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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Juan Rolon pagou show de Os Menudos em Cuiabá com uma montanha de cédulas de Cr$ 1,00 de pouco valor...


Promover de vez em quando um grande show com artistas de renome no cenário nacional e internacional – esta foi a brilhante ideia que o presidente do Palmeirinhas, do Porto, Juan Rolon, teve para bancar a folha de pagamento do clube no Campeonato Mato-grossense de 1984 e cuja figura de maior expressão do time era Mosca. E a mais cara também. Dizem – e o próprio jogador admite – que o salário de Mosca correspondia a mais da metade do que o alviverde gastava mensalmente com o restante do plantel.

De nacionalidade argentina, Juan Rolon chegou ao Brasil disposto a virar treinador de futebol. E sua primeira experiência na profissão, uma das mais bem remuneradas do futebol mundial, foi justamente no Palmeirinhas, de forma muito estranha, sacana mesmo! Muito amigo do eterno presidente do alviverde, Délio de Oliveira, Rolon passou muito tempo ligado ao tradicional clube do Porto, como dirigente e treinador. Aliás, os dois já subiram para o andar superior, Délio de Oliveira recentemente ...

Campeonato Estadual de 1971 do Mato Grosso ainda não dividido. O Palmeirinhas jogava com o Comercial, em Campo Grande. Jogo muito difícil para o alviverde, que ainda no primeiro tempo ficou com dez jogadores em campo, em virtude da expulsão de Totó. Intervalo da primeira para a segunda etapa: os times foram para os vestiários e o treinador alviverde, Aírton Vaca Braba, ficou no gramado dando entrevistas à imprensa.        

Quando Vaca Braba chegou ao vestiário encontrou a porta fechada. Ele forçou a porta, mas ela estava trancada por dentro. O treinador não entendeu patavina do que estava acontecendo, pois precisava passar orientações aos seus pupilos para o 2º tempo.  Vaca Braba só entendeu o que estava acontecendo, quando a porta se abriu e Délio de Oliveira, comunicou-lhe que ele estava demitido e que o time passaria a ser dirigido, a partir daquele instante, por Juan Rolon...

O primeiro show foi com o grupo de Porto Rico, Menudo, que fez grande sucesso no Brasil na década de 1980. Realizado no Dutrinha, o show levou ao estádio do centro da cidade milhares de adolescentes. Mas o sucesso de público não foi suficiente para apagar a má impressão que ficou entre Os Menudos de sua única passagem pela capital mato-grossense...

Acontece que na hora de pagar a rapaziada porto-riquenha, Juan Rolon, que era vendedor de figurinhas para álbuns, entregou ao conjunto muitos envelopes contendo milhares de cédulas de Cr$ 1,00 (cruzeiro) – a moeda da época e que vigorou de 1970 a 1986. Aquela montanha de cédulas de pouco valor exigiu do Menudo a perda de um tempão para contar a dinheirama e verificar se o monte de notas correspondia ao preço combinado pelo show...

Juan Rolon não se apertava na hora de mexer com dinheiro para defender o Palmeirinhas. Quando ele contratou Mosca em 1984, o clube não tinha dinheiro para pagar as luvas do jogador e Rolon deu-lhe um fuscão que estava em nome de Délio de Oliveira. O jogador pegou o carro, mas ficou apenas alguns minutos com o fuscão, que já estava penhorado pela Justiça para ser leiloado para pagar uma dívida do alviverde.

Mosca ficou apenas quatro meses no Palmeirinhas, por causa de uma contusão que o afastou dos campos por um longo tempo. Na hora de acertar a rescisão do contrato, como sempre, o clube não tinha dinheiro. Mas Rolon, que explorava um garimpo de ouro em Diamantino, entregou ao jogador, para quitar a dívida, alguns valiosos anéis. Naquele dia, Mosca chegou em sua casa falando grosso: “Não quero ouvir ninguém  falar em falta de anéis de ouro, por pelo menos uns quarenta anos, aqui em casa...”                 

domingo, 25 de agosto de 2019

Humaitá reformava e repintava bolas usadas para enganar a FMF e adversários...


Nos velhos tempos do futebol de Mato Grosso, na fase do amadorismo e até mesmo no profissionalismo, introduzido no estado indiviso em 1967, não existia essa moleza da Federação Mato-grossense de Desportos e depois de Futebol, mandar para os estádios onde vão ser realizados jogos, um monte de bolas, como acontece hoje, para felicidade de gandulas que não precisam mais estar correndo o tempo todo durante os 90 minutos, dentro dos alambrados, para substituir as que saem de campo.

Não tinha colher de chá com a federação: clube que não levasse sua bola nos campos corria o risco de ser multado e até perder os pontos da partida, se fosse jogo oficial. Antes de começar o jogo, o juiz examinava as duas bolas para avaliar a que estava em melhor condição para ser usada, enquanto a outra ficava na reserva para qualquer eventualidade...

Essa exigência da FDF-FMF provocou um caso muito engraçado no limiar da década de 1960: Palmeirinhas e Mixto iam disputar jogo muito importante no domingo, no campo do Arsenal, pelo Campeonato Amador. No sábado, o Palmeirinhas ficou sabendo que o adversário tinha levado na sexta-feira à noite sua bola a um terreiro de macumba e o pai de santo que tinha feito um “trabalho da pesada” para facilitar a sua vitória.

Antes do início do jogo, o árbitro examinou as duas bolas e para desespero dos palmeirenses escolheu a do Mixto. Superstição ou não, o Mixto virou o primeiro tempo vencendo pelo placar de 3x0. No segundo tempo, o fanático torcedor palmeirense José Dias de Oliveira passou a correr atrás da bola, onde quer ela saísse, para pegá-la. Depois de muito tempo conseguiu pegar a bola e a estraçalhou a canivetadas. O restante do jogo foi disputado com a bola do Palmeirinhas, mas não adiantou nada: o Mixto ganhou de goleada...

Em 1980, o Humaitá, de Cáceres, não andava bem das pernas financeiramente. Sem dinheiro para comprar bolas novas em todos os jogos, o time cacerense pegava as bolas que usava nos treinamentos durante a semana, dava uma arrumada caprichada nelas, incluindo uma pintura e as levava para os estádios onde ia jogar,como se fossem novinhas em folha...

Nesse trabalho de recuperação das bolas para enganar juízes e a federação, o clube contava com a colaboração do atacante Capeta, que estudou muitos a nos no Colégio Salesiano São Gonçalo na década de 1970 e aprendeu em uma das muitas oficinas mantidas pela escola, a confeccionar bolas de futebol, que eram usadas pelos padres que atuavam nas missões salesianas no Parque Indígena do Xingu em Mato Grosso para catequizar índios...            

domingo, 18 de agosto de 2019

Briga fora de campo entre árbitro e torcedor do Sorriso passou para a história do futebol de MT

Passou para o folclore do futebol de Mato Grosso e da sua própria história, uma violenta briga na antiga estação rodoviária de Sorriso entre o árbitro Mário Martins Rodrigues, que era mais conhecido como Xuxa, e um torcedor do Sorriso Esporte Clube, um poderoso empresário do município e cujo nome não vem ao caso.

Martins Rodrigues não se recorda do ano da histórica briga, mas crê, com base na idade de sua primeira filha, que foi em entre 1995 e 1998, três anos depois da fundação do SEC, que, aliás, não naquela época não teve uma vida muita longa no futebol profissional de Mato Grosso, apesar de ter sido campeão estadual em 1992 e 1993. Decorridas mais de três décadas, até hoje a pancadaria entre os dois é lembrada pelos torcedores da velha guarda.

No dia histórico, o Sorriso recebeu no Estádio Egídio José Preima, o União, de Rondonópolis, pelo Campeonato Estadual da Federação Mato-grossense de Futebol. O jogo terminou empatado pela contagem mínima, sem nenhum problema para o árbitro Mário Martins Rodrigues e seus dois auxiliares, Luís Ribeiro e Elói Natalino.

Mas quando o pessoal da FMF estava se reunindo do lado de fora do estádio – os dois bandeirinhas, o financeiro José de Almeida, o delegado (representante da entidade) Armindo Curimbatá, além de Xuxa, claro – apareceu em um carrão da Chevrolet o torcedor que, sem nenhum motivo, começou a xingar e  a esculhambar o árbitro.

Surpreendido, Mário Martins revidou as ofensas. Sem papas na língua, Martins Rodrigues, que naquele tempo não era ainda evangélico, ofendeu inclusive a moral e a honra do grandalhão torcedor que estava à sua frente. Até porque  Xuxa não era de levar desaforo para casa, mesmo em circunstâncias adversas, como naquela ocasião. Com ele, não tinha aquela história de que “em terra alheia, touro berra como vaca...”

A troca de ofensas entre os dois não teve maiores consequências e o grupo da FMF foi para a estação rodoviária para pegar o ônibus a fim de retornar a Cuiabá. Para comprar a passagem, o viajante tinha que passar por um pequeno e estreito corredor para chegar aos guichês. Quando o juiz chegou ao final do corredor, quem estava à frente de Xuxa? Simplesmente, o grandalhão torcedor sorrisense.

Com um enorme facão numa das mãos, o torcedor gritou: “Agora, Xuxa, você vai repetir tudo o que me disse lá na porta do estádio!...”
Sem alternativa para se defender naquela difícil situação, Xuxa partiu para o ataque, tentando tomar o facão do torcedor do Sorriso. Trocando socos e pontapés, saíram daquela área e rolaram pelo chão da rodoviária.

Mesmo tendo levado nas costas dois golpes com a lâmina do facão e cujas marcas são visíveis até hoje, Xuxa pegou um mocho e desferiu algumas pancadas na cabeça do adversário e a muito custo conseguiu subjugá-lo. Durante a longa e violenta briga entre os dois, seus companheiros de FMF deram no pé rapidinho, deixando Xuxa sozinho...

A velha estação rodoviária da cidade – a atual foi inaugurada em 1997– não tinha meio termo: ou era um lamaçal no tempo das chuvas, ou uma poeirenta área, por onde os ônibus que saíam e chegavam ao local, circulavam. Apenas uma pequena área dos guichês das empresas era cimentada. Como os dois passaram um tempão rolando sobre o cascalho cheio de poeira, quando a briga terminou, Xuxa e o torcedor pareciam mais dois mendigos...       
Completamente dominado no chão e sem a mínima chance de reverter a posição, o sorrisense desistiu de continuar brigando. Levantou-se, sacudiu a poeira e foi embora, deixando para trás as chaves do seu carrão, a carteira com documentos, um boné e o facão, que Xuxa colocou tudo na sua mochila e entregou na segunda-feira na FMF.

Dias depois, um dirigente do Sorriso esteve na entidade para pegar os objetos e devolver ao torcedor do seu clube. E pegou tudo, menos o facão, que Xuxa, que chegou a ser cotado para se tornar árbitro da Federação Internacional de Futebol Associado – Fifa em Mato Grosso, guardou como recordação do seus 17 anos como juiz de futebol – de 1988 a 2005 – e da maior briga de sua vida...      

Depois que abandonou o apito, Xuxa tornou-se evangélico e tem tentado entrar em contato com o torcedor de Sorriso para pedir-lhe desculpas e até mesmo perdão pela histórica briga. Mas nem com a intervenção de um jornalista de Cuiabá e de um radialista de Sorriso, Xuxa  conseguiu falar por telefone com o desafeto. Mas vai continuar tentando, pois como diz a sabedoria popular “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...”                                  
   


sábado, 10 de agosto de 2019

Fuscão que Mosca recebeu como luvas foi confiscado pela Justiça para pagar dívida do Palmeirinhas

Jogador mais caro do futebol de Mato Grosso na época, Mosca decidiu aceitar uma irrecusável proposta do presidente do Palmeirinhas, o argentino Juan Rolon, para disputar o Campeonato Mato-grossense de Futebol de 1984 pelo alviverde do Porto. A notícia da decisão de Mosca foi recebida com euforia pelos palmeirenses e muita preocupação por torcedores de outros clubes, pois ele não era apenas o jogador mais valorizado de Mato Grosso, mas também uma das principais “estrelas” do futebol mato-grossense.

Definidos os detalhes da transferência, à última hora surgiu um problema: o Palmeiras não tinha dinheiro para pagar as luvas exigidas por Mosca para assinar contrato. Mas, esperto – na realidade, muito mais enrolado..., – Juan Rolon encontrou rapidinho uma saída para a questão: o Palmeiras daria a Mosca um fuscão, já bem usado, mas funcionando perfeitamente, como as luvas acertadas...

No dia de pegar o carro, que estava no nome do eterno presidente do Palmeirinhas, Délio de Oliveira, recentemente falecido, assim como também Juan Rolon, Mosca, que residia nas imediações do Big Lar, em Várzea Grande, convidou o massagista e amigo Geraldo Malaquias, do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, e que morava na “república” tricolor, na Avenida Couto Magalhães, para ir com ele.

O carro estava em uma oficina mecânica lá pelas bandas do Centro Político Administrativo. Mas antes tiveram que passar pela Assembleia Legislativa, na pracinha do Centro Geodésico da América do Sul, e onde Délio de Oliveira trabalhava, para pegar as chaves do sonhado fuscão de Mosca...

Tudo corria às mil maravilhas. Os dois pegaram o carro e se mandaram de volta para Várzea Grande. Mas quando a dupla estacionou o fuscão defronte a residência do jogador uma surpresa desagradável: assim que Mosca pôs os pés no chão, um oficial de Justiça apresentou-lhe um mandado de busca e apreensão e levou o fuscão embora para ser leiloado para pagar uma velha e bem alta dívida do Palmeirinhas...

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

TJD da FMF reconhece falha, reabre sessão e condena a penas rigorosas clubes que já havia absolvido...


Auditório da Federação Mato-grossense de Futebol lotado na noite de 6/3/2018 para mais uma sessão do Tribunal de Justiça Desportiva da entidade. O motivo de tanta gente – diretores de clubes, jogadores, jornalistas, radialistas,  advogados, torcedores, curiosos...  – nas dependências da FMF: o julgamento de vários processos, especialmente de três envolvendo Dom Bosco, Sociedade Ação Futebol e Poconé, denunciados ao órgão disciplinar por terem escalado atletas no Campeonato Estadual da 1ª Divisão e cujos nomes não haviam sido publicados no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol.

Era plenamente justificado o interesse da numerosa plateia da plateia presente à sessão do TJD, já que dependendo dos resultados dos julgamentos, o Campeonato Estadual sofreria profunda alteração, pois o Dom Bosco perderia 16 pontos, o  Ação 12 e o Poconé, 30. Quer dizer: nem um deles teria condições de recuperar os pontos perdidos e seriam rebaixados irremediavelmente para a 2ª Divisão.

O primeiro processo da pauta de julgamentos da noite histórica para o futebol mato-grossense foi o que envolvia o Dom Bosco e cujo resultado poderia servir de fundamento para a decisão dos juízes do TJD nos outros dois da noite. O advogado do Dom Bosco, Geandre Bucair, fez uma defesa oral brilhante do clube, conseguindo a absolvição do azulão. Como se tratava de processos emblemáticos, consequentemente Ação e Poconé também foram absolvidos.

A vitória dos três clubes no TJD foi comemorada festivamente no próprio local do julgamento. Teve gente que até comemorou nas ruas a vitória do seu clube, tomando umas e outras, com a proclamação do resultado pelo órgão de justiça desportiva da FMF. Mas a alegria durou pouco...

Depois que todo mundo tinha ido embora, um dos auditores do TJD descobriu que havia ocorrido uma falha do órgão no julgamento do processo contra o Dom Bosco... a sessão foi reaberta e os três clubes foram condenados, sem direito à defesa, a perda dos pontos, conforme a denúncia que havia chegado ao órgão de justiça desportiva. Logo a notícia sobre a nova decisão vazou em um site e se espalhou rapidinho. E o sonho da vitória no “tapetão” virou pesadelo...

É evidente que Dom Bosco, Ação e Poconé recorreram contra a esdrúxula decisão do TJD. Diante da reação dos três clubes, o tribunal anunciou que convocaria uma sessão extraordinária do seu Pleno para julgar de novo os processos. Mas 2019 já avança celeremente para o fim e decorrido mais de um ano da decisão, que pelo ineditismo já passou também para o rico folclore do futebol mato-grossense, o TJD não reuniu o Pleno para dar a decisão final ao rumoroso processo...

Parece que esse “erro” do TJD é mais um caso do futebol mato-grossense que vai dar em nada. Mesmo com a perda dos pontos, o Dom Bosco, que seria rebaixado junto com o Ação e o Poconé para a 2ª Divisão, continua na divisão de honra do futebol estadual, enquanto os outros dois times desistiram de disputar o certame de 2019. E o Cuiabá e o Sinop já foram proclamados, campeão e vice, respectivamente, da temporada passada, faz muito tempo...              

       
    

domingo, 28 de julho de 2019

“Pare o ônibus, motorista, minha mãe está atrás do toco e você vai atropelar ela...” – gritou Cafuringa em pesadelo


Em duas “Jesus me chama”, como são conhecidas as kombis que a Volks deixou  de fabricar faz muitos anos – o apelido resulta do fato de que o motor do veículo fica na parte traseira e no caso de uma colisão de frente os ocupantes do banco dianteiro fatalmente vão para o vinagre... – o Humaitá saiu de Cáceres para cumprir, em uma semana, três jogos sucessivos pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 1980.

O primeiro jogo do Humaitá foi no Estádio Verdão, completamente lotado, contra o Mixto. Contrariando todos os prognósticos, o Humaitá deu uma surpreendente surra no alvinegro pela contagem de 6x1. Nessa partida, um fato histórico: o atacante Capeta, do time cacerense, abriu o placar aos 30 segundos de jogo, considerado o gol mais rápido marcado até hoje no Verdão.

Com o moral nas alturas depois da goleada, o Humaitá pegou a BR-070, para enfrentar na quarta-feira à noite no Estádio José Valeriano Costa, o Zeca Costa, o Barra do Garças. Ao contrário do primeiro jogo, o Humaitá não encontrou moleza e teve que se esforçar muito para sair do estádio barragarcense com o apertado placar de 1x1.

O jogo seguinte foi em Rondonópolis contra o União. Para poupar seus jogadores de um cansaço maior nas incômodas e superlotadas kombis, o Humaitá saiu por Goiás, pegando a BR-364, passando pela Serra da Petrovina, que é muito perigosa no trecho que fica em Pedra Preta, e saindo já em Rondonópolis. O União venceu o jogo por 2x1.

Na volta para Cáceres, quando uma das kombis descia a Serra de São Vicente, de repente ouviu-se um apavorado grito dentro de uma delas: “Pare o ônibus, motorista, minha mãe está atrás do toco e você vai atropelar ela...”

Era Cafuringa, que, dormindo, estava tendo um pesadelo, assustando todo mundo que seguia na perua em que ele viajava, na perigosa serra. O Cafuringa do Humaitá, um jovem oriundo do futebol carioca, nada tem a ver com outro famoso Cafuringa, ponteiro direito já falecido, que fez sucesso no futebol brasileiro, defendendo entre outros clubes Fluminense, Botafogo e Atlético Mineiro...
     

domingo, 21 de julho de 2019

Torcida começa a acreditar que ficaram resquícios da praga que lavadeira rogou contra o União

Depois de longo nove anos sem conquistar um título do Campeonato  Mato-grossense de Futebol, nem disputar uma final, já tem torcedor acreditando que sobraram resquícios da praga que uma lavadeira teria jogado há muito tempo contra o União, revoltada porque não recebia o pagamento combinado para lavar e passar os uniformes do clube. Diz a lenda, que todo mundo conhece em Rondonópolis, que a praga condenava o União a jamais ser campeão do Estado...

Verdade ou lenda, o fato é que o União passou 36 anos sem conquistar um título estadual de futebol. Inclusive disputou 10 finais do Campeonato Estadual, algumas das quais com a programação antecipada de festas pela torcida do colorado, pois a conquista do título era certa, mas na hora “h”... era aquela água! Finalmente, o União foi campeão em 2010, numa final dramática contra o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense e que o time rondonopolitano venceu por 3x2, no Estádio Luthero Lopes.

Embora a praga da lavadeira faça parte da própria história do União, na realidade a lenda só ganhou as asas do noticiário esportivo nacional  em 2011, com a publicação de um material bem detalhado e desconhecido da torcida no livro Casos de todos os tempos  Folclore do futebol de Mato Grosso. Não foi apenas grandes emissoras de televisão do Brasil que dedicaram espaços generosos a praga da lavadeira, mas consagrados sites também...

Apesar de Amélia, filha de Afro Stefanini, ex-deputado estadual, federal, secretário chefe da Casa Civil do governo Frederico Campos, com velha ligação com o clube, garantir e provar que pagou a lavadeira, a torcida do União anda meio desconfiada. E com razão: depois de 2010, máximo que o clube tem conseguido é ficar em terceiro lugar, o que é muito pouco para uma tradição de 36 anos.

Quando Stefanini morreu, em 2008, com 86 anos de idade, Amélia encheu os bolsos do paletó do seu terno na esperança de que seu pai encontraria a lavadeira em algum lugar no infinito para lhe pagar  acabar com a praga. Há muito tempo um diretor do União resolveu acertar as contas com a lavadeira, mas não conseguiu: ela tinha morrido e ninguém dos seus parentes quis aceitar o dinheiro...

Depois da morte de Stefanini, Amélia recebeu, através dos Correios, um recibo de uma pessoa que se identificou como dona Maria, quitando a dívida da lavadeira. O recibo, no valor de R$ 100,00, tem inclusive o CPF de Stefanini. Menos de dois anos depois da morte de Afro Stefanini, o União conseguiu conquistar o sonhado título do campeonato estadual. Mas já está chegando uma década sem o gostinho até de um vice e a torcida começa a ficar meio cabreira...        

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Humaitá passou 15 minutos sem tocar na bola no show que o Dom Bosco deu no Estádio Geraldão


Exatos 15 minutos, nem mais nem menos, ou 1/3 de um período de um jogo de futebol – este foi o tempo que o Humaitá passou em campo sem tocar na bola na partida que disputou contra o Dom Bosco, pelo Campeonato Mato-grossense de Futebol de 1980, no Estádio Geraldão. Foi um verdadeiro show de bola que o azulão deu no adversário, não respeitando o fato do Humaitá estar jogando diante de sua fiel torcida.

 “O Dom Bosco tinha um toque refinado de bola que só faltava matar de raiva os adversários que ficavam em campo sem ver a cor da bola...” – afirma Altair Martins, o Capeta, hoje vivendo em Cuiabá e que jogou naquele histórico “baile” que o Humaitá levou. O placar final do jogo foi 1x1...

Lembra Capeta que o Dom Bosco, além do toque refinado de bola com a participação coletiva, ainda tinha em sua equipe alguns jogadores que faziam a diferença. Entre eles, Gonçalves, Fidélis, Bargas, Adilson e Pelego. Ex-companheiro de Pelé no Santos FC, Adilson chegava a provocar a ira da torcida dombosquina, pois em muitas ocasiões, mesmo com o gol praticamente feito, procurava dar mais um toque na bola para embelezar a sua requintada arte de jogar futebol.

Oriundo da escolinha de futebol do Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, que revelou jogadores talentosos como Niquita, Gérson Lopes, Caruso e Dito Siqueira, Capeta foi emprestado pelo tricolor ao Humaitá, em 1980, assim que foi desfeita a seleção juvenil de Mato Grosso daquele ano. Mas, apesar de um futuro promissor no futebol, Capeta ficou no clube cacerense apenas dois anos. E parou muito cedo com o futebol profissional.

Morando no bairro Dom Aquino, em Cuiabá, Capeta ainda muito ligado aos esportes, principalmente ao futebol, montou, em sua casa,  uma oficina onde trabalha com molduras de quadros e poster de times e vidros.    

Capeta orgulha-se, no entanto, de um grande feito, em sua curta carreira: ele foi o autor do gol mais rápido no Verdão. Foi em 1980 em um jogo do Campeonato Mato-grossense de Futebol, entre Mixto e Humaitá. Dada a saída para começo do jogo, alguém lhe tocou a bola e ele disparou um petardo contra a meta mixtense.  A bola chocou-se com o travessão, bateu nas costas nas costas de Mão-de-Onça e foi as para as redes. O resultado do histórico jogo para Capeta foi de 6x1 para o Humaitá, com o Verdão lotado. eram decorridos apenas 30 segundos de jogo.           
 





sábado, 6 de julho de 2019

Uma recepção nada amistosa do técnico Mosca a Bogé em sua apresentação ao Mixto


“Não me interessa de onde você veio e em que clubes jogou. O que me interessa é que aqui você vai ter que jogar muita bola...” – foi dessa forma, pouco amistosa, que o treinador Carlos Henrique Pedroso, o Mosca, que fez sucesso no futebol mato-grossense defendendo o Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, deu as boas-vindas ao zagueiro Bogé, revelado pelo Corinthians  Paulista, quando o jogador se apresentou, em março de 2006, ao seu novo clube em Mato Grosso, o Mixto.

Bogé, que já havia jogado pelo Colorado-PR; o Operário, de Campo Grande-MS; o CEOV e o Operário Futebol Clube, ambos de Várzea Grande; e o Luverdense, teve uma passagem brilhante pelo Mixto. Tanto é que foi parar no Cuiabá, que defendeu durante seis anos e no qual encerrou sua carreira de muitas conquistas. Depois que deixou o Cuiabá, Bogé recebeu convites para continuar jogando profissionalmente, mas não aceitou. Com o nascimento de sua filha, ele preferiu um emprego público garantido do que o incerto futebol...

A sua permanência no Luverdense, fez Bogé recordar dos tempos difíceis que ele defendeu o inexpressivo clube do interior paranaense. Foram quatro meses em que os boleiros que moravam na “república” só comiam arroz com ovos fritos ou salsicha. Ah, tinha também língua... não o apreciado prato bovino, mas as dos próprios jogadores, para misturar a comida durante a mastigação para poderem engolir...

O problema no Luverdense eram as pitzas. Toda vez que o clube joga no “Passo das Emas”, seja à tarde ou à noite, os jogadores se fartam de comer o apreciado prato da culinária italiana. Mesmo quem não gosta de pitzas, tem que comer, pois é a oportunidade que os jogadores têm para conversar com o eterno presidente do Luverdense, Helmute Lawisch, sobre vitórias, empates ou derrotas. As pitzas, dos mais variados sabores, são servidas no vestiário mesmo, em pedaços, sem qualquer cerimônia...

Essa tradição é mantida até hoje. “Quem não gostar de pitzas é melhor nem jogar no Luverdense...” – destaca um antigo colaborador do clube de Lucas do Rio Verde. “A pitza é para os jogadores recuperarem as energias...” – afirma o técnico Júnior Rocha...                  

Às vésperas de um jogo do Luverdense para o qual Bogé e Rossini, revelação do Santos FC, não haviam sido recrutados pelo técnico Lisca nem para ficarem no banco de reservas, os dois decidiram fazer uma visitas “as primas” num lupanar da cidade. Altas horas da noite, quando iam saindo para ir embora, deram de cara com toda a comissão técnica do Luverdense.

Esperaram pelo pior, na semana seguinte, pelo flagrante na ZBM. Mas no primeiro treino do Luverdense após o jogo, o técnico Lisca mandou Bogé e Rossini ficarem de “bobinhos” no recreativo que antecedeu o exercício, o que significava que não seriam punidos. E nem poderiam mesmo, com o trunfo que os dois tinham nas mãos...

Durante os seis anos que ficou no Cuiabá, Bogé considera a ascensão do time da Série D para a C, em 2011, como uma das suas mais importantes conquistas no futebol. A decisão da vaga foi em Tucuruí, contra o Independente, que perdeu de 3x0 em Cuiabá e 2x1 no Pará.

Terminado o jogo, a diretoria do clube anunciou que por falta de voo para Belém, no dia seguinte, os jogadores estavam dispensados até terça-feira. E pagou para cada jogador R$ 10 mil, como prêmio pela ascensão a Série C. Foi uma noite de muita festa naquele domingo em Tucuruí...         

domingo, 30 de junho de 2019

Um jogo tranquilo no Zeca Costa, mas com um grande tumulto – até com prisão – depois com o árbitro Armindo Sete Bundas

Em 1984 ou 1985, o árbitro Ari Euclides Pereira foi indicado pelo Departamento de Árbitros da FMF para apitar no Estádio Zeca Costa, em Barra do Garças, o jogo entre Barra do Garças e o Mixto pelo Campeonato  Mato-grossense da 1ª Divisão. Para atuar como bandeirinhas, o DA  da FMF escalou Armindo Sete Bundas e José Guasques, enquanto como árbitro reserva foi designado Ismar Gomes, que sempre arrumava encrenca, às vezes da grossa, pelos estádios por onde passava...

Nesse jogo, porém, tudo transcorreu dentro da mais absoluta calmaria. Ari Euclides não se recorda quem foi o vencedor do jogo, mas acha que deve ter sido o time da casa, porque a torcida barragarcense, fugindo à normalidade, não criou qualquer problema para a arbitragem. Muito menos os jogadores dos dois times. Até parecia um jogo de com fraternização e não do Campeonato Estadual.

Encerrado o jogo, o pessoal da Federação Mato-grossense de Futebol que trabalhou naquele dia – os juízes, o delegado (representante da entidade) e o financeiro – foi tranquilamente para a Estação Rodoviária, esperar o ônibus para retornar a Cuiabá.  O ônibus chegou, os passageiros, incluindo naturalmente o pessoal da FMF,  embarcaram, iniciando a viagem de volta para casa.

Naqueles velhos tempos, na saída de Barra do Garças para Cuiabá existia uma parada de ônibus, onde muita gente preferia esperar o  busão, para não ter que ir até perto da ponte sobre o Rio Araguaia para embarcar.    

Na parada do coletivo, entrou no ônibus um passageiro, exibindo na cintura uma peixeira daquelas e que se sentou na poltrona onde estava Armindo Sete Bundas. Ao reconhecer entre os viajores o pessoal da FMF, o torcedor partiu logo para a provocação. “Esse pessoal da Federação tem mais é que apanhar e morrer para deixar de roubar a gente aqui no futebol...” – dizia em altos brados. E toma palavrões...

Armindo Sete Bundas, que era policial civil, não teve dúvidas: pegou o seu revólver e deu voz de prisão ao torcedor. Estabeleceu-se um tumulto no busão, com muitos passageiros assustados, sem saber o que estava acontecendo, com o rolo que estava acontecendo dentro do ônibus. Chamada por Armindo Sete Bundas, a Polícia Militar chegou rapidinho a parada de ônibus e levou o passageiro embora.

Naquela noite, o ônibus do horário continuou a viagem para Cuiabá com um passageiro a menos...

– O Armindo Sete Bundas era meio estourado, mas gente muito boa ... – afirma o ex-árbitro Wilson Eraldo da Silva, que conviveu algum tempo com ele, apitando principalmente futebol de salão.

A origem do apelido de Armindo, já falecido, ninguém nunca ficou sabendo, até porque não lhe perguntavam, certamente com medo do seu inseparável trabuco...

Armindo detestava tanto o apelido que em muitas ocasiões chegava a interromper jogos de futebol e de futebol de salão, que apitava também muito bem, para se aproximar de arquibancadas de estádios ou de ginásios de esportes na tentativa de identificar quem o estava chamando de Sete Bundas...

Geralmente, eram amigos seus, pois só os seus mais chegados sabiam da raiva que Armindo tinha do apelido e que o provocavam só para vê-lo perder as estribeiras . “Lá fora eu pego vocês...” – reagia Armindo Sete Bundas.

Mas era só ameaça mesmo!...
 

sábado, 22 de junho de 2019

Catolicismo e macumba de pai de santo-treinador não deram certo no Humaitá...


Técnico de futebol e ao mesmo tempo respeitado pai de santo, Beto Mendonça chegou ao Humaitá, de Cáceres, em 1980, disposto a recuperar o moral do representante da cidade nas competições oficiais da então Federação Mato-gossense de Desportos, pois apesar do apoio dos cacerenses – a média de público no Estádio Geraldão era de 20 mil torcedores por jogo – o time não ia bem dentro de campo. E claro que a torcida chiava e com razão: se prestigiava tanto o clube, era justo exigir vitórias.

Beto teve um grande mérito na sua passagem pelo Humaitá: conseguiu classificar o time para as finais do campeonato estadual daquele ano. Mas não foi por causa do futebol que equipe jogava, e, sim, por renda, graças à sua fiel torcida. Participaram do quadrangular final, além do Humaitá, Mixto, Dom Bosco e Operário Várzea-grandense. O campeão daquele ano foi o Dom Bosco.

Às vésperas de jogos no domingo, nas sextas-feiras à noite, Beto Mendonça reunia a rapaziada que ia jogar e os reservas – a participação era obrigatória – no terreiro da chácara onde a equipe ficava concentrada para uma demorada sessão de descarrego. Durante o trabalho do pai de santo rolava de tudo a que a macumba tinha direito: sacrifício de galinha preta e eventualmente de bode preto, pólvora, velas pretas e vermelhas, cachaça e charutos para agradar os espíritos das trevas que Beto Mendonça incorporava...

Nessa época, o presidente do Humaitá era Renato Vital Garcia, que se tornou muito admirado em Cáceres por ser uma pessoa de um coração que não tinha tamanho. Muito religioso e de uma simplicidade sem limites, Vital Garcia estava sempre pronto para atender as pessoas que o procuravam com algum problema para resolver. Sua bondade se estendia também aos profissionais do Humaitá.

Sua religiosidade, Vital Garcia levou também para o futebol.  Nos domingos de jogos, se por qualquer razão a boleirada não podia ir à missa da manhã para rezar, o presidente levava um padre até a concentração para benzer a rapaziada, pedindo proteção aos céus para ninguém se machucar e também uma ajudazinha para o time a conquistar resultados positivos dentro de campo. Mas nem a fé de Vital Garcia e nem a macumba de Beto Mendonça estavam conseguindo dar uma forcinha ao Humaitá.

Um dia, Beto Mendonça foi conversar com Vital Garcia sobre o que pensava respeito da falta de vitórias do time. E foi direto ao assunto: o treinador-pai de santo achava que não adiantava nada ele fazer suas mandingas, “fechando o corpo” dos seus jogadores contra bruxarias de seus adversários, se orações do padre, ao abençoar a boleirada, eliminava suas feitiçarias. Os dois não chegaram a um acordo e o Humaitá continuou com suas campanhas marcadas por altos e baixos dentro de campo...

Recorda o atacante Capeta que o treinador-pai de santo não dava moleza aos seus pupilos às vésperas de jogos. Quando o time estava concentrado, ele ia pessoalmente todas as noite que precediam os jogos a chácara para checar se realmente pessoal tinha se recolhido até as 22 horas como ele exigia.

Todos os jogadores cumpriam suas ordens, menos o zagueiro Zé Carlos, recém saído da escolinha de futebol do Flamengo, do Rio de Janeiro, e que era chegadinho numa boemia. Tanto que nunca aparecia na concentração antes das 2 horas da madrugada. Certa noite de sábado, Beto Mendonça chegou à concentração para constatar se os jogadores já haviam se recolhido aos seus quartos.

Ao caminhar em direção ao quarto onde ficava Zé Carlos, foi barrado pelo  também carioca Ivonil, considerado pelos companheiros como um grande “mala”, porque sabia de tudo o que acontecia no Humaitá. “O Zé Carlos está dormindo e não quer ser incomodado de jeito nenhum...” – justificou Ivonil. E não ia ser mesmo, pois o que estava em sua cama, cuidadosamente coberto com lençóis até o travesseiro, era um mourão de cerca...
          
                               

sábado, 15 de junho de 2019

Ubirajara abandonou o gol do Mixto para correr atrás do massagista do Goiás para pegar a santa de sua devoção...

O numeroso público presente ao Estádio Serra Dourada, em Goiás, não entendeu nada – mas divertiu-se muito, gritando e dando gostosas gargalhadas... – quando o goleiro Ubirajara, do Mixto, abandonou sua meta e saiu correndo atrás do massagista do Goiás, ainda no primeiro tempo do jogo que os dois disputavam pelo Campeonato Nacional de 1978. Como os jogadores não sabiam o que estava acontecendo dentro do campo, o mixtense Ruiter simulou uma contusão e se jogou no chão, obrigando o juiz a paralisar a partida para forçar Ubirajara voltar para o gol...

Aí foi esclarecida aquela confusão causada pelo mixtense e o goiano. Devoto fervoroso de Nossa Senhora Aparecida, antes de cada jogo Ubirajara fazia uma prece silenciosa no vestiário e entrava em campo com a imagem da santa enrolada numa toalhinha, daquelas que todos os goleiros usam para secar as mãos ou enxugar o suor do rosto no decorrer da partida, e a colocava devidamente protegida pelas redes no fundo de sua meta, para garantir as bênçãos divinas.

Como sabia dessa crença de Ubirajara, o massagista do Goiás aproveitou um rápido descuido do goleiro, pegou, disfarçadamente, a imagem e se mandou, correndo, em direção ao local, onde estavam os reservas do clube goiano O objetivo do massagista era desestabilizar emocionalmente o goleiro do Mixto para facilitar a entrada da bola nos chutes que o Goiás desse contra sua meta...

Mas Ubirajara, que bobo não tinha nada, desconfiou do massagista quando deu falta de sua santinha protetora e partiu pra cima dele. O goleiro mixtense não considerou nem a possibilidade do seu time levar um gol enquanto ele corria atrás do gatuno de sua padroeira, deixando sua meta escancarada. Demorou um pouco, porém Ubirajara conseguiu alcançar o massagista, deu um salto aos seus pés, derrubou-o e pegou a sua protetora.

Apesar da confusão que tanto divertiu a torcida, o jogo teve continuidade normalmente, com a volta de Ubirajara para o gol e a consequente “recuperação” de Ruiter, que não tinha se machucado coisa nenhuma. O jogo terminou empatado pela contagem mínima, com Ruiter marcando o gol do Mixto na cobrança de uma falta com barreira nas imediações da grande área do Goiás...

Aquele jogo, realizado há 40 anos, representou um marco importante para a imprensa esportiva de Mato Grosso por ter sido uma das primeiras transmissões que a Centro América fez ao vivo de uma partida de futebol, ensejando aos torcedores do estado acompanhar, mesmo a grande distância, as jogadas de craques como Ruiter, Bife, Nelson Vasques, Luís Augusto e tantos outros. A tv não conseguiu, porém, registrar a hilariante cena da perseguição de Ubirajara ao massagista do Goiás. O locutor da TVCA naquele jogo foi Macedo Filho e o comentarista, improvisado, Márcio de Arruda.       
       
    
  
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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Dentadura de zagueiro escondida em filtro d’água quase provocou confusão no Humaitá...



Já fazia um tempão que os jogadores do Humaitá, de Cáceres, vinham tirando o maior sarro do companheiro de clube, o grandalhão Godero, que havia sido contratado para a disputa do Campeonato Mato-grossense de 1980. No divertido mundo do futebol dos velhos tempos, quando a maioria da boleirada jogava para se divertir, sem ligar muito para o dinheiro, qualquer coisinha que acontecia no Humaitá, era motivo de gozações, insinuações e piadinhas contra Godero.

Carioca de Petrópolis, o zagueirão, com 1,79 m de altura, a princípio levava tudo na esportiva, mas com o passar dos dias, e à medida que as brincadeiras – algumas de evidente mau gosto e até ofensivas foram ganhando novas conotações – Godero foi ficando puto da vida...

O motivo da gozação contra Godero: na hora das duas principais refeições do dia na “república” do Humaitá – almoço e jantar – o zagueiro tirava uma das dentaduras, colocava em um copo à sua frente e mandava ver na boia. Depois, como manda as boas regras da higiene bucal, ele escovava os dentes e recolocava a dentadura na boca...

Um dia, após uma das refeições, Godero foi pegar a dentadura e só encontrou o copo vazio. Ele procurou se lembrar se a tinha esquecido em algum lugar, mas não havia dúvida: ela estava mesmo dentro do copo onde era deixada. Alguns jogadores, solidários com Godero, procuraram ajudá-lo na busca da dentadura.

O refeitório, onde havia poucos móveis e um filtro, uma espécie de pote de barro e que era abastecido diariamente para a moçada tomar água à vontade, foi revirado de cabeça para baixo, porém nada da dentadura aparecer. Começava naquele dia o inferno de Godero, com as gozações que não tinham mais fim contra o zagueirão.   

Passados alguns dias, o ponteiro direito Jota Alves, que depois do Humaitá jogou no Clube Esportivo Operário Várzea-grandense, encostou-se em Godero e confidenciou-lhe: “Eu sei onde está sua dentadura”. E emendou: “Ali, dentro do filtro...”

Aí foi a vez de Godero devolver todas as gozações e brincadeiras de que havia sido vítima, principalmente porque estava banguela. “Viu só! Todos vocês tomaram água da minha dentadura...” e se divertia quando alguém fazia cara de nojo ou sofria ânsias como se fosse vomitar, por ter tomado da água do filtro onde a dentadura ficou um tempão escondida...

Godero até que tentou, mas nunca descobriu quem foi o engraçadinho que escondeu sua dentadura naquele lugar insuspeito...  

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A tumultuada venda de Bife para o XV de Piracicaba e a fuga em porta-malas de carro para jogar contra o União...


Bife disputava o Campeonato Paulista da Divisão Especial de 1978 pelo São Bento, de Sorocaba, cedido, por empréstimo, pelo Mixto Esporte Clube. As boas atuações do atacante, coroadas com muitos gols, despertaram a atenção do XV de Novembro, de Piracicaba, que fica a 80 quilômetros de Sorocaba. Comandado com mão de ferro pelo milionário comendador Romeu Ítalo Rípoli, o clube piracicabano comprou o passe de Bife, pagando, sem pechinchar, Cr$ 50 milhões. Na época essa dinheirama era uma fortuna, que serviu para o alvinegro saldar muitas dívidas, inclusive a folha de pagamentos atrasada há três meses.

Quando o comendador Rípoli foi a Sorocaba comunicar a Bife que o XV havia comprado seu passe e ele tinha que se apresentar imediatamente ao seu novo clube, os dois se estranharam. Em um ríspido bate-boca no campo onde o São Bento realizava um coletivo, Bife disse a Rípoli que tinha nome de carne de animal, mas era gente e sabia conversar, com o seu interlocutor retrucando que o dinheiro que o seu time havia desembolsado para adquirir seu atestado liberatório dava comprar uma boiada inteira e não apenas um bife...

Bife foi para Piracicaba, porém não chegou a um acordo com o XV para assinar contrato e retornou a Sorocaba, sem dar satisfação ao seu novo clube. Como, decididamente, Bife e Rípoli não iam se entender, o clube piracicabano aceitou a proposta do presidente Lino Miranda, de emprestar Bife ao Mixto, até que “baixasse a poeira entre os dois”. Lino Miranda, que foi pessoalmente a Sorocaba, acompanhado do radialista e diretor mixtense Antero Paes de Barros, buscar Bife, garantiu ao jogador que estava tudo certo entre os dois clubes, com a devolução dos Cr$ 50 milhões ao time do interior paulista.

O cheque dado pelo Mixto ao XV de Novembro, em uma negociação fechada na mansão de Rípoli, em Piracicaba, para o retorno do atacante, depois do empréstimo, não tinha fundos. Começou, então, uma peregrinação de dirigentes do time piracicabano na sede do Mixto, na tentativa de receber os Cr$ 50 milhões. Adepto da filosofia do italiano Nicolau Maquiável, Lino Miranda comprava [jogadores] e não pagava e vendia [jogadores] e não liberava, mantendo seus atestados liberatórios. “Enquanto eu tiver mãos para assinar cheques, o Mixto compra qualquer jogador...” – gabava-se Lino Miranda.

O Campeonato Mato-grossense de Futebol daquele ano ia começar e um diretor do XV veio a Cuiabá para evitar que Bife defendesse o Mixto, o que impediria o atacante de ser inscrito na Federação Paulista de Futebol para jogar pelo time piracicabano. Não registrar Bife na FMF era parte do acordo do empréstimo, por tempo indeterminado, entre os dois clubes e cujo cumprimento o XV exigia, enquanto a pendência do “cheque voador” – aquele que vai e volta às mãos de quem o deu – não fosse resolvida...

Sobre o pagamento dos Cr$ 50 milhões, Lino Miranda enrolou mais uma vez o XV de Novembro, mas garantiu ao dirigente que estava em Cuiabá que seu clube não ia registrar Bife. O Mixto ia jogar em Rondonópolis contra o União e na hora do embarque do time lá estava na sede do alvinegro o diretor do clube paulista para comprovar que Bife não estava na delegação.

A delegação do Mixto partiu e o diretor do XV também. Mas o ônibus do alvinegro fez uma parada na Avenida Fernando Correa da Costa, nas imediações do Café Brasileiro, para que Bife saísse do porta-malas do carro de Lino Miranda e se juntasse a delegação. Não só viajou como jogou. Sem o atestado liberatório de Bife, que o Mixto nunca entregou ao XV de Novembro, o clube de Piracicaba não tinha como registrar o seu jogador na FPF...

O radialista Antero Paes de Barros, que à época era diretor do Mixto, acha que a propalada fuga de Bife no porta-malas do carro é simplesmente uma lenda. Como os outros personagens de Mato Grosso nessa história – Lino Miranda e Bife – já subiram para o andar superior...   

Quanto ao cheque de Cr$ 50 milhões, até hoje, decorridos 40 anos, não se tem notícias se foi quitado e resgatado...        

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Locutor esportivo esqueceu os óculos em casa e narrou amistoso no Verdão pelos números das camisas dos jogadores...



Com o Verdão às moscas, Mixto e União, de Rondonópolis, iam disputar, numa noite bem fria, um amistoso como preparação para o Campeonato Mato-grossense  de Futebol, o primeiro depois da divisão do estado em 1979. O frio justificava o desaparecimento do público do Verdão, sem contar que os dois clubes ainda não tinham muitas novidades para apresentar aos seus torcedores...

Andando pelas cabines das rádios do estádio enquanto o jogo não era iniciado, um jornalista que fazia a cobertura do amistoso, foi abordado por um locutor esportivo de Rondonópolis: “Você já tem a escalação do Mixto?”...

– Tenho sim! Você quer anotar?

– Faça-me então um favor: anote a escalação neste papel, em letras de forma, bem grandes, para facilitar meu trabalho...

O jornalista estranhou o pedido, mas atendeu o colega de imprensa...

– Sabe o que aconteceu? – perguntou o radialista.

– Na pressa para nossa viagem para transmitir essa merda de jogo, esqueci meus óculos em casa...

– E a escalação do União, você não quer? – perguntou-lhe o jornalista.

– Do União, não preciso. Conheço todos jogadores e como o número das camisas nas costas é bem grande, não vou ter dificuldades para identificá-los. Nem os do Mixto...

– E se o técnico Milton Buzetto – era sua segunda passagem pelo alvinegro, depois do sucesso no Campeonato Nacional de 1976 – decidir fazer alterações no Mixto no decorrer do jogo como é que você vai fazer? – questionou o jornalista.

– Simples: eu não falo nas substituições... os ouvintes  de Rondonópolis não vão ver o jogo e os poucos torcedores de lá que vieram pra cá estão sem radinhos. Meu medo é faltar luz no Verdão...

Parece que o radialista estava adivinhando: naquela noite, a Cemat (... “de raiva...”, como diziam os consumidores inconformados e revoltados com os frequentes apagões...) “caprichou” nos sucessivos cortes de energia elétrica na região do Verdão e boa parte do amistoso foi disputado quase à meia luz...

Como o radialista se virou, sem os óculos e com os seguidos cortes de energia elétrica no Verdão, o jornalista não ficou sabendo...                   

terça-feira, 14 de maio de 2019

Olho gordo de empresário acabou com a carreira de Bogé no Corinthians Paulista



Indicado por “olheiros” do clube e que o viam brilhar defendendo o Flamenguinho, de Guarulhos-SP, o zagueiro Bogé, que fez sucesso no futebol de Mato Grosso, jogando nos dois Operários de Várzea Grande, Mixto, Luverdense e Cuiabá, foi parar no Corinthians Paulista em 2001. Estava indo muito bem. Mas aí um empresário carioca de nome Moreno, de “olho gordo” no futuro do jogador, convenceu Bogé ou Natanael  Pedro Arcanjo, hoje com 36 anos, a falsificar sua certidão de nascimento, diminuindo sua idade em dois anos, para passar pelas divisões de base do alvinegro, como é praxe nos clubes grandes.

Foi a grande besteira que cometeu na vida. Já bem conhecido no Parque São Jorge, Bogé caiu em desgraça perante a alvinegra. Enquanto o Corinthians providenciava seu desligamento, o motivo que levou o clube a dispensá-lo espalhou-se rapidamente entre a torcida. E por onde Bogé passava, tinha que ouvir a voz característica do gato “miau”, “miau”, “miau”... uma alusão dos torcedores ao animal que é considerado um grande ladrão, principalmente de alimentos...

Na carreira de jogador profissional, Bogé viveu dias difíceis quando foi defender o Colorado Atlético Clube, da cidade do mesmo nome, no norte do Paraná. Fundado em 1998, o CAC, cujo primeiro nome foi Associação Atlética Cintos Mima disputou a 3ª Divisão do Campeonato Paranaense e subiu para a 2ª Divisão em 2000, mas não passou daí.

Recorda Bogé que foram duros seis meses de alimentação da mais baixa qualidade no alojamento onde moravam os jogadores solteiros. O cardápio não mudava nunca: era arroz com salsicha ou ovo frito, também chamado de “zoião”. Bogé se lembra que certo dia, os jogadores viram que o sitiante que abastecia a cozinha do clube estava chegando no seu velho tratorzinho. Correram ao seu encontro para lhe dizer que devia fazer a entrega mais adiante e não ali, mas ele não quis conversa com a rapaziada e foi descarregando tudo, principalmente salsicha e ovo...

Certa feita o CAC foi jogar um amistoso contra o Grêmio Esportivo Maringá, em Maringá. Por questão de economia, os jogadores não jantaram em Maringá e retornaram a Colorado, com o estômago da boleirada roncando de fome. Quando chegaram a “república”, foram diretos para cozinha e encontraram uma panelada de salsicha. Mas com um probleminha: quem preparou “salsichada” foi embora, sem tampar a panela...

Era evidente que moscas, inclusive varejeiras, tinham assentado sobre as salsichas. Mas com a fome que estava Bogé tirou a parte atacada pelos insetos e mandou ver. Outros jogadores foram se aproximando da panela e sem outra opção para matar a fome, atacaram firme a “salsichada”. Em questão de minutos, devoraram tudo, não sobrando nem um pedacinho de salsicha para contar a história das outras...

Além dos clubes de Mato Grosso e do Colorado – não confundir com o Colorado, de Curitiba – Bogé jogou também no Operário, de Campo Grande-MS e no Clube de Regatas Brasil (CRB) de Maceió. Em um domingo de 2014, o CRB ia jogar pelo Campeonato Alagoano. Como não estavam concentrados, Bogé decidiu aproveitar a folga da manhã para dar uma voltinha numa das praias de Maceió, com um amigo. Conversa vai, conversa vem, e o tempo passando...

Quando Bogé se deu conta, já estava quase na hora do jogo começar. Ele comprou um par de óculos de lentes claras e se mandou para o estádio. Quando entrou no vestiário, bem mamado, foi a maior zoeira dos jogadores e até alguns diretores  pra cima dele. No início da semana, o diretor do CRB Marcos Barbosa comprou um par de óculos escuros e deu de presente a Bogé para pelo menos ele disfarçar quando chegasse ao vestiário de farol baixo para jogar...      

   



domingo, 5 de maio de 2019

Pelé retribuía com o pagamento do bicho integral para Almiro mentir que Coutinho era ele...


Um detalhe que pouca gente conhece sobre a passagem do cuiabano Almiro pelo Santos, no qual chegou em 1967: nas excursões que o então todo poderoso Santos FC realizava pelo mundo afora – inclusive recebendo quotas mais altas do que a própria Seleção Brasileira –, Pelé pagava para a grande revelação do Mixto EC mentir que Coutinho era ele e, dessa forma, livrar-se do assédio dos fãs, principalmente em países como Bélgica, Suécia e Suiça, onde jogadores da pele negra faziam grande sucesso, notadamente entre as mulheres.

Para compensar suas mentiras, Pelé dava um jeito de Almiro, seu eventual substituto,   entrar em campo, muitas vezes no seu próprio lugar, para garantir-lhe o pagamento o “bicho” integral. E quando Pelé decidia que um jogador devia ser substituído – às vezes, ele próprio – não existia treinador suficientemente peitudo ou burro para contrariá-lo...

Poliglota, Almiro não tinha qualquer problema para se comunicar com os torcedores para dizer que Coutinho era Pelé. E muitos torcedores, inclusive de países africanos, acreditavam, assediando Coutinho, enquanto Pelé saía de fininho das confusões em que o centroavante santista, recentemente falecido, envolvia-se com a torcida. Um verdadeiro intelectual, fato raro naqueles tempos no futebol, além do português, Almiro falava inglês, francês, castelhano...

 Apesar de ser o substituto de Pelé, Almiro teve uma passagem rápida pelo Santos. Em 1969, o Santos veio a Cuiabá participar de torneio alusivo aos 250 anos da capital mato-grossense, no Velho Dutrinha, com a participação também do América-RJ, Dom Bosco e Mixto. Pelé e Almiro, ambos contundidos, não vieram. Mas, apesar de sua ausência, a família de Almiro, decidiu homenagear o Santos, oferecendo aos jogadores alvinegros uma churrascada caseira.

Apenas alguns jogadores, entre eles, Clodoaldo, Geraldino, Mané Maria, Negreiros e Lima, compareceram a churrascada. Na animada conversa, regada a muita cerveja, Pelezinho, já falecido também, irmão e Almiro, comentou que seu mano havia lhe dito, numa das vindas a Cuiabá, no Santos só dava ele e Pelé... o resto era japonês, isto é,  não manjava nada de bola! Tempos depois, Almiro, hoje vivendo na Bahia e completamente cego, estava fora do Santos...

Comentou-se à época que a saída de Almiro do Santos tinha tudo a ver com o comentário feito pelo seu irmãozinho Pelezinho sobre o clube praiano. Mas não foi nada disso. Na realidade, foi o próprio Pelé que aconselhou Almiro a sair do alvinegro para alçar voos mais altos. Justificativa de Pelé, com a bola que ele jogava, como grande estrela do Santos e do futebol mundial, Almiro não tinha a menor chance de se projetar no futebol.     

Seguindo o conselho do amigo, Almiro transferiu-se para ao Vitória, da Bahia. Logo depois, o Vitória enfrentou o Santos pelo Campeonato Brasileiro. O time baiano ganhou o jogo por 1x0, gol de Almiro. Além de ter marcado o gol da vitória, Almiro deu um show de bola, acabando com o alvinegro da Vila Belmiro. Terminado o jogo, Pelé foi reclamar com Mug, apelido pelo qual passou a ser conhecido quando ganhou do cantor Wilson Simonal um daqueles bonecos negros, que se tornaram muito populares entre os brasileiros na década de 1960.

– Pô, Mug, no Santos você não fazia isso!... – queixou-se Pelé, referindo-se à extraordinária exibição jogador do Vitória e que depois foi para o futebol europeu, fazendo grande sucesso, principalmente no Vitória de Guimarães, de Portugal.

– Fazer como, se você não me deixava jogar!... – foi a resposta de Mug a Pelé.