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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Muito amigo de Pelé, o cuiabano Almiro foi a 1ª vítima de racismo do Dom Bosco

Almiro (Arq. pessoal de Lito)
A grande confusão que o falecido jogador de futebol, farmacêutico, professor de Educação Física e carnavalesco João Batista Jaudy aprontou no Dom Bosco, inclusive obrigando o azulão a suspender uma monumental noitada no carnaval de 1973, disparando balas de dois revólveres para todos os lados no seu interior, não foi a única vez que o mais antigo clube de Mato Grosso se envolveu num sururu dos diabos, acusado de prática de racismo.

Bem antes do episódio protagonizado por Batista Jaudy, lá por meados da década de 1970, o meia armador Almiro, cuiabano de tchapa e cruz, venerado por todos os mato-grossenses pelo fato de jogar no todo poderoso Santos FC, ao lado de Pelé, Dorval, Mengálvio, Lima, Clodoaldo, Pagão, Pepe e outros astros consagrados, estava se recuperando de uma contusão na casa de seus familiares em Cuiabá e resolveu participar de um jantar dançante do Dom Bosco.

Mas o pessoal da portaria não deixou Almiro entrar sob o pretexto de que ele não era associado, condição da qual o Dom Bosco não abria mão para quem quisesse frequentar o clube. Muito culto, Almiro entendeu que estava sendo vítima de discriminação racial, um sentimento que começava a aflorar com força no Brasil, porém ao contrário do que fez Batista Jaudy, não reagiu à ofensa pessoal.

Antes de deixar as dependências do Dom Bosco, Almiro foi reconhecido e alguns diretores reconsideraram a decisão, franqueando as portas do clube ao famoso futebolista cuiabano. Mas Almiro, com a cultura digna de um intelectual que falava fluentemente inglês, francês, alemão e outros idiomas e era quem servia de intérprete de Pelé nas andanças do Santos pelo mundo entre 1965/69, agradeceu a gentileza dos diretores do azulão, virou as costas e foi embora...

Claro que a atitude discriminatória do Dom Bosco chegou com a velocidade de um raio aos ouvidos do maior língua ferina do rádio de Mato Grosso: Ivo de Almeida. Na época, Ivo de Almeida tinha um programa de rádio chamado “O futebol passado a limpo”, na Difusora Bom Jesus de Cuiabá. E caiu de pau em cima do Dom Bosco, fazendo a agressiva ofensa do Clube da Colina Iluminada a Almiro chegar, com a força de seu poder e influência de comunicador,  às tinas populares...

Foi nessa ocasião que o polêmico Ivo de Almeida cunhou a expressão “Clube da elite”, para se referir ao Dom Bosco. Só que o radialista usava a expressão não no sentido da verdadeira acepção do termo, mas, sim, com o objetivo de denegrir a imagem do azulão, buscando sempre, de forma irônica e sarcástica, jogar o clube contra a torcida mato-grossense.

Completamente cego, Almiro vive a muitos anos em Salvador-BA. Velho amigo de Almiro, Lito, considerado por torcedores saudosistas como o melhor centroavante que já passou pelo Mixto, em todos os tempos, garante que algumas pessoas de cor frequentavam o Dom Bosco embora não fossem associados. Entre elas, o universitário Fábio Firmino Leite.

– A diferença entre os dois é que Almiro era jogador de futebol e Fábio, que inclusive virou nome de bairro na capital (o “Doutor Fábio”) foi o primeiro cardiologista negro cuiabano... – afirma Lito. Ou, se preferirem, médico veterinário Manoel de Aquino Filho. (Republicado por falhas no sistema de acesso).                           

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

A folclórica e gloriosa passagem do lendário Mão-de-Onça pelo Dom Bosco...

Mão-de-Onça, uma lenda do futebol de MT

Numa certa manhã de 1976, o diretor Álvaro Scolfaro chegou à sede do Dom Bosco, no Morro da Colina Iluminada, e viu o gerente de Futebol, Carlos Gaúcho, dando coices até na própria sombra de tanta raiva. E ele tinha suas razões para estar tão furioso: considerado um sujeito muito astucioso, Carlos Gaúcho não se conformava pelo fato de ter sido vítima de sua própria suposta esperteza.

É que dias antes, Carlos Gaúcho chegou ao clube e encontrou na escadaria que dava acesso às suas dependências um mendigo que se dizia jogador de futebol e que havia chegado do sul do Mato Grosso indiviso – o estado foi fracionado em 1977, pelo presidente Ernesto Geisel, sem sequer comunicar ao então governador Garcia Neto – para defender o gol do Dom Bosco. O jogador que Gaúcho tratou como um mendigo e o expulsou do clube era simplesmente  Mão-de-Onça, que acabou se tornando uma lenda do futebol mato-grossense ...

Foi um bafafá daqueles no Dom Bosco quando os dirigentes ficaram sabendo da mancada – para não dizer outra coisa... – de Carlos Gaúcho, pois fazia mais de duas semanas que o clube esperava Mão-de-Onça chegar de Dourados onde defendia o Ubiratan, para assinar contato com o azulão. Depois de uma verdadeira caçada pelas ruas de Cuiabá, o goleiro foi encontrado e levado para a “república” do clube.

Mão-de-Onça, que teve também brilhantes passagens pelo Mixto e o Operário Várzea-grandense, jogou no Dom Bosco durante muitos anos. E ao longo de sua militância nos três clubes, nas décadas de 70 e 80 sempre foi considerado o melhor goleiro do futebol mato-grossense. Mão-de-Onça, cujo nome de batismo era João Ferreira Ramos, morreu o ano passado em Cuiabá, aos 69 anos, vítima de infarto fulminante, provocado pelo alcoolismo.

Uma das muitas renovações de contrato de Mão-de-Onça com o Dom Bosco  passou para a história do clube. Ele tinha um Passat bem usado e para continuar no clube, exigiu, como parte de luvas, um carro do mesmo modelo, mas mais novo. O diretor que negociava com Mão-de-Onça não pechinchou: – “A gente dá o seu como entrada na concessionária e pega um mais novo...”

– O senhor não entendeu. Eu vou ficar com os dois... – foi a resposta de Mão-de-Onça. E ficou mesmo com os dois carros na garagem...

O goleiro era louco por som em carros. Tanto é que os seus dois Passat eram equipados com som da maior potência e qualidade, que inclusive ocupavam todo o espaço dos bancos de passageiros.

Apesar dos dois carros na garagem, Mão-de-Onça, só podia utilizar um deles. Motivo: o Dom Bosco tomou do seu goleiro as chaves de um dos carros quando descobriu que Mão-de-Onça não via a hora dos treinos acabarem, de manhã ou à tarde, para pegar a BR-070 e ir para Barra do Garças passar umas horas com uma professora que havia conhecido durante um evento educacional em Cuiabá.

O Dom Bosco não se preocupava se Mão-de-Onça estava acabando com seu carro na esburacada e poeirenta ou lamacenta rodovia que liga as duas cidades, mas com a possibilidade do seu goleiro sofrer um acidente fatal na sua desvairada aventura para curtir o novo amor...  (Republicado por falha no sistema de acesso).    

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

União arrancou do gramado Santo Antonio enterrado de cabeça pra baixo, mas não evitou goleada...


O União Esporte Clube ia enfrentar o Internacional pelo Campeonato Amador de 1984, de Juara. O mando de jogo era do Internacional e seria realizado no seu campo, de terra, onde o time costumava cantar de galo.  E cantava mesmo, principalmente quando enfrentava adversários habituados a jogar em campos gramados, como era o caso do União.

O Internacional era muito temido pelos adversários por um motivo: seu presidente,  conhecido como Miúdo, gozava da fama de ser um macumbeiro da pesada, o que para quem acredita na interferência do Além no futebol, explicava as surpreendentes vitórias que o time conquistava de vez em quando contra fortes adversários. Seu filho e treinador do Inter, João Chinelo, também era chegadinho numa macumbinha...

No decorrer da semana, os dois eternos dirigentes do União – Luís Casquinha e Priminho Riva – foram surpreendidos por uma proposta de Miúdo: a inversão de mando do jogo. Claro que os dois dirigentes do UECJ toparam a parada, pois entre jogar num campo gramado e um de terra, a preferência seria para o primeiro, evidentemente.

Mas no sábado, Casquinha decidiu dar uma passada pelo estádio municipal, palco do jogo, e observou nas imediações do círculo central do gramado o que parecia ser um buraco. Casquinha se aproximou do local e viu que a terra havia sido removida e cavado um buraco na grama, onde estava enterrada uma imagem de Santo Antonio, de mais ou menos um metro de altura, de cabeça pra baixo...

Imediatamente, Casquinha comunicou o fato a Priminho Riva. E os dois decidiram então arrancar o santo do gramado e levar a imagem, disfarçadamente, para a missa noturna, celebrada aos sábados, na Igreja Católica. O propósito de levar a imagem para a missa era eliminar os efeitos da  macumba de Miúdo e proteger o União no importante jogo do dia seguinte...

Não adiantou nada o esforço de Casquinha e Priminho: o União Juara levou uma goleada de 4x0. “Foi uma “achocolatada” daquelas!” – recorda Priminho até hoje...

O futebol profissional nunca foi o forte de Juara. O União Esporte Clube Juara, fundado em 1980, até que tentou, mas não foi bem sucedido, embora tenha disputado a primeira fase do Campeonato Mato-grossense da 1ª Divisão de 1993. As grandes distâncias das sedes dos municípios do Estado foram o grande empecilho do UECJ. Para jogar em Barra do Garças, por exemplo, o clube tinha que percorrer, ida e volta, cerca de três mil quilômetros...

No entanto, no futebol amador Juara sempre se destacou. E com o correr do tempo, a rivalidade entre clubes tradicionais foi se consolidando e se tornando cada vez mais forte. Os velhos, principalmente entre União, Vila Nova e Internacional, arrastavam multidões de torcedores aos campos onde eram disputados. E é natural que esse fanatismo pelos clubes muitas vezes acabavam desaguando até em pancadarias mais feias do que briga de foice no escuro.

Como aconteceu no longínquo 1984 em uma semifinal entre o União e Vila Nova. Às vésperas do jogo, o vice-presidente do União, Priminho Riva, procurou o presidente Luís Casquinha, para reforçar que o clube tinha que ganhar o jogo, não importava como. Ficou decidido que Casquinha ia procurar o juiz da partida, Valdevir, que já tinha sido goleiro do União, para “facilitar” a vida do clube...

Começou o jogo e Priminho ficou atrás do gol do time adversário, gritando para que seus atacantes caíssem na área para Valdevir marcar um pênalti, conforme tinha sido combinado. Lá pelas tantas, o avante Anderson, suspeitando que um zagueiro do Vila Nova ia lhe dar uma entrada mais violenta, jogou-se no chão, num lance completamente isolado. O juiz não vacilou e marcou o pênalti...

Mas a torcida percebeu que o jogo não passava de um baralho com cartas marcadas para classificar o União para a final, invadiu o campo, que evidentemente não tinha alambrado, e o pau comeu solto. A confusão foi tão grande que até hoje, decorridos 34 anos, o título do Campeonato Amador daquele ano ainda não foi decidido. E nem será, porque os times daqueles velhos tempos nem existem mais...        
              

terça-feira, 24 de julho de 2018

Para escapar da fúria da torcida, União Juara pagou por jantar que não consumiu...



Empolgado pela boa campanha que vinha realizando no Campeonato Mato-grossense da 2ª Divisão de 1991, o União Esporte Clube Juara, pioneiro no futebol profissional no município do mesmo nome, no Médio Norte, foi enfrentar a Associação  Atlética Alta Floresta, no Estádio Maestrão.

Embora o futebol seja um esporte marcado pela rivalidade que às vezes chega às raias da insensatez, não passava pela cabeça de ninguém que aquele o jogo acabaria se transformando numa verdadeira batalha campal dentro e fora do gramado, com muitas jogadas violentas por parte dos defensores altaflorestenses  e ameaças da torcida de pegar os juarenses.

Tanto é que depois da partida, que terminou empatada pela contagem mínima, a delegação do UECJ, que subiu naquele ano para a 1ª Divisão do ano seguinte, teve que sair do estádio sob a proteção da Polícia Militar.

A fúria dos torcedores com o empate que classificou Juara, era tamanha contra os juarenses que a delegação visitante não pôde nem jantar em Alta Floresta, embora com a refeição já paga  adiantadamente. A delegação só saciou a fome quando chegou a Colíder, onde fez a refeição antes de retornar a Juara.

Se o clima tenso predominou no decorrer do jogo, a situação piorou ainda mais nos minutos finais, quando torcedores passaram a jogar pedaços de paus dentro de campo para intimidar os jogadores visitantes.

A atitude dos torcedores locais passou a ser interpretada como  uma maneira de amedrontar os jogadores visitantes, que temiam ser vítimas de agressões físicas, já que verbais eram inúmeras e constantes.

Da raiva da torcida altaflorestense não escapou nem o pessoal da crônica esportiva que fazia cobertura do jogo. O radialista Aparício Cardozo, que transmitia a partida pela Rádio Tucunaré, de Juara, viveu momentos de pânico quando grupos de torcedores começaram a sacudir em sincronia a cabine de madeira de onde ele narrava o jogo no Maestrão, na tentativa de derrubá-la, amedrontando a equipe esportiva da emissora.

Depois de muito bate-boca, empurrões e ameaças de agressões, finalmente a delegação juarense saiu do estádio. Mas foi por pouco, porque torcedores foram flagrados por dirigentes do UECJ tentando esvaziar e furar os pneus do ônibus da delegação. Os juarenses só se acalmaram depois que o ônibus deixou a MT-419, que liga a BR-163 com Alta Floresta, e rumou para Colíder...

O ex-prefeito de Juara e então vereador Priminho Riva acompanhou a delegação do UECJ – fundado em 10/10/1980 – nesse jogo histórico do clube e inclusive trabalhou como repórter da Rádio Tucunaré, auxiliando o narrador Aparicio Cardozo. Foi ele quem bancou o almoço em Alta Floresta no domingo e pagou antecipadamente o jantar para garantir que o pessoal não voltasse para Juara de barriga vazia.

No início da semana, Priminho Riva ligou para a dona do restaurante onde a delegação jantaria no domingo à noite na tentativa de ser ressarcido do prejuízo, pois pagou pelas refeições que não foram servidas e nem consumidas.

Mas a dona do restaurante ponderou que inclusive já havia gasto o dinheiro que recebera adiantadamente para preparar o jantar para as 36 pessoas que integravam a delegação juarense.  “A comida foi toda  jogada fora. Eu fiz a minha parte, se vocês não comeram, o problema não é meu...” –  argumentou a mulher cheia de razão.

Priminho Riva concordou e nunca mais tocou no assunto com ela...    


sexta-feira, 13 de julho de 2018

Uma viagem tumultuada em ônibus de linha do Palmeirinhas para jogar em Barra do Garças


O Palmeiras ia jogar com o Barra do Garças Futebol Clube, no Estádio Zeca Costa, pelo Campeonato Mato-grossense de 1985 ou 1986, ninguém sabe com certeza. O que aparentemente seria um evento esportivo comum, tinha um significado especial: a data do jogo coincidia com a do aniversário de Barra do Garças – fundada no dia 13/6/1924 – e foi incluído nas festividades da cidade para fechar com chave de ouro a programação. De preferência com uma vitória, para completar a festa...

A saída da delegação do velho clube do Porto foi marcada para a antiga sede da extinta Prosol, no bairro Dom Aquino, um dia antes do jogo. A moçada palmeirense  estava animada, primeiro porque ia participar das festas do povo barragarcense e segundo pelo fato de que o técnico Admir Moreira poderia contar com seus principais jogadores, entre eles Gérson, Zequinha, Baiano, Éder Taques, Gaguinho, Carlinhos...

Carlinhos era o filho mais jovem do presidente palmeirense Délio de Oliveira e despontava como uma grande promessa do futebol mato-grossense. Mas, apesar do incentivo e do apoio do pai, Carlinhos não teve a mesma sorte do irmão William, que foi ainda garoto para o Vasco da Gama, do Rio de Janeiro, e fez muito sucesso no futebol carioca, jogando também pelo Flamengo.

Estava tudo pronto para a viagem de cerca de 500 quilômetros pela já asfaltada BR-070 entre Cuiabá e Barra do Garças, porém um imprevisto mudou o que estava planejado. Em cima da hora prevista para embarque da delegação alviverde, a empresa contratada para transportar a delegação informou a Délio de Oliveira que o ônibus disponibilizado para a viagem havia sofrido uma avaria mecânica e ela não poderia cumprir o compromisso...

O presidente palmeirense não perdeu tempo: correu para o Terminal Rodoviário de Cuiabá e comprou mais de 20 passagens para a delegação  pegar um ônibus que já estava saindo para Barra do Garças. Mas não dava tempo para o pessoal sair do Dom Aquino e chegar à rodoviária para embarcar...

A solução foi amontoar todos os membros da delegação com suas respectivas bagagens em uma caminhonete e tocar a toda velocidade para a Avenida Fernando Correia da Costa, onde em uma parada de coletivos nas imediações da Trêscinco, o ônibus de linha estacionou rapidamente para o embarque da delegação palmeirense.

E o que seria uma viagem tranquila em um veículo especial, com direito a travesseiros, água gelada e cafezinho, acabou sendo feita em um “pé duro”, como eram chamados os ônibus de linha que trafegavam pela BR-070, que liga Cuiabá a Barra do Garças, antes da rodovia ser asfaltada no governo de Júlio Campos, entre 1983/1986.

A desastrada viagem do Palmeirinhas para Barra do Garças teve um  ingrediente a mais: quando a delegação alviverde passou pela reserva indígena Sangradouro, em Primavera do Leste (230 quilômetros de Cuiabá), um numeroso grupo de índios xavantes invadiu o ônibus, assustando os passageiros e sem querer saber se havia ou não bancos disponíveis para se sentarem. E não havia...

Da cansativa e desconfortável viagem dos palmeirenses, restou um consolo: apesar de todas as dificuldades que a delegação enfrentou para chegar a Barra do Garças, o alviverde fez uma boa exibição no Zeca Costa e venceu o jogo pela contagem mínima, estragando a festa dos barragarcenses. O gol foi marcado no primeiro tempo por Baiano – recorda o hoje técnico de futebol Éder Taques, um dos participantes da aventura palmeirense, como jogador...     

terça-feira, 3 de julho de 2018

Um gol de Pastoril e um chute em um equipamento de rádio acabaram com o sonho de dois locutores


O Barra do Garças Futebol Clube ia disputar um jogo importante pelo Campeonato Mato-grossense de 1979 no Estádio Zeca Costa contra o ainda poderoso Mixto, que tinha em suas fileiras craques consagrados como Ernani, Miro, Remo, Rômulo, Fabinho, Arildo, Marcinho e Pastoril. E a Rádio Aruanã, de Barra do Garças, a pioneira do Vale do Araguaia, decidiu transmitir a partida.

Dizem que a ideia partiu dos locutores Paulo Emílio e Jota Fonseca, este já falecido, que pretendiam fazer um teste sobre a reação do mercado publicitário da cidade, cuja economia vivia uma fase muito promissora, com a implantação de vários projetos de colonização e agropecuários no município. Se fosse positiva, poderia abrir as portas para outras transmissões, com a venda de quotas de publicidade para garantir o faturamento da emissora e dos dois, claro...

Como à época a Rádio Aruanã nem Departamento de Esportes tinha, os dois foram encarregados da transmissão do jogo, com Jota Fonseca ficando com a narração, uma experiência nova em sua carreira no rádio, e Paulo Emílio encarregado de fazer os comentários. A exemplo do companheiro, que nunca tinha narrado um jogo de futebol, Paulo Emílio não entendia bulhufas de futebol.

Na falta de cabines no então acanhado Zeca Costa, os dois montaram a parafernália de equipamentos no campo, do lado de dentro do alambrado. Apesar da improvisação, a transmissão prosseguia normalmente, com Paulo Emílio e Jota Fonseca empolgados com o jogo e com o placar favorável ao time da casa,  pela contagem mínima.

Mas no 2º tempo, Jota Fonseca, visivelmente irritado com Pastoril, que estava acabando com o jogo, não se conteve quando o meia armador mixtense empatou o jogo e desferiu um violento pontapé e um dos equipamentos da transmissão, mandando-o longe. Acabou ali, no gol de Pastoril, o projeto da Aruanã e dos seus dois locutores...

sábado, 16 de junho de 2018

Um trote de jogadores em companheiros do Dom Bosco em Corumbá terminou em gargalhadas...


De avião, claro, lá se foi o Dom Bosco para Corumbá para jogar com o Corumbaense Futebol Clube e o Marítimos pelo Campeonato Estadual de 1975 do Mato Grosso indiviso. Naquele tempo, por causa das dificuldades de transporte por terra e por água em um estado com 1,230 milhão de km2, os jogos oficiais com os dois representantes de Corumbá eram atrelados para se evitar cansativas viagens.

O primeiro jogo do Dom Bosco foi em um domingo contra o Corumbaense. No sábado, alguns boleiros do azulão – entre eles, Dirceu Batista e o goleiro Saldanha – saíram do hotel onde estavam concentrados para dar um “rolé” pela cidade. E viram, sem serem vistos, em um bar outro grupo de jogadores, entre os quais Lúcio Bala, Gaguinho, Fidélis e o mordomo Tyresoles. Na parede, o telefone do bar...

Foi aí que o grupinho de Dirceu Batista decidiu passar um trote nos companheiros. Alguém ligou para o bar, como se fosse de uma rádio de Corumbá e, com a voz dissimulada, marcou uma entrevista com todos eles no hotel. Gaguinho, que sempre se considerou muito esperto – quando jogou no CEOV, o zagueiro vivia passando a perna no eterno dirigente Rubens dos Santos... – ficou como uma espécie de porta-voz da turma.

Quando o grupo de Dirceu Batista voltou para o hotel, encontrou o pessoal que estava no bar todo eufórico, esperando o pessoal da rádio para conceder entrevistas. Os jogadores já tinham até tomado banho, trocado de roupa, passado perfume, ensaiado mentalmente respostas para as perguntas dos entrevistadores...

Toda vez que cruzava com os companheiros no hotel, o grupinho de Dirceu Batista dava um toque em Lúcio Bala, Gaguinho e Fidélis, perguntando sobre a entrevista. Só de sacanagem! E a resposta dos três era sempre a mesma: “Estamos sabendo...”

Só depois de muitas risadas é que o grupo liderado por Gaguinho ficou sabendo que a esperada entrevista não passava de um trote. E se alguém não tivesse dado com a língua nos dentes, Lúcio Bala, Gaguinho e Fidélis estariam esperando para conceder a entrevista até hoje...    

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Repórter setorista do Operário não teve como narrar ao vivo a agressão que sofria no Estádio Mané Garrincha

O Clube Esportivo Operário Várzea-grandense jogava no Estádio Mané Garrincha contra o Tangará pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2009. Jogo bem equilibrado, marcado por uma ou outra jogada mais violenta de ambos os lados.

A certa altura do 2º tempo, com o tricolor de Várzea Grande vencendo pela contagem mínima e que foi o resultado final da partida, dois jogadores adversários se desentenderam, os reservas do time da casa entraram em campo e os operarianos também, e o pau comeu solto.

Depois de muito “pega pra capar”, como dizem os torcedores, os ânimos foram serenados e o jogo chegou ao fim sem maiores consequências. Apesar do clima tenso que imperou no Mané Garrincha depois do sururu...

Quando ia saindo do campo, que havia invadido durante a confusão, um diretor do Tangará passou por um radialista dentro do alambrado e perguntou-lhe quem era ele...

– Sou o Lacerda Cintra, da Rádio Cultura de Cuiabá, repórter setorista do Operário. Estou aqui fazendo a cobertura do jogo...
– Ah, é!... – Então vai levar umas “bolachadas” também...

E tome porradas no radialista que havia registrado nos mínimos detalhes o festival de pancadarias no campo, mas, surpreendido, não teve como narrar ao vivo os bofetões que estava levando no Mané Garrincha...

Percebendo o que acontecendo com Lacerda Cintra, diretores e integrantes da Comissão Técnica do Operário correram em seu socorro, afastando o radialista do agressivo dirigente do time tangaraense. Livre das garras do agressor, Cintra desabafou:

– Eu vim de Cuiabá para cumprir meu trabalho e aqui no Estádio Mané Garrincha e sou agredido por um membro da comissão técnica do time da casa. Mas isso não vai ficar assim! Vou procurar os meus direitos... 

Entretanto, a ameaça de Cintra foi feita em um momento de pura raiva, pois no retorno a Cuiabá, o radialista não quis nem saber de registrar um Boletim de Ocorrências na Polícia Civil para dar início a um processo contra seu agressor.

Mas, ao que se sabe, o radialista nunca mais voltou a Tangará da Serra para cobrir um evento esportivo, principalmente no Estádio Mané Garrincha...

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Repórter de campo foi demitido por defender ”jabá” e retardar grito de gol no Dutrinha


Já convivendo com o fantasma do rebaixamento para a 2ª Divisão – que  acabou se consumando...  – o Operário Futebol Clube Ltda., jogava contra o Sinop FC no Dutrinha, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2011. 

Decididamente, aquele 2011 foi um ano para a torcida operariana apagar da memória. Se o tricolor não ia bem dentro de campo, fora dele é que o bicho pegava mesmo pra valer, com muitos problemas tumultuando a vida do clube...

O Operário FC Ltda. começou o desastrado ano sob a presidência de Daniel Terroso, conhecido também como “presidente do vinho”, por causa de sua indústria do ramo de bebidas, caiu para a segundona com Maninho de Barros e subiu para a 1ª Divisão no mesmo ano sob o comando de César Augusto Farias Scheiter, o César Gaúcho, que havia aprontado poucas e boas na presidência do clube e assumiu, no ano seguinte, o CEOV e do qual foi escorraçado no final da temporada...

Lembra o radialista Igor Gabriel que naquele jogo atuava como repórter de campo da equipe de esportes da Rádio Cultura de Cuiabá um jovem locutor, cujo nome não vem ao caso, que recebia um jabazinho, por fora, para, durante as transmissões esportivas da emissora, sempre que era possível, divulgar o nome do “presidente do vinho”...

Numa dessas ocasiões em que o radialista defendia seu jabazinho, já no fim do jogo, o Operário FC Ltda. marcou, através de Jackson, o gol que acabou dando a vitória ao tricolor por 2x1. Como o repórter não parava de falar, o narrador Jorginho Mussa, chefe da equipe de esportes, berrou para o companheiro: “Posso, pelo menos, gritar o gol?...”

O repórter de campo desligou rapidamente seu microfone e Jorginho, com relativo atraso, soltou a voz: “Gooooool do Operário, gooooool de Jackson...”

No dia seguinte ao jogo, quando chegou a emissora para trabalhar, o repórter recebeu uma desagradável notícia: estava demitido...         


segunda-feira, 30 de abril de 2018

Jogador uruguaio amaldiçoou diretores de clubes por causa de calote do Operário Ltda.


Rebaixado para a 2ª Divisão em 2011, ao perder para o Sorriso, que, aliás, teve curta passagem pelo futebol profissional de Mato Grosso, apesar do município que representava ser uma potência econômica, como o maior produtor de soja do Brasil – posição que ostenta até hoje – o Operário Futebol Clube Ltda., decidiu que voltaria para a 1ª Divisão no ano seguinte para recuperar seu prestígio perante sua pequena e então desmotivada torcida.

A decisão estava tomada e era definitiva. Mas na hora do vamos, de por em prática o projeto do tricolor voltar ao no topo do futebol mato-grossense, ninguém da sua diminuta diretoria queria pegar o boi pelos chifres. Principalmente porque a situação financeira do OFC Ltda. não era lá muito animadora.

Decidiu-se então que o clube buscaria a solução fora de Várzea Grande, cuja população nunca viu com bons olhos a dissidência que resultou no surgimento do novo clube da cidade para salvar o velho CEOV. Ou até mesmo fora de Mato Grosso, pois a ascensão do tricolor à principal divisão do futebol do Estado era uma questão de honra...

A escolha do “salvador” do OFC Ltda. recaiu sobre uma pessoa completamente desconhecida dos várzea-grandenses: César Augusto Scheidtes Farias, que logo se tornou conhecido pelo apelido que trouxe de suas paragens do interior paulista – César Gaúcho. Eleito presidente em um pleito repleto de suspeições, Cesar Gaúcho começou a trabalhar para fazer o Operário FC Ltda. campeão.

O dinheiro para as contratações, inclusive as mais caras, como foram os casos de Narciso, do Santos FC, e do uruguaio Acosta, goleador implacável, jorrava fácil. Soube-se mais tarde que César Gaúcho tinha assumido o clube várzea-grandense com um único objetivo: lavar dinheiro suspeito de um amigo do interior paulista. Daí a dinheirama...

Entre uma atrapalhada e outra, César Gaúcho deu o cano em muita gente em Várzea Grande. Como aconteceu com o uruguaio Acosta. Na assinatura de um contrato de três meses, o jogador exigiu e recebeu R$ 40 mil de luvas, ficando combinado que no final do certame o clube lhe pagaria mais R$ 30 mil.

No acerto de contas no fim do campeonato, com o OFC Ltda. de volta à 1ª Divisão, César Gaúcho deu a Acosta um cheque de R$ 20 mil pouco antes do presidente entrar em um avião para uma viagem sem retorno para algum lugar desse gigantesco Brasil... E ao que se sabe, até 2013, quando o documento bancário perdeu a validade, o jogador não havia conseguido descontar o “voador” por falta de fundos...

Acosta foi embora de Mato Grosso amaldiçoando tudo quanto era diretor de clubes de futebol profissional do estado, como se dirigentes do Mixto, Dom Bosco, União, Sinop, Luverdense, Cuiabá, Cacerense e outros mais tivessem culpa dos calotes que César Gaúcho deu em tanta gente na sua passagem por Mato Grosso...    

sábado, 21 de abril de 2018

Trama no vestiário no intervalo do jogo levou o CEOV a golear o Luverdense



Operário e Luverdense disputavam um jogo muito tenso no Verdão, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 2005. Tenso e violento, com as duas equipes distribuindo pancadas de tudo quanto era jeito. A violência chegou a tal ponto que o tricolor de Várzea Grande trocou de campo no intervalo com seus três zagueiros – Marcelo do Ó, Peta e Baiano – pendurados com dois cartões amarelos cada um.

No ritmo em que o jogo transcorria tudo indicava que um deles ser expulso de campo era questão de tempo. Até porque o juiz Edílson Ramos da Mata, que não tinha medo de cara feia, muito menos de pressão dos boleiros, não estava para brincadeira. Muito pelo contrário...

Os tricolores fizeram um pacto no vestiário: o primeiro dos três que fosse expulso armaria uma confusão daquelas para provocar a exclusão da partida de um jogador do Luverdense. Afinal, a vitória para o Operário era muito importante e por isso o time não podia correr o risco de ficar com um jogador a menos em campo.

Não deu outra: no 2º tempo, não demorou muito, e Baiano baixou o sarrafo sem dó nem piedade em Felipe Pinto e foi expulso na hora por Edílson da Mata. Conforme havia sido planejado no intervalo, o próprio Baiano armou o circo: passando o braço direito pelas costas do adversário, o operariano cravou as unhas no canto do olho direito de Felipe Pinto e puxou com toda força, rasgando um pedaço da sua pele...

Quando sentiu a dor, Felipe Pinto, que já havia se levantado do chão, não teve dúvidas: bem na frente do juiz, desferiu um soco na cara de Baiano. O jogador Godói, do Luverdense, tomou as dores do companheiro que estava com olho sangrando, e também partiu furiosamente para cima de Baiano. E o tempo fechou pra valer...

Depois de alguns minutos de grande confusão, com xingamentos, palavrões, murros, pontapés e tudo mais, o árbitro Ramos da Mata expulsou Baiano, do Operário, e Godói e Felipe Pinto, do Luverdense. Serenados os ânimos, o juiz reiniciou o jogo e conseguiu levá-lo até o fim...

Com um jogador a mais em campo, o tricolor várzea-grandense não teve dificuldades para vencer o time de Lucas do Rio Verde pela contagem de 5x1, gols de Grilo, Rinaldo (2), Peta e Kiko. Claro que a vitória conquistada com uma trama bem urdida no intervalo da partida foi muito comemorada no vestiário pelos jogadores e diretores do tricolor...          

terça-feira, 10 de abril de 2018

Maquiavelismo na semifinal ajudou o CEOV a ser campeão estadual em 2006


Depois de “rodar” em grande estilo por diversos clubes brasileiros e fazer sucesso também na Turquia e na China, países onde ganhou muito dinheiro, veio parar no futebol mato-grossense em 2006, mais precisamente no União, de Rondonópolis, um talentoso meia armador carioca, cujo nome não vem ao caso para não comprometer alguns personagens dessa história, muitos dos quais ainda estão vivinhos da silva...

O jogador chegou a Rondonópolis com o prestígio em alta, inclusive dirigindo um reluzente Classe A, lançamento da Mercedes Benz do Brasil. Com um carrão daqueles, venerado pela torcida, que via nele o grande artífice das vitórias do clube, com seus lançamentos precisos para os atacantes balançarem as redes dos adversários e longe da família, que ficara em Campos-RJ, o boleiro não demorou para engatar um romance com uma rondonopolitana...

Mas por ironia do destino e também pela convivência que o futebol proporciona, a amada do meia armador acabou conhecendo um alto dirigente do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense e, meio vida torta como era ela, a mulher decidiu mudar de parceiro na aventura amorosa, trocando um pelo outro. O virtuoso jogador de bola ainda tentou reverter a situação, mas acabou perdendo mesmo a parada para o dirigente operariano...

Sob a orientação do armador carioca dentro do campo, o União estava botando pra quebrar no Campeonato Mato-grossense de Futebol daquele ano. Para orgulho da torcida colorada, o União já era apontado como um dos favoritos para conquistar o título da temporada, pois vinha realizando uma campanha das mais brilhantes, fruto, naturalmente, da atuação de seu genial jogador.

A semifinal do certame foi disputada justamente entre União e CEOV, no Estádio Luthero Lopes, em Rondonópolis, em um único jogo. A grande preocupação do tricolor várzea-grandense era o meia armador colorado, que fazia mesmo a diferença dentro de campo...

Mas aí uma mente maquiavélica operariana descobriu uma fórmula para impedir que o astro do União complicasse a vida do tricolor, com seus precisos passes para os atacantes. A fórmula operariana: desestabilizar emocionalmente o jogador do poderoso time adversário...

Antes de o Operário entrar em campo, chamaram o zagueiro Rafael e lhe deram uma missão especial: sem se preocupar em jogar futebol, ele devia passar o tempo todo provocando o armador do União, lembrando que sua amada – o boleiro não tinha desistido de reconquistá-la – tinha virado amante de um diretor operariano, inclusive entrando em detalhes sobre intimidades do casal na hora do vamos ver...

O maquiavelismo deu certo, para desespero dos rondonopolitanos: o armador do União parecia mais uma figura decorativa dentro do campo, completamente desnorteado. E à medida que ele ia se irritando com ofensas, gozações e ironias de Rafael, mais o jogador colorado errava os passes, comprometendo a atuação de todo o time. O desempenho do armador foi tão pífio, em função do seu desequilíbrio emocional, que ele pediu ao seu treinador para não voltar para o 2º tempo do jogo...

Com o gênio do União aniquilado no 1º tempo e fora de combate na etapa complementar, o CEOV conseguiu sair do Estádio Luthero Lopes com um suado empate pela contagem de 2x2. O placar garantiu ao tricolor várzea-grandense a decisão do título de 2006 contra o Barra do Garças FC, conquistado com duas vitórias: por 2x1 lá no Zeca Costa e por 2x0 no Verdão...  

quinta-feira, 8 de março de 2018

Uma viagem folclórica de Joaquim de Assis e Schardosin em busca de reforços para o Dom Bosco

Assis não viajou mais com Schardosin...

O Dom Bosco estava precisando com urgência reforçar sua zaga central para disputar o Campeonato Brasileiro de  1978. No mercado da bola em Mato Grosso zagueiros centrais de alto nível eram mangas de colete e o presidente dombosquino Joaquim de Assis decidiu buscar dois jogadores da posição em outros estados.

E lá se foram Joaquim de Assis e o supervisor de futebol Newton Schardosin para São Paulo em busca dos jogadores pretendidos. A primeira parada dos dois seria Piracicaba, onde pretendiam conseguir junto ao XV de Novembro os reforços que buscavam. Se não desse certo. tentariam outros mercados...

Definida a viagem, na Belina de Joaquim de Assis, dirigida por Schardosin, pegaram a BR-364 e foram até Jataí, em Goiás, pois haviam decidido chegar a Piracicaba entrando pelo Triângulo Mineiro. Depois de 15 horas de viagem, abasteceram o carro no Posto Triângulo, antes de Uberlândia e após um rápido descanso, para um lanche, caíram no mundo...

Como tinham pressa, decidiram viajar a noite inteira para o destino final, Piracicaba. Quando o dia já estava amanhecendo, a toda hora Assis dizia a Schardosin: “Tenho certeza que já passamos por aqui...” 

O supervisor Schardosin desconversava e continuava afundando o pé no acelerador, com a convicção de quem supostamente conhecia muito bem o terreno onde estava pisando...
­­­– Schardosin, eu tenho certeza... “ – Já sei, presidente, o senhor acha que... mas está enganado... – cortava Schardosin..

Quando o dia amanheceu, os dois constataram, para desespero de Schardosin, que estavam chegando a Alto Araguaia, voltando para Cuiabá...

Cansado e chateado, Joaquim de Assis deu a ordem a Schardosin: “Siga em frente, vamos pra casa...”

Dominado pelo cansaço, agravado pela noite insone ao volante do carro, Schardosin procurou ganhar tempo, buscando atalhos para retornar a Cuiabá...

Nunca mais Joaquim de Assis viajou por via terrestre com Schardosin...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Dirceu Batista foi agredido por Felipão no Verdão e não conseguiu revidar a ofensa

Felipão agrediu Dirceu Batista e
 não lhe deu chance de revide
O Dom Bosco jogava no Verdão contra o Caxias, de Caxias do Sul, pelo Campeonato Brasileiro de 1977. No time gaúcho, um zagueiro central  despontava entre os demais e, claro, chamava atenção da torcida, onde quer que o Caxias jogasse. Seu nome de guerra: Felipão.

Mas o destaque não ficava por conta de suas virtudes técnicas que pudessem lembrar nem de longe dois zagueiros centrais que marcaram época no futebol brasileiro na década de 60: Aírton, do Grêmio Porto-alegrense, e Mauro Ramos de Oliveira, do Santos, que jogavam com uma elegância que deixava os torcedores extasiados...

Ao contrário de Aírton e Mauro Ramos, Felipão era bruto que só uma porta. Privilegiado por um físico avantajado, o zagueirão caxiense batia pra valer nos adversários, com a complacência de juízes pusilânimes que muitas vezes fingiam que não viam suas pancadas nos rivais para não se meterem em encrencas com ele...

Depois de uma carreira relativamente longa no futebol, sem muito destaque fora de seus pagos, Felipão, cujo nome é Luiz Felipe Scolari, decidiu virar técnico de futebol. E foi graças a sua a filosofia de jogar bola batendo nos adversários, que o Brasil e conquistou a Copa do Mundo de 2002, disputada simultaneamente no Japão e na Coréia do Sul, ganhando da Alemanha por 2x0 na final.

Com a seleção brasileira ameaçada de não se classificar para a Copa do Mundo disputada no Oriente, com a recusa sistemática dos técnicos para assumir o comando da equipe, a CBF apelou para Felipão, que aceitou o desafio, mas impôs uma série de condições. Uma delas: que ninguém  metesse o bedelho na sua filosofia de trabalho.

Na realidade, Felipão repetia a filosofia do falecido jornalista esportivo João Saldanha, que em 1970 convocou e treinou uma seleção de machos. Suas instruções aos jogadores: se levassem uma pancada, retribuíssem com duas, três... quantas fossem necessárias para mostrar quem era o bom do pedaço.

Saldanha que deixou o comando da seleção por não concordar com interferência no seu trabalho, chegou a mandar um recado, através da imprensa, ao todo poderoso e temido presidente da República, Garrastazu Médici, que queria a convocação de Dadá Maravilha, do Internacional: “O senhor manda no Brasil, na seleção mando eu...”

Se a brutalidade de Felipão influenciou ou não no resultado, o fato é que o Caxias venceu o Dom Bosco por 1x0. No segundo tempo, o volante Dirceu Batista foi para a área do Caxias para tentar o gol na cobrança de um escanteio. E subiu, na disputa da bola aérea, com Felipão, em uma jogada normal. Mas o zagueiro gaúcho aproveitou o lance para dar um violento tapa no rosto de Dirceu Batista.

– Isso não vai ficar assim... – reagiu Dirceu Batista, encarando o adversário.           

– Não vai mesmo! Sua cara vai inchar pra caralho!... – retrucou Felipão

E inchou mesmo... – lembra recorda o ex-jogador do Dom Bosco

Dirceu Batista passou o resto do jogo tentando se vingar da humilhação, mas Felipão, muito esperto e desconfiado, não lhe deu a menor chance de revidar a agressão...    


sábado, 27 de janeiro de 2018

Diretor do Departamento de Árbitros chupou laranja do vestiário do Dom Bosco e ficou meio doidão

Mão-de-Onça nem via a bola entrar... (A Gazeta)
Verdão completamente lotado para o jogo entre Dom Bosco e Ceará pelo Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão. O Sol muito quente fazia aumentar a temperatura no estádio com tanta gente junta. Enfim, um calor infernal.

Naquela fase de ouro do futebol de Mato Grosso, nas décadas de 70 e 80, a torcida achava esquisito alguns jogadores correrem os 90 minutos feito uns loucos debaixo de um Sol abrasador. Torcedores mais ladinos suspeitavam que debaixo daquele angu tinha caroço, mas...

E tinham razão. Sem ter a mínima noção dos riscos a que estavam se expondo, muitos jogadores tomavam por conta própria medicamentos que supostamente aumentavam suas energias. Muitas vezes no próprio vestiário, antes de entrar em campo.

Mas tinha também jogadores que não aceitavam de jeito nenhum serem dopados. Ou pelo menos pensavam...

O Dom Bosco, por exemplo, teve em seu Departamento Médico um profissional, o popular doutor Guto, já falecido, que não concordava com a prática muito usual dos times de dopar os jogadores para tirar o máximo proveito de suas energias em campo.

Ao invés de aplicar drogas nas laranjas geladinhas que eram consumidas em grande quantidade pelos jogadores no intervalo das partidas, ele determinava ao massagista que injetasse nelas caldo de cana, que em sua opinião tinha um resultado muito mais positivo...

Claro que o massagista cumpria rigorosamente sua ordem, mas como essa parte do seu trabalho era confidencial, junto com a deliciosa garapa ele socava os energéticos mais usados como doping e geralmente recomendados por treinadores ou diretores...

Naquele jogo aconteceram algumas coisas estranhas, lembra até hoje o diretor dombosquino Álvaro Scolfaro. Uma delas: o eficiente lateral direito Tuca não conseguia correr atrás do ponteiro esquerdo Tiquinho, que marcou, no primeiro tempo, todos os gols da vitória do Ceará sobre o Dom Bosco por 5x0.

Outra: o goleirão Mão-de-Onça parece que nem via bola estufar as suas redes, para desespero de seus companheiros e do treinador Orlando Peçanha, clássico zagueiro que fez sucesso no Vasco da Gama e na Seleção Brasileira.

Intervalo do jogo no Verdão. O diretor do Departamento de Árbitros da FMF, Joaquim Ramalho dos Santos entrou no vestiário do Dom Bosco, cumprimentou a todos e se dirigiu ao bebedouro do vestiário para tomar água. Mas a água estava quente e suja...

Ramalho virou-se e viu uma caixa de isopor cheia de laranjas, descascadinhas e geladinhas. Passou a mão em uma e mesmo advertido que as laranjas eram exclusivamente para os jogadores, chupou a que pegou e até fez um comentário: “Que laranja deliciosa, está com gosto de caldo de cana!...”

Fim de intervalo, os times voltaram para o campo e Ramalho também para o seu lugar. Decorridos uns 20 minutos do 2º tempo e o diretor do Departamento de Árbitros mostrava-se agitado e indócil.

A certa altura do jogo, quando o árbitro marcou uma falta contra o Dom Bosco e com a qual ele não concordou, Ramalho gritou a todo pulmão: “Juiz ladrão, toma vergonha na cara...!”

Rapidamente, foi levado para o vestiário, onde ficou até se acalmar. E ao que se sabe, nunca mais Ramalho chupou laranjas de vestiário de jogadores de futebol...    
(Republicado por falhas no registro de acessos). 

    

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Por causa de um bife, Dirceu Batista comprometeu uma carreira muito promissora no futebol


Dirceu  Batista com
o irmão Edmilson,
 também jogador, mas amador
1970: o jovem Dirceu Batista, que os mato-grossenses conhecem muito bem pelas suas brilhantes passagens pelo Dom Bosco e o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense havia sido aprovado nos rigorosos testes e passaria a integrar a base do Clube Atlético Mineiro.

A euforia de Dirceu Batista era plenamente justificada: a base daquele ano do “Galo Carijó” tinha alguns jovens que já começavam a se destacar no clube e acabaram se tornando craques consagrados, como Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Reinaldo, Campos...

Desse quarteto de ouro atleticano, certamente os atleticanos da velha guarda não se esquecem de Reinaldo e Toninho Cerezo, ambos convocados pela Seleção Brasileira que disputou o Campeonato Mundial de 1978 na Argentina.

Sem conseguir administrar o sucesso com a bola, Reinaldo acabou se enveredando pelos caminhos das drogas. Ele disputou 37 jogos pela Seleção Brasileira, marcando 14 gols.

Mas Reinaldo acabou se redimindo, dando a volta por cima,,elegendo-se deputado estadual de Minas Gerais e depois vereador de Belo Horizonte. Entretanto, de seu futebol requintado, restou a saudade de sua meteórica carreira de jogador de bola...

Uma certa tarde daquele distante 1970, depois de um coletivo do Atlético, os jogadores foram jantar no restaurante da “república” do “Galo” Alguns jogadores da bajulada base do clube também.

Depois que os jogadores do time principal jantaram, o técnico atleticano Barbatana juntou-se ao grupo da base, chamou a cozinheira do restaurante e lhe disse: “Se sobrar um bife, dê para esse menino!. Ele é dos nossos...” – disse Barbatana, apontando para Dirceu Batista 

-- Nós nunca ouvimos isso do nosso pai lá em casa...” – disse consigo mesmo Dirceu Batista, que se levantou e foi embora para nunca mais voltar ao reduto atleticano...

domingo, 7 de janeiro de 2018

Djalma quase apanhou dos colegas do Dom Bosco por comemorar gol que não havia marcado...


Djalma quase apanhou... (Foto Otmar de Oliveira)
Depois de uma cansativa viagem que durou mais de 20 horas em um velho ônibus da Transporte Interestadual Baleia (TIB), a delegação do  Clube Esportivo Dom Bosco chegou a Campo Grande, no sábado à noite, para jogar no domingo pela manhã com o Operário, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol  de 1968 ou 69. Por aí...

Mais do que uma louca aventura, a viagem foi “um horror” -- recorda o dirigente dombosquino  Álvaro Scolfaro. Além do ônibus velho e sem qualquer conforto, a precariedade das estradas que ligavam Cuiabá e Campo Grande obrigava os jogadores a descer várias vezes para, no puro muque, arrancar o veículo de sucessivos atoleiros.

Chovia adoidado em Campo Grande. A partida estava marcada para as 10 horas e mesmo sem menor perspectiva do tempo melhorar, Operário e Dom Bosco decidiram realizar o jogo. Até porque já haviam sido vendidos antecipadamente muitos ingressos e devolver o dinheiro dos torcedores significava mais prejuízos para os dois clubes.

Com a escuridão que imperava no Estádio Belmar Fidalgo, em virtude do temporal, acompanhado de raios e ensurdecedores trovões, só restava aos jogadores chutar a bola de qualquer jeito. Para agravar a situação, o velho estádio, construído em 1933, não possuía iluminação.

O primeiro tempo terminou com o placar em branco. Mas no início do segundo tempo, o Operário conseguiu marcar um gol para alegria da torcida que estava se divertindo, e muito, com o futebol aquático que os dois times estavam apresentando, com alguns tombos acrobáticos dos jogadores, levando o público ao delírio.

Quando tudo indicava que o placar não seria alterado, aos 40 minutos foi lançada uma bola na área do Operário. O centro avante dombosquino Djalma dominou a bola, encobriu o arqueiro operariano e, com o gol vazio, virou-se para comemorar o empate com os companheiros...

Na sua euforia, Djalma estranhou que os companheiros, como ele, levantavam os braços, mas de maneira bem desesperada. Só aí Djalma percebeu que os companheiros estavam chamando sua atenção, porque a bola tinha ficado  presa em uma poça d’água, sem ultrapassar a linha sob o travessão, permitindo ao goleiro voltar e pegá-la...

Por ter comemorado um gol que não marcou, Djalma andou perto de levar uns cascudos dos companheiros lá dentro do campo mesmo!...