acosta um cheque de R$ 20 mil pouco antes do presidente entrar em um avião para uma viagem sem retorno para algum lugar desse gigantesco Brasil... E ao que se sabe, até 2013, quando o documento bancário perdeu a validade, o jogador não havia conseguido descontar o “voador” por falta de fundos...

Acosta foi embora de Mato Grosso amaldiçoando tudo quanto era diretor de clubes de futebol profissional do estado, como se dirigentes do Mixto, Dom Bosco, União, Sinop, Luverdense, Cuiabá, Cacerense e outros mais tivessem culpa dos calotes que César Gaúcho deu em tanta gente na sua passagem por Mato Grosso...    

sábado, 21 de abril de 2018

Trama no vestiário no intervalo do jogo levou o CEOV a golear o Luverdense



Operário e Luverdense disputavam um jogo muito tenso no Verdão, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2005. Tenso e violento, com as duas equipes distribuindo pancadas de tudo quanto era jeito. A violência chegou a tal ponto que o tricolor de Várzea Grande trocou de campo no intervalo com seus três zagueiros – Marcelo do Ó, Peta e Baiano – pendurados com dois cartões amarelos cada um.

No ritmo em que o jogo transcorria tudo indicava que um deles ser expulso de campo era questão de tempo. Até porque o juiz Edílson Ramos da Mata, que não tinha medo de cara feia, muito menos de pressão dos boleiros, não estava para brincadeira. Muito pelo contrário...

Os tricolores fizeram um pacto no vestiário: o primeiro dos três que fosse expulso armaria uma confusão daquelas para provocar a exclusão da partida de um jogador do Luverdense. Afinal, a vitória para o Operário era muito importante e por isso o time não podia correr o risco de ficar com um jogador a menos em campo.

Não deu outra: no 2º tempo, não demorou muito, e Baiano baixou o sarrafo sem dó nem piedade em Felipe Pinto e foi expulso na hora por Edílson da Mata. Conforme havia sido planejado no intervalo, o próprio Baiano armou o circo: passando o braço direito pelas costas do adversário, o operariano cravou as unhas no canto do olho direito de Felipe Pinto e puxou com toda força, rasgando um pedaço da sua pele...

Quando sentiu a dor, Felipe Pinto, que já havia se levantado do chão, não teve dúvidas: bem na frente do juiz, desferiu um soco na cara de Baiano. O jogador Godói, do Luverdense, tomou as dores do companheiro que estava com olho sangrando, e também partiu furiosamente para cima de Baiano. E o tempo fechou pra valer...

Depois de alguns minutos de grande confusão, com xingamentos, palavrões, murros, pontapés e tudo mais, o árbitro Ramos da Mata expulsou Baiano, do Operário, e Godói e Felipe Pinto, do Luverdense. Serenados os ânimos, o juiz reiniciou o jogo e conseguiu levá-lo até o fim...

Com um jogador a mais em campo, o tricolor várzea-grandense não teve dificuldades para vencer o time de Lucas do Rio Verde pela contagem de 5x1, gols de Grilo, Rinaldo (2), Peta e Kiko. Claro que a vitória conquistada com uma trama bem urdida no intervalo da partida foi muito comemorada no vestiário pelos jogadores e diretores do tricolor...          

terça-feira, 10 de abril de 2018

Maquiavelismo na semifinal ajudou o CEOV a ser campeão estadual em 2006


Depois de “rodar” em grande estilo por diversos clubes brasileiros e fazer sucesso também na Turquia e na China, países onde ganhou muito dinheiro, veio parar no futebol mato-grossense em 2006, mais precisamente no União, de Rondonópolis, um talentoso meia armador carioca, cujo nome não vem ao caso para não comprometer alguns personagens dessa história, muitos dos quais ainda estão vivinhos da silva...

O jogador chegou a Rondonópolis com o prestígio em alta, inclusive dirigindo um reluzente Classe A, lançamento da Mercedes Benz do Brasil. Com um carrão daqueles, venerado pela torcida, que via nele o grande artífice das vitórias do clube, com seus lançamentos precisos para os atacantes balançarem as redes dos adversários e longe da família, que ficara em Campos-RJ, o boleiro não demorou para engatar um romance com uma rondonopolitana...

Mas por ironia do destino e também pela convivência que o futebol proporciona, a amada do meia armador acabou conhecendo um alto dirigente do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense e, meio vida torta como era ela, a mulher decidiu mudar de parceiro na aventura amorosa, trocando um pelo outro. O virtuoso jogador de bola ainda tentou reverter a situação, mas acabou perdendo mesmo a parada para o dirigente operariano...

Sob a orientação do armador carioca dentro do campo, o União estava botando pra quebrar no Campeonato Mato-grossense de Futebol daquele ano. Para orgulho da torcida colorada, o União já era apontado como um dos favoritos para conquistar o título da temporada, pois vinha realizando uma campanha das mais brilhantes, fruto, naturalmente, da atuação de seu genial jogador.

A semifinal do certame foi disputada justamente entre União e CEOV, no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, em um único jogo. A grande preocupação do tricolor várzea-grandense era o meia armador colorado, que fazia mesmo a diferença dentro de campo...

Mas aí uma mente maquiavélica operariana descobriu uma fórmula para impedir que o astro do União complicasse a vida do tricolor, com seus precisos passes para os atacantes. A fórmula operariana: desestabilizar emocionalmente o jogador do poderoso time adversário...

Antes de o Operário entrar em campo, chamaram o zagueiro Rafael e lhe deram uma missão especial: sem se preocupar em jogar futebol, ele devia passar o tempo todo provocando o armador do União, lembrando que sua amada – o boleiro não tinha desistido de reconquistá-la – tinha virado amante de um diretor operariano, inclusive entrando em detalhes sobre intimidades do casal na hora do vamos ver...

O maquiavelismo deu certo, para desespero dos rondonopolitanos: o armador do União parecia mais uma figura decorativa dentro do campo, completamente desnorteado. E à medida que ele ia se irritando com ofensas, gozações e ironias de Rafael, mais o jogador colorado errava os passes, comprometendo a atuação de todo o time. O desempenho do armador foi tão pífio, em função do seu desequilíbrio emocional, que ele pediu ao seu treinador para não voltar para o 2º tempo do jogo...

Com o gênio do União aniquilado no 1º tempo e fora de combate na etapa complementar, o CEOV conseguiu sair do Estádio Luthero Lopes com um suado empate pela contagem de 2x2. O placar garantiu ao tricolor várzea-grandense a decisão do título de 2006 contra o Barra do Garças FC, conquistado com duas vitórias: por 2x1 lá no Zeca Costa e por 2x0 no Verdão...  

quinta-feira, 8 de março de 2018

Uma viagem folclórica de Joaquim de Assis e Schardosin em busca de reforços para o Dom Bosco

Assis não viajou mais com Schardosin...

O Dom Bosco estava precisando com urgência reforçar sua zaga central para disputar o Campeonato Brasileiro de  1978. No mercado da bola em Mato Grosso zagueiros centrais de alto nível eram mangas de colete e o presidente dombosquino Joaquim de Assis decidiu buscar dois jogadores da posição em outros estados.

E lá se foram Joaquim de Assis e o supervisor de futebol Newton Schardosin para São Paulo em busca dos jogadores pretendidos. A primeira parada dos dois seria Piracicaba, onde pretendiam conseguir junto ao XV de Novembro os reforços que buscavam. Se não desse certo. tentariam outros mercados...

Definida a viagem, na Belina de Joaquim de Assis, dirigida por Schardosin, pegaram a BR-364 e foram até Jataí, em Goiás, pois haviam decidido chegar a Piracicaba entrando pelo Triângulo Mineiro. Depois de 15 horas de viagem, abasteceram o carro no Posto Triângulo, antes de Uberlândia e após um rápido descanso, para um lanche, caíram no mundo...

Como tinham pressa, decidiram viajar a noite inteira para o destino final, Piracicaba. Quando o dia já estava amanhecendo, a toda hora Assis dizia a Schardosin: “Tenho certeza que já passamos por aqui...” 

O supervisor Schardosin desconversava e continuava afundando o pé no acelerador, com a convicção de quem supostamente conhecia muito bem o terreno onde estava pisando...
­­­– Schardosin, eu tenho certeza... “ – Já sei, presidente, o senhor acha que... mas está enganado... – cortava Schardosin..

Quando o dia amanheceu, os dois constataram, para desespero de Schardosin, que estavam chegando a Alto Araguaia, voltando para Cuiabá...

Cansado e chateado, Joaquim de Assis deu a ordem a Schardosin: “Siga em frente, vamos pra casa...”

Dominado pelo cansaço, agravado pela noite insone ao volante do carro, Schardosin procurou ganhar tempo, buscando atalhos para retornar a Cuiabá...

Nunca mais Joaquim de Assis viajou por via terrestre com Schardosin...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Dirceu Batista foi agredido por Felipão no Verdão e não conseguiu revidar a ofensa

Felipão agrediu Dirceu Batista e
 não lhe deu chance de revide
O Dom Bosco jogava no Verdão contra o Caxias, de Caxias do Sul, pelo Campeonato Brasileiro de 1977. No time gaúcho, um zagueiro central  despontava entre os demais e, claro, chamava atenção da torcida, onde quer que o Caxias jogasse. Seu nome de guerra: Felipão.

Mas o destaque não ficava por conta de suas virtudes técnicas que pudessem lembrar nem de longe dois zagueiros centrais que marcaram época no futebol brasileiro na década de 60: Aírton, do Grêmio Porto-alegrense, e Mauro Ramos de Oliveira, do Santos, que jogavam com uma elegância que deixava os torcedores extasiados...

Ao contrário de Aírton e Mauro Ramos, Felipão era bruto que só uma porta. Privilegiado por um físico avantajado, o zagueirão caxiense batia pra valer nos adversários, com a complacência de juízes pusilânimes que muitas vezes fingiam que não viam suas pancadas nos rivais para não se meterem em encrencas com ele...

Depois de uma carreira relativamente longa no futebol, sem muito destaque fora de seus pagos, Felipão, cujo nome é Luiz Felipe Scolari, decidiu virar técnico de futebol. E foi graças a sua a filosofia de jogar bola batendo nos adversários, que o Brasil e conquistou a Copa do Mundo de 2002, disputada simultaneamente no Japão e na Coréia do Sul, ganhando da Alemanha por 2x0 na final.

Com a seleção brasileira ameaçada de não se classificar para a Copa do Mundo disputada no Oriente, com a recusa sistemática dos técnicos para assumir o comando da equipe, a CBF apelou para Felipão, que aceitou o desafio, mas impôs uma série de condições. Uma delas: que ninguém  metesse o bedelho na sua filosofia de trabalho.

Na realidade, Felipão repetia a filosofia do falecido jornalista esportivo João Saldanha, que em 1970 convocou e treinou uma seleção de machos. Suas instruções aos jogadores: se levassem uma pancada, retribuíssem com duas, três... quantas fossem necessárias para mostrar quem era o bom do pedaço.

Saldanha que deixou o comando da seleção por não concordar com interferência no seu trabalho, chegou a mandar um recado, através da imprensa, ao todo poderoso e temido presidente da República, Garrastazu Médici, que queria a convocação de Dadá Maravilha, do Internacional: “O senhor manda no Brasil, na seleção mando eu...”

Se a brutalidade de Felipão influenciou ou não no resultado, o fato é que o Caxias venceu o Dom Bosco por 1x0. No segundo tempo, o volante Dirceu Batista foi para a área do Caxias para tentar o gol na cobrança de um escanteio. E subiu, na disputa da bola aérea, com Felipão, em uma jogada normal. Mas o zagueiro gaúcho aproveitou o lance para dar um violento tapa no rosto de Dirceu Batista.

– Isso não vai ficar assim... – reagiu Dirceu Batista, encarando o adversário.           

– Não vai mesmo! Sua cara vai inchar pra caralho!... – retrucou Felipão

E inchou mesmo... – lembra recorda o ex-jogador do Dom Bosco

Dirceu Batista passou o resto do jogo tentando se vingar da humilhação, mas Felipão, muito esperto e desconfiado, não lhe deu a menor chance de revidar a agressão...    


sábado, 27 de janeiro de 2018

Diretor do Departamento de Árbitros chupou laranja do vestiário do Dom Bosco e ficou meio doidão

Mão-de-Onça nem via a bola entrar... (A Gazeta)
Verdão completamente lotado para o jogo entre Dom Bosco e Ceará pelo Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão. O Sol muito quente fazia aumentar a temperatura no estádio com tanta gente junta. Enfim, um calor infernal.

Naquela fase de ouro do futebol de Mato Grosso, nas décadas de 70 e 80, a torcida achava esquisito alguns jogadores correrem os 90 minutos feito uns loucos debaixo de um Sol abrasador. Torcedores mais ladinos suspeitavam que debaixo daquele angu tinha caroço, mas...

E tinham razão. Sem ter a mínima noção dos riscos a que estavam se expondo, muitos jogadores tomavam por conta própria medicamentos que supostamente aumentavam suas energias. Muitas vezes no próprio vestiário, antes de entrar em campo.

Mas tinha também jogadores que não aceitavam de jeito nenhum serem dopados. Ou pelo menos pensavam...

O Dom Bosco, por exemplo, teve em seu Departamento Médico um profissional, o popular doutor Guto, já falecido, que não concordava com a prática muito usual dos times de dopar os jogadores para tirar o máximo proveito de suas energias em campo.

Ao invés de aplicar drogas nas laranjas geladinhas que eram consumidas em grande quantidade pelos jogadores no intervalo das partidas, ele determinava ao massagista que injetasse nelas caldo de cana, que em sua opinião tinha um resultado muito mais positivo...

Claro que o massagista cumpria rigorosamente sua ordem, mas como essa parte do seu trabalho era confidencial, junto com a deliciosa garapa ele socava os energéticos mais usados como doping e geralmente recomendados por treinadores ou diretores...

Naquele jogo aconteceram algumas coisas estranhas, lembra até hoje o diretor dombosquino Álvaro Scolfaro. Uma delas: o eficiente lateral direito Tuca não conseguia correr atrás do ponteiro esquerdo Tiquinho, que marcou, no primeiro tempo, todos os gols da vitória do Ceará sobre o Dom Bosco por 5x0.

Outra: o goleirão Mão-de-Onça parece que nem via bola estufar as suas redes, para desespero de seus companheiros e do treinador Orlando Peçanha, clássico zagueiro que fez sucesso no Vasco da Gama e na Seleção Brasileira.

Intervalo do jogo no Verdão. O diretor do Departamento de Árbitros da FMF, Joaquim Ramalho dos Santos entrou no vestiário do Dom Bosco, cumprimentou a todos e se dirigiu ao bebedouro do vestiário para tomar água. Mas a água estava quente e suja...

Ramalho virou-se e viu uma caixa de isopor cheia de laranjas, descascadinhas e geladinhas. Passou a mão em uma e mesmo advertido que as laranjas eram exclusivamente para os jogadores, chupou a que pegou e até fez um comentário: “Que laranja deliciosa, está com gosto de caldo de cana!...”

Fim de intervalo, os times voltaram para o campo e Ramalho também para o seu lugar. Decorridos uns 20 minutos do 2º tempo e o diretor do Departamento de Árbitros mostrava-se agitado e indócil.

A certa altura do jogo, quando o árbitro marcou uma falta contra o Dom Bosco e com a qual ele não concordou, Ramalho gritou a todo pulmão: “Juiz ladrão, toma vergonha na cara...!”

Rapidamente, foi levado para o vestiário, onde ficou até se acalmar. E ao que se sabe, nunca mais Ramalho chupou laranjas de vestiário de jogadores de futebol...    
(Republicado por falhas no registro de acessos). 

    

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Por causa de um bife, Dirceu Batista comprometeu uma carreira muito promissora no futebol


Dirceu  Batista com
o irmão Edmilson,
 também jogador, mas amador
1970: o jovem Dirceu Batista, que os mato-grossenses conhecem muito bem pelas suas brilhantes passagens pelo Dom Bosco e o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense havia sido aprovado nos rigorosos testes e passaria a integrar a base do Clube Atlético Mineiro.

A euforia de Dirceu Batista era plenamente justificada: a base daquele ano do “Galo Carijó” tinha alguns jovens que já começavam a se destacar no clube e acabaram se tornando craques consagrados, como Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo, Campos...

Desse quarteto de ouro atleticano, certamente os atleticanos da velha guarda não se esquecem de Reinaldo e Toninho Cerezo, ambos convocados pela Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Mundial de 1978 na Argentina.

Sem conseguir administrar o sucesso com a bola, Reinaldo acabou se enveredando pelos caminhos das drogas. Ele disputou 37 jogos pela Seleção Brasileira, marcando 14 gols.

Mas Reinaldo acabou se redimindo, dando a volta por cima,,elegendo-se deputado estadual de Minas Gerais e depois vereador de Belo Horizonte. Entretanto, de seu futebol requintado, restou a saudade de sua meteórica carreira de jogador de bola...

Uma certa tarde daquele distante 1970, depois de um coletivo do Atlético, os jogadores foram jantar no restaurante da “república” do “Galo” Alguns jogadores da bajulada base do clube também.

Depois que os jogadores do time principal jantaram, o técnico atleticano Barbatana juntou-se ao grupo da base, chamou a cozinheira do restaurante e lhe disse: “Se sobrar um bife, dê para esse menino!. Ele é dos nossos...” – disse Barbatana, apontando para Dirceu Batista 

-- Nós nunca ouvimos isso do nosso pai lá em casa...” – disse consigo mesmo Dirceu Batista, que se levantou e foi embora para nunca mais voltar ao reduto atleticano...

domingo, 7 de janeiro de 2018

Djalma quase apanhou dos colegas do Dom Bosco por comemorar gol que não havia marcado...


Djalma quase apanhou... (Foto Otmar de Oliveira)
Depois de uma cansativa viagem que durou mais de 20 horas em um velho ônibus da Transporte Interestadual Baleia (TIB), a delegação do  Clube Esportivo Dom Bosco chegou a Campo Grande, no sábado à noite, para jogar no domingo pela manhã com o Operário, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol  de 1968 ou 69. Por aí...

Mais do que uma louca aventura, a viagem foi “um horror” -- recorda o dirigente dombosquino  Álvaro Scolfaro. Além do ônibus velho e sem qualquer conforto, a precariedade das estradas que ligavam Cuiabá e Campo Grande obrigava os jogadores a descer várias vezes para, no puro muque, arrancar o veículo de sucessivos atoleiros.

Chovia adoidado em Campo Grande. A partida estava marcada para as 10 horas e mesmo sem menor perspectiva do tempo melhorar, Operário e Dom Bosco decidiram realizar o jogo. Até porque já haviam sido vendidos antecipadamente muitos ingressos e devolver o dinheiro dos torcedores significava mais prejuízos para os dois clubes.

Com a escuridão que imperava no Estádio Belmar Fidalgo, em virtude do temporal, acompanhado de raios e ensurdecedores trovões, só restava aos jogadores chutar a bola de qualquer jeito. Para agravar a situação, o velho estádio, construído em 1933, não possuía iluminação.

O primeiro tempo terminou com o placar em branco. Mas no início do segundo tempo, o Operário conseguiu marcar um gol para alegria da torcida que estava se divertindo, e muito, com o futebol aquático que os dois times estavam apresentando, com alguns tombos acrobáticos dos jogadores, levando o público ao delírio.

Quando tudo indicava que o placar não seria alterado, aos 40 minutos foi lançada uma bola na área do Operário. O centro avante dombosquino Djalma dominou a bola, encobriu o arqueiro operariano e, com o gol vazio, virou-se para comemorar o empate com os companheiros...

Na sua euforia, Djalma estranhou que os companheiros, como ele, levantavam os braços, mas de maneira bem desesperada. Só aí Djalma percebeu que os companheiros estavam chamando sua atenção, porque a bola tinha ficado  presa em uma poça d’água, sem ultrapassar a linha sob o travessão, permitindo ao goleiro voltar e pegá-la...

Por ter comemorado um gol que não marcou, Djalma andou perto de levar uns cascudos dos companheiros lá dentro do campo mesmo!...     

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

No jogo do Operário com o Palmeiras em São Paulo, torcedor explodiu contra Dirceu Batista

Dirceu Batista (Arquivo Pulula)
O Clube Esportivo Operário Várzea-grandense enfrentava o Palmeiras, no antigo Estádio Palestra Itália, pelo Campeonato Brasileiro de 1982. Integrado por jogadores do nível técnico de Luiz Pereira, Aragonês, João Marcos e tantos outros craques consagrados, o alviverde impunha seu ritmo de jogo como bem entendia.

Nem bem a bola rolou no campo, um torcedor postado atrás da área onde ficava o banco de reservas do clube várzea-grandense, começou a gritar: “Põe o 13...”, “Põe o 13...”

O 13 a quem o torcedor se referia era o número da camisa do “coringa” Dirceu Batista, que fazia de tudo para não dar ouvidos às provocações, porém não tinha jeito: o cara não parava de gritar.

E o Palmeiras só balançando as redes do tricolor: em mais ou menos 17 minutos de jogo, o time mato-grossense já havia levado três gols, o que foi deixando o torcedor cada vez mais irritado. E furioso.

A certa altura do jogo, Dirceu Batista decidiu encarar o torcedor que estava pegando tanto no seu pé, sem um motivo aparente. Dirceu Batista foi virando a cabeça bem devagar, de forma quase imperceptível, e quando o olhar dos dois se cruzaram, o torcedor explodiu:

“Você deve ser ruim de bola pra caralho para ser reserva de um time tão ruim como esse aí...”

E toma impropérios e xingamentos contra Dirceu Batista. Certamente, o desbocado era torcedor de outro clube e havia comparecido ao Palestra Itália na esperança de ver uma derrota do Palmeiras...   

Dirceu Batista não abriu a boca. Levantou-se e caminhou debaixo de um temporal daqueles de tirar pica-pau do oco do pau para o vestiário, de onde nem voltou para o banco de reservas, porque em seguida, o juiz encerrou o jogo por causa da violenta chuva que desabava sobre o estádio. Mas o Operário ainda fez seu golzinho de honra...  

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Suplemento vitamínico do Dom Bosco fazia todo o time ejacular em pleno jogo...

Leal, ex-técnico do Dom Bosco (Arq. 3º Tempo)
Há muitos anos passou pelo Dom Bosco o treinador João Leal Neto, ou simplesmente o Leal, que havia tido uma passagem brilhante pelo São Paulo FC, como médio volante, e decidiu se aventurar pela profissão de técnico de futebol depois que encerrou a carreira de boleiro.

Depois de comandar o azulão em alguns jogos sob o calorão de Cuiabá, Leal chegou a conclusão que estava faltando um suplemento vitamínico para os jogadores melhorarem a performance dentro de campo e o time deslanchar, o que estava demorando acontecer...

Foi aí que Leal lembrou-se que quando jogava, era comum a boleirada receber uma vitamina injetável chamada “Doca”. Discutida a questão com alguns diretores, coube ao “faz tudo” no Dom Bosco Álvaro Scolfaro sair atrás do milagroso suplemento vitamínico para resolver o problema da falta de vitórias do clube.

Encontrada a tal “Doca”, foi comprado um estoque razoável do produto. Diante da curiosidade do farmacêutico pela compra feita pelo Dom Bosco, Scolfaro explicou-lhe a finalidade das injeções, e ele, sorridente, esclareceu que aquele produto era para uso exclusivo em relações sexuais...

Apesar da advertência do farmacêutico, como a utilização da ”Doca” era comum nos grandes centros esportivos do Brasil, o Dom Bosco foi em frente e aplicou a droga injetável na boleirada.no dia do primeiro jogo, em um domingo. Não aconteceu nada, embora os jogadores tenham corrido um pouco mais, pois cientes da aplicação do suplemento vitamínico, muita gente deu uma “maneirada” no sábado à noite...

No domingo seguinte, foi feita nova aplicação da “Doca” e nada do time deslanchar, como esperava o treinador Leal, com base nas experiências que havia tido como jogador, inclusive no São Paulo FC, clube que defendeu durante muitos anos...

Veio o terceiro domingo e com ele a reação dos boleiros que pediram a Scolfaro que o clube não aplicasse mais neles antes do jogo a tal de “Doca”...

-- Mas por que? – quis saber Scolfaro.

A resposta veio em coro: quando eles entravam em campo e começavam a correr, sentiam que estavam ejaculando...


A aplicação da “Doca” foi suspensa imediatamente...   

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Mixtenses foram para a rodoviária a pé para não apanhar da torcida do União

Mixto, grande paixão de dona Pepe. (Arquivo Mixto)
Caminhando apressadamente, na realidade, quase correndo... – foi assim que um pequeno grupo de torcedores do Mixto Esporte Clube, conseguiu cobrir com rapidez a distância que separava o Estádio Luthero Lopes da antiga Estação Rodoviária de Rondonópolis para fugir da fúria da torcida do União que queria se vingar da derrota que o alvinegro cuiabano havia infligido ao clube rondonopolitano em seus próprios domínios, pelo Campeonato Mato-grossense de 1975.

-- Ainda bem que o estádio ficava próximo da rodoviária, senão a gente estava lascado... – recorda Nelson Tomás, naquela época um menino e que depois virou o Nelsinho’s, cabeleireiro dos mixtenses e em atividade até hoje – ele teve que se submeter recentemente a um rigoroso tratamento médico e só volta a trabalhar em fevereiro próximo.

Nem bem os mixtenses chegaram a Estação Rodoviária, apareceram no local alguns policiais militares para dar-lhes proteção na eventualidade da torcida do União descobrir que um grupo de alvinegros já estava deixando a cidade. Os PMs só deixaram a rodoviária depois que o ônibus que conduzia os torcedores cuiabanos partiu rapidamente,com toda segurança.

-- Por sorte nossa, naquela época, poucas pessoas possuíam carro e retornamos tranqüilos, sem riscos de torcedores nos abordarem no meio do caminho. Mas que foi um sufoco, foi!... – recorda outro fanático adepto mixtense que participou da aventura.

Embora a torcida mixtense presente ao Luthero Lopes fosse relativamente numerosa, provavelmente o que mais irritou a massa do União foi o barulho feito pelo pequeno grupo de torcedores que se reunia quase que diariamente defronte a gráfica e dona Pepe,na Rua 7 de Setembro, quase defronte a Igreja Senhor dos Passos, para buscar meios de viajar quando o Mixto jogava fora de Cuiabá.

Entre o grupo de jovens, figuravam Pelezinho -- que nada tem a ver com o lendário Pelezinho, do gol olímpico em Mazaropi -- e filho adotivo de dona Pepe e Talharim. Como torcedora fanática e fundadora do Mixto, ela até que gostaria que os dois virassem jogadores do clube do seu coração, mas qual o quê!..

Nesse dia da grande confusão em Rondonópolis, o grupinho, com dona Pepe à frente, chegou à cidade às 11 horas, com a turma varada de fome.  Dona Pepe não vacilou: pagou um lanche caprichado para a rapaziada numa lanchonete da rodoviária para que os meninos tivessem ânimo e pulmão para gritar “Mixtão”, “Mixtão”, “Mixtão”, durante todo o jogo...

A velha guarda do Mixto até hoje não chega a um acordo sobre qual das duas torcedoras símbolos do clube  -- dona Pepe e Nhá Barbina --  era mais fanática pelo alvinegro. Havia, porém, uma grande diferença entre as duas: dona Pepe era mais diplomática,e\comedida, enquanto Nhá Barbina não se importava de armar um barraco em qualquer lugar, quando se tratava de torcer ou defender o seu Mixto.

Como aconteceu no estádio de São Januário no jogo de volta entre Vaso da Gama e Mixto pelo Campeonato Nacional de 1976. Quando um grupo de torcedores cruzmaltinos tentou agredir uns poucos mixtenses que tinham ido ao Rio de Janeiro assistir ao jogo, Nhá  Barbina sacou o seu inseparável 38 cano curto e ameaçou: “Soco bala em quem der o primeiro passo na nossa direção!....” Ninguém se atreveu....      
    . .

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Depois do jogo do Dom Bosco no Maracanã, Churica ia trazer água, mas trouxe areia para a vovó sentir o sabor do mar...

O time do Dom Bosco: que jogou no Maracanã; da esquerda 
  para a direita, em pé, Scolfaro (técnico) Tyresoles 
(massagista), Miro, Luiz Carlos, Clóvis, Saborosa, Ramão,
Darci Piquira, Edu Levy (médico) e Fioravante Fortunato
  (supervisor); agachados, Joilton, Vladimir, Damasceno,
 Pereira e Abreu. (Foto Marcos Lopes)  
Alguns jogadores do Dom Bosco, que estava realizando um rápido “tour” pelo Rio de Janeiro, depois do empate contra o São Cristóvão na preliminar do amistoso Brasil 1 x Áustria 0, na fase final de preparação da seleção canarinho para disputar o Campeonato Mundial de 1970 no México, estranharam quando na paradinha na praia de Copacabana o lateral direito Churica tirou de sua bolsa uma garrafinha de tampa de rolha e a encheu com água do mar...
De volta ao ônibus, o meia armador Franklin, bom de bola que só ele, intelectual, estudante de Direito, e um tremendo gozador, perguntou a Churica porque ele estava levando a garrafinha daquela água imprópria para consumo humano. E Churica explicou, educadamente, que estava atendendo a um pedido de sua avó, que vivia em Cuiabá, e queria sentir o sabor da água salgada do mar... 

Franklin não perdeu a deixa e tascou: “A água do mar não é salgada, Churica! Salgada é a areia...” 

Churica não vacilou: desceu do ônibus, esvaziou a garrafinha e a encheu de areia...

Ninguém teve coragem de contestar Franklin, com medo de sua língua ferina, claro...

O rápido “tour” pelo Rio de Janeiro, em ônibus fretado, foi um prêmio que o clube decidiu dar aos jogadores em reconhecimento à brilhante atuação que o azulão tinha tido contra o São Cristóvão na tarde daquele histórico dia 29/4/1970 – foi a primeira vez que um time de Mato Grosso pisou no Maracanã – no empate de 1x1. Tanto é que além dos protestos dos torcedores contra a arbitragem a favor do time carioca, a própria imprensa carioca admitiu que o Dom Bosco havia sido escandalosamente roubado...

Decorridos mais de 47 anos da exibição do Dom Bosco no Maracanã, até hoje muita gente não entende como um clube sem expressão no futebol brasileiro conseguiu o extraordinário feito de jogar no grande estádio carioca, justamente numa preliminar da Seleção Brasileira. Mas a façanha dombosquina tem uma explicação, sim...

Afilhado de batismo do presidente da Confederação Brasileira de Desportos (CBD), João Havelange, o presidente da Federação Mato-grossense de Desportos (FMD), Agripino Bonilha Filho, não perdia uma oportunidade para dar um toque no poderoso padrinho sobre o seu sonho de ver um dia um time de Mato Grosso, jogando no Maracanã. Em sua gestão, naturalmente... – entre 1969 e 1976.

Com a oficialização do amistoso do Brasil com a seleção austríaca, um dia Havelange falou do sonho de Bonilha Filho com Mozart Di Giórgio, diretor de Relações Internacionais, e Abílio D’Almeida, superintendente, respectivamente, da CBD. Com aprovação dos dois, o três pesos pesados da CBD decidiram na hora que um clube de Mato Grosso jogaria na preliminar do amistoso internacional e até escolheram seu adversário: o São Cristóvão, do qual D’Almeida chegou a ser presidente... 

Claro que o fato de Bonilha Filho ser afilhado de Havelange pesou e muito na aprovação da preliminar, pois Giórgio e D’Almeida nem sabiam que existia em Mato Grosso um clube de futebol chamado Dom Bosco. Coube a Bonilha indicar o representante de Mato Grosso para enfrentar o São Cristóvão. E ele escolheu o Dom Bosco, que estava em boa fase.

No Rio de Janeiro, a delegação do Dom Bosco não ficou alojada em hotel e sim no 3º andar do Maracanã, onde os jogadores inclusive faziam suas refeições. Como a delegação tinha que cumprir rigorosamente os horários fixados pela administração do estádio para acesso às suas dependências, os jogadores não dispunham de muito tempo para conhecer a “Cidade Maravilhosa”, o que puderam fazer na segunda-feira, depois do jogo no domingo.

O chefe da delegação dombosquina, Giórgio Fava, recorda até hoje a preleção que o farmacêutico e supervisor do azulão, Fioravante Fortunato, fez ainda no alojamento, antes das instruções finais do técnico Álvaro Scolfaro ao time, falando sobre a responsabilidade da equipe numa preliminar de um jogo tão importante – o Brasil ganhou da Áustria, com um gol de Rivelino, de falta.

Lembrou Fortunato que o Dom Bosco era uma gotinha d’água na imensidão do oceano e por isso pediu o empenho de todos para o Dom Bosco fazer bonito e honrar o futebol mato-grossense. O pedido de Fortunato foi atendido além dos limites que a torcida dombosquina poderia esperar, com uma exibição de gala, mas o juiz não deixou o azulão ganhar ... 




quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Presepada de Lino Miranda


“Enquanto eu tiver mãos para segurar caneta e folhas de cheque para assinar, compro qualquer jogador para o Mixto...” – costu­mava dizer Lino Miranda, inclusive em reuniões de clubes na FMF, dando gar­galhadas. E comprava mesmo. Aliás, tanto comprava como vendia. Era cada rolo!
Na sua longa passagem pelo Mixto, como presidente e diretor do Departamento de Futebol Profissional, Lino Miranda aprontou cada presepa­da! Tanto é que em Maringá, no norte do Paraná, ele era chamado pelos tor­cedores do Grêmio Esportivo Maringá de “Frente Fria”. Por um simples moti­vo: quando Lino Miranda aparecia na cidade para fazer algum negócio com o GEM, a torcida já sabia que, de um jeito ou de outro, o clube maringaense ia entrar numa gelada.
Recorda Roberto de Jesus César, ex-jogador de futebol, treinador in­clusive do próprio Mixto, comentarista esportivo e muito amigo de Lino Mi­randa, que teve um período em que o dirigente alvinegro era chamado, até pelos jogadores, de Doutor Mentira. Por quê? Simplesmente porque Lino Mi­randa vendia jogadores do clube e não entregava; comprava dos outros e não pagava...
É muito conhecida uma história envolvendo Lino Miranda, a CBF, o Americano, de Campos-RJ e o zagueiro Orlando Fumaça, cujo passe o dirigen­te mixtense comprou com um cheque com assinatura falsificada, colocando na fogueira o nome de uma pessoa muito ligada ao futebol em Mato Grosso. O rolo virou processo e foi parar na CBF, mas acabou bem, como sempre, com vantagem para o Mixto: após alguns meses no alvinegro, Orlando Fumaça foi negociado com o Vasco da Gama-RJ por um dinheirão.
Tempos depois da armação, Lino Miranda foi à CBF cuidar de ques­tões relacionadas ao Mixto e aproveitou para conversar com Giulite Coutinho para explicar em detalhes a tumultuada transferência de Orlando Fumaça para o alvinegro, a fim de justificar que a pessoa cuja assinatura no cheque tinha sido falsificada não teve nenhuma culpa na lambança que ele havia aprontado pra cima do Americano.
Segundo uma versão alardeada por Lino Miranda no seu retorno a Cuiabá, ele deu a seguinte explicação ao mandachuva da CBF para ter aplicado o golpe no Americano: o time do Mixto que estava disputando o Campeonato Mato-grossense de 1988 tinha um bom ataque, mas a defesa estava feia que dava dó. Levava gols de tudo quanto era jeito.
E Lino Miranda tinha um motivo até humano para comprar Orlan­do Fumaça para arrumar a defesa. Seu filho, ainda menino, era torcedor tão fanático do Mixto que quando o alvinegro perdia o garoto ficava doente, não ia à escola, só tirava notas baixas e até se tornava rebelde em casa e na rua. Nem psicólogo tinha dado jeito na louca paixão do menino pelo Mixto.
– Foi num momento de fraqueza, porém pensando no bem do meu filho que eu fiz aquilo, presidente, o senhor há de entender a aflição de um pai... – arrematou Lino Miranda.
– Pois, olhe, Lino, eu enfrento o mesmo drama. Tenho um menino  que é louco pelo Botafogo... logo pra quem ele foi torcer! É padecer demais ver o meu garoto sofrendo daquele jeito...
Quase chorando um no ombro do outro num fraternal abraço de pais sofredores por causa do futebol, os dois se despediram...
Detalhe: Lino Miranda nunca teve filho homem...
Bonachão, sempre bem-humorado, às vezes Lino Miranda não pou­pava nem pessoas da sua estrita confiança. Certa vez, ele precisou ir a Goiás para acertar a vinda de alguns jogadores do futebol goiano para o Mixto e levou consigo o técnico Hélio Machado e o radialista Antero Paes de Barros. A viagem, por terra, foi feita no carro do treinador.
Antes da partida, Lino Miranda simulou tomar um comprimido e entregou um para Antero e outro para Machado, recomendando: “É pra gente relaxar e viajar mais tranquilo. Peguei com meu irmão...”
O irmão a que Lino Miranda se referia era o médico Emílson Miran­da, que naquela época tinha um hospital – o São Paulo – na Morada do Sol.
Na primeira parada do trio para fazer um lanche, nem o suco que Machado e Antero pediram desceu. Imagine o lanche, então...
Chegou a hora do almoço. Lino Miranda comeu um engasga gato qualquer e seus companheiros de viagem nem pediram nada porque sabiam que a comida ia ficar entalada na garganta. E não queriam correr risco de en­gasgar e passar vergonha num restaurante...
Exceto o fato de Machado e Antero terem perdido alguns quilos, pois não conseguiam comer nada, tanto na ida como na volta, nem na curta permanência em Goiânia, a viagem transcorreu normalmente. E Lino, como sempre, foi bem-sucedido na sua empreitada de conseguir os reforços que o Mixto pretendia...
Algum tempo depois, Machado e Antero descobriram que os com­primidos que Lino Miranda havia lhes dado não era um relaxante coisa ne­nhuma e sim um poderoso inibidor de apetite...

Como zeloso dirigente do Mixto, Lino Miranda queria fazer econo­mia para o clube. E conseguiu, mesmo que às custas da fome de dois apaixo­nados mixtenses...

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Jogadores do Comercial dormiram uniformizados em uma Delegacia de Polícia depois de tumulto no Dutrinha

O Dutrinha sempre foi palco de muitas brigas
Dom Bosco e Comercial, de Campo Grande (hoje capital de Mato Grosso do  Sul), iam disputar mais um jogo oficial em 1967. Dutrinha lotado, como sempre acontecia nos confrontos entre os dois tradicionais rivais do norte e do sul do gigantesco Mato Grosso ainda indiviso.

Apesar da importância da partida e da rivalidade entre Dom Bosco e Comercial, policiamento no estádio só o do Batalhão de Caçadores (16º BC), formado à última hora, com soldados à paisana, “pegos a laço”, que tinham ido ao Dutrinha para ver o jogo e não para trabalhar...

Mas quem teria coragem de desafiar a ordem do coronel do Exército Hélio de Jesus da Fonseca, presidente da então Federação Mato-grossense de Desportos, e não integrar o pelotão que estava sendo formado no estádio para dar segurança ao espetáculo?

Até porque, se não bastasse à ordem do oficial de alta patente, quem ia apitar o jogo era o sargento, também do Exército, Osmar Marques, que precisava mesmo de proteção naqueles tempos de muita pancadaria nos campos de futebol de Mato Grosso...

Jogo muito pegado, disputado com muita empolgação pelos dois times. Lá pelas tantas, o zagueiro Aderbal, do Comercial, deu uma entrada mais violenta em um jogador do Dom Bosco e o sargento-juiz não teve dúvidas: expulsou o indisciplinado de campo...

Aderbal não se conformou com a decisão do juiz, aproximou-se dele e deu um violento soco no nariz de Osmar Marques, provocando a fratura do nasal do árbitro e, consequentemente, abundante sangramento. Começou então uma pancadaria generalizada entre os jogadores e os reservas dos dois clubes.

A patrulha do Exército entrou em campo para proteger o árbitro e depois de muito custo conseguiu contornar a situação. Mas os defensores do Comercial queriam continuar o tumulto, criando uma confusão atrás da outra. Socos, chutes, empurrões, xingamentos, corriam por todos os lados dentro do campo...



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Cancelada a confraternização da velha guarda do futebol cuiabano

A velha guarda fica de novo  sem a festa 
 Mais uma vez, a Confraternização dos Ex-Atletas, Dirigentes e Comunicadores do Futebol Cuiabano, tradicionalmente realizada há mais de uma década no dia 15 de novembro, vai passar de novo em branco este ano, a exemplo do que aconteceu em 2016. Motivo: o principal organizador da confraternização da velha guarda do futebol cuiabano, Totó de Arruda, ex-jogador e ex-presidente do Dom Bosco, teve que ser submetido às pressas a uma cirurgia cardíaca em São Paulo e vai ter que ficar em repouso durante três meses.

O local da confraternização já estava definido – seria de novo na Associação Atlética Banco do Brasil – o churrasqueiro contratado, os convites impressos para ser distribuídos. Mas aí Totó teve que fazer um risco cirúrgico para ser operado de uma hérnia inguinal e os exames revelaram que ele estava com três artérias praticamente entupidas e tinha que ser submetido urgentemente a uma cirurgia para desobstruí-las. O procedimento cirúrgico já foi feito com sucesso, ficando a remoção da hérnia inguinal para depois da sua completa recuperação.

A confraternização do futebol da velha guarda cuiabana vinha sendo realizada sucessivamente há mais de dez anos, até que em 2011, o então vice-governador Chico Daltro, empolgado com o sucesso da festa, decidiu que o governo estadual passaria a bancar o evento. E bancou mesmo, mas apenas durante dois anos, descaracterizando a festa do futebol, pois inclusive passou a homenagear, à custa do dinheiro público, pessoas que nada tinham a ver com os esportes mato-grossenses.

   

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ameaçado por se recusar a participar de congá, Ruiter acabou como herói...

Ilustração do Google
-- Você vai cortar a nossa corrente, Ruiter! E se a gente não ganhar, vamos jogar a torcida contra você. Vamos, sim!...

Essa ameaça passou a ser feita pelos jogadores mixtenses, quando ficaram sabendo que Ruiter não iria participar de um “trabalho de descarrego” lá pelas bandas da Salgadeira, recorrendo à ajuda de forças do além para garantir um resultado positivo dentro do campo naquele final de semana.

O jogo era contra o Operário Várzea-grandense pelo Campeonato Estadual de 1971 e apesar de o Mixto contar com um time poderoso, integrado por craques do nível técnico de Ruiter, Wilson, Arnô, Valtinho, Rômulo, Remo, Darci Piquira, Felinto e Felizardo (recentemente falecido), o treinador Roberto França  não queria correr riscos de sofrer uma derrota.

Para França, que estava se aventurando na carreira de treinador de futebol, depois de uma rápida passagem pelo Palmeirinhas, a vitória sobre o Operário seria muito significativa. Por isso, ele não vacilou em levar a rapaziada para um trabalho especial de macumbaria. 

Lito, que jogou muitos anos no Mixto, lembra que nos velhos tempos do futebol da fase amadorista e mesmo com o advento do profissionalismo, havia uma verdadeira guerra entre pais-de-santo dos terreiros e tendas que se espalhavam por Cuiabá e Várzea Grande, principalmente nas noites de sextas-feiras, quando espíritos, inclusive das trevas, baixavam nos centros de macumba para atender pedidos dos congueiros para interferirem em resultados nos jogos de futebol.

Dom Bosco, Mixto, Palmeirinhas, Operário, União, de Rondonópolis, disputavam, muita
s vezes a peso de ouro, os serviços dos principais macumbeiros da região, conforme registros de domínio público. Dependendo dos exus e outras divindades que baixavam nos centros de umbanda, os clubes tinham que investir pesado em cachaças e charutos de alta qualidade para atender as exigências das divindades...

O Operário, por exemplo, gastava muito dinheiro com as sucessivas vindas a Cuiabá do pai-de-santo Carrapato para realizar “trabalhos” em favor do tricolor. O eterno dirigente operariano Rubens dos Santos não economizava dinheiro para trazer Carrapato de Corumbá para "proteger" seu clube nos jogos mais importantes.

Com o passar dos anos, essa tradição de clubes de futebol de todos os níveis recorrerem aos terreiros para pedir ajuda de espíritos para conseguirem resultados positivos foi desaparecendo. Contribuiu para isso a crise econômica que chegou também em cheio aos terreiros de macumba, conforme se pode constatar nos “despachos” que ainda são feitos nas noites de sextas-feiras em algumas encruzilhadas da periferia da Grande Cuiabá...

Segundo alguns jogadores do Mixto que participaram do “despacho” nas imediações da famosa Salgadeira, realizado numa sexta-feira à noite, muitos deles tiveram sérios problemas estomacais depois do “trabalho” e andaram perto de nem poder entrar em campo no grande clássico...

O esperado clássico foi disputado no Dutrinha, como sempre, lotado. O Mixto ganhou o jogo pela contagem mínima, gol de Ruiter, que de ameaçado e até xingado pelos companheiros por se negar a participar do “descarrego”, virou o grande herói do triunfo alvinegro...